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Graças infinitas te dou, porque existo em Ti... porque
Tu, meu Deus, quiseste ser meu Pai!
Pai, obrigada por tudo que me veio de Ti e que eu amo Tanto!
- Teus dias plenos de sol fecundo ou molhados de chuva produtiva...
O aconchego de tuas noites, quando lanças suavemente sobre
mim, nas tuas miríades de estrelas, o brilho de Teu terno
Olhar...
- Tuas árvores, acolhedoras na sua sombra repousante, tuas
árvores guardadoras dos pássaros e seus ninhos, guardadoras
da vida... A infinitude de tuas flores, teus frutos deliciosos,
tuas ervas benfazejas, teus fartos capinzais... a beleza de tuas
terras multicoloridas... tuas matas impotentes, densas, com seus
pássaros orquestrais!
As tuas montanhas, as que tive o deslumbramento de subir e aquelas
que admiro cá de baixo; especialmente a que atrás
da minha casa, encimada pela enorme pedra sob a forma de uma gota
invertida...
- Tuas pedras, Senhor, que lindas! Como me atrai olhá-las,
nas fachadas das casas de bom gosto ou nas ruas em que passo (aquelas
mesmo pequeninas, simplezinhas, piscando pra mim, brilhando fortemente,
como para chamar minha atenção para Ti, meu Pai...).
Tenho pena delas, ali amontoadas, cuja beleza vai ser sacrificada
no meio do cimento das construções é por isso
que tantas vezes recolho algumas para mim, pois... as tuas pedras
me fascinam tanto!
- Tuas praias belíssimas, teus mares profundos, calmos ou
revoltos (como quando dormias, Jesus, na barca agitada dos apóstolos,
pois só Tu tens o poder de aquietar as nossas tempestades!
Os mares em que pousei meus pés para a carícia de
suas ondinhas finais... ou em que ousei confiar-me, na formação
de tuas grandes ondas, a me embalar até o encontro com a
praia (a praia de Tua Promessa ancestral, do Teu prodigioso Amor!)
.
- Teus bichos, Senhor, tão interessantes e belos na tua infinita
diversidade! Falo especialmente daqueles do meu convívio
diário; que me festejam estrondosamente a cada chegada minha,
de perto ou de longe; que me agradecem a cada migalha que lhes dou,
pelo simples prazer de a receber (quando estão fartos); a
cada palavrinha que lhes dirijo, monossilábicas e sem sentido
que seja; a cada olhar que lhes dirige um ser humano, como eu o
faço... É incrível a reserva, inesgotável,
que eles têm e dão ao ser humano, mesmo recebendo o
contrário!
Te agradeço, Pai, pelos irmãos todos que me deste,
de todas as cores e nações do mundo, os que me antecederam
e os que me são contemporâneos, pois compartilho de
sua herança e lhes sou devedora:
- os que estudam os meios de me curar quando adoeço, física
ou psicologicamente;
- os que engendram maneiras de por o mundo ao meu alcance, pelas
comunicações, inspirando-me uma admiração
e um amor crescente pelo que fazem de bom e por Ti, Pai Criador;
- os que me fazem rir e chorar... pensar também, também
conhecer, através da sua arte cênica ou das outras
formas dela...
- os que tocam, com sua música, o meu coração
e a Ti me transportam...
- os que me ensinam e exortam...
- os que me apontam, especialmente, o Teu Caminho, e são
depositários da Tua Graça...
- os que, enfim, me provêm, direta ou indiretamente, de todas
as coisas necessárias ao meu quotidiano, à minha subsistência.
Paizinho!... Te agradeço, a todo o momento, tudo que me vem
de Tuas Mãos dadivosas e eternamente criadoras, pois delas
tudo e todos renascem a cada momento!... Só Te peço
que eu possa reconhecer-Te sempre, no caminho de retorno da minha
Emaús titubeante à Tua Plena Jerusalém!
Norma Gonçalves
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