CRISTO REDENTOR (5)
ADÃO
A reflexão que o sábio faz sobre o homem em Gn 1, é
uma idealização diante da frustração que
o fracasso do Plano de Deus sobre Israel provocava. Dentro do quadro
ideal da criação, o homem era visto, portanto, na sua
relação criatural com Deus, enquanto era chamado a servir
ao Criador motivado pela contemplação das obras da criação.
Esse ideal que o homem nunca soube viver teve o seu realizador na
pessoa divina de Cristo Jesus, o qual, além de ser o realizador
da expectativa de Deus sobre o homem, em virtude da sua relação
real com a humanidade, é princípio de realização,
em todo homem que nele crê. Por sua vez, o homem é capaz
de uma divinização porque foi criado à imagem
e semelhança de Deus. Quando a pessoa divina do Verbo assume
a carne humana não faz outra coisa a não ser desenvolver
a condição de divinização que está
no homem. O faz em virtude da sua condição divina, para
a glorificação do Pai, primeiro, para a sua glorificação,
em segundo lugar, e, em terceiro lugar, para a nossa glorificação.
Com isso, toda a criação, arrastada no processo de glorificação
da humanidade, que tem Cristo Jesus como Cabeça, glorifica
o seu Criador.
O sábio que escreveu Gn 1,26-28, na base de tudo aquilo que
o povo hebraico possuía de revelação divina,
seja pela reflexão sapiencial dos historiadores como pelos
pronunciamentos dos profetas, intuiu que o homem era "imagem
e semelhança de Deus". Seguindo essa intuição,
apresentou, antropomorficamente, Deus agindo na obra da criação,
como se fosse um ser humano pensando e querendo. Essas prerrogativas
nos permitem intuir a harmônica simbiose das duas naturezas,
a divina e a humana, na única Pessoa do Verbo encarnado. Nos
permitem entender como foi possível ao Verbo glorificar a humanidade
assumida, a ponto de torná-la plenamente participante da vida
divina. Nos permitem vislumbrar, enfim, as condições
altíssimas de participação do homem à
vida de Deus. Nessa participação nos distinguimos de
Jesus Cristo somente pelo fato que nós comungamos do Espírito
de forma adotiva, enquanto ele participa da vida divina como Filho
consubstancial ao Pai e ao Espírito.
Esse primeiro título messiânico que a primeira página
das Escrituras nos oferece, já nos lança na visão
da nossa condição definitiva. Enquanto antecede a própria
história do homem pecador, nos mostra todo o potencial de santificação
de que o homem é capaz e, enquanto já anuncia o que
será a humanidade em Jesus, nos mostra de que foi capaz a Redenção,
porque o nosso destino, em virtude da Morte de Cristo, é de
sermos, manifestamente, semelhantes a ele.
Quando o autor sagrado apresenta as regras de desenvolvimento do homem,
estamos em condição de ver à qual santidade podemos
chegar, se assumimos o homem Cristo Jesus como Caminho, porque ele
atuou em si, plenamente, as condições de dependência
criatural, pela obediência e caridade. O adão da criação,
o verdadeiro, não desafia o seu Criador (Jo 8,29 : "a
sua vontade faço sempre"), vive em contínua ação
de graças em espírito de piedade, e realiza a perfeita
caridade na doação de si aos seus irmãos. Estes
ensinamentos deveriam ser capazes de desvencilhar a nossa mente da
visão terrena que temos da nossa liberdade e do nosso destino.
Perguntas para uma reflexão:
1ª) Por que Jesus é o adão ideal?
2ª) Quais são as regras de desenvolvimento do homem que
Cristo Jesus nos ensina com o seu exemplo?
3ª) Qual é a primeira causa do desvio e da rebeldia do
homem?
Pe. Fernando Capra/CRSP |