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Visão cristã após a morte | NOVEMBRO

“É diante da morte que o enigma da condição humana atinge seu ponto mais alto". Em certo sentido, a morte corporal é natural; mas para a fé ela é na realidade "salário do pecado" (Rm 6, 23). E para os que morrem na graça de Cristo, é uma participação na morte do Senhor, a fim de poder participar também de sua ressurreição.

A morte é dolorosa como um fim de festa. Nossa dor seria diferente se compreendêssemos que fim não precisa significar negatividade, mas positividade. Ex: o estudante chega ao fim de seu curso e atinge seu objetivo; a mulher grávida que abraça o filhinho que acaba de nascer. Para o homem a morte é um fim plenitude e um fim meta alcançada.

A morte sendo o fim normal da vida, recorda-nos que temos um tempo limitado para realizar a nossa vida.

Graças a Cristo a morte cristã tem um sentido positivo. "Para mim, a vida é Cristo, e morrer é lucro" (Fi 1, 21). "Fiel é esta palavra: se com ele morremos, com ele viveremos" (2Tm 2, 11). A novidade essencial da morte cristã está nisto: pelo batismo o cristão já está sacramentalmente "morto com Cristo", para viver de uma vida nova; e se morrermos na graça de cristo, a morte física consuma este "morrer com cristo" e completa assim a nossa incorporação a ele no seu ato redentor.

A morte é o fim da peregrinação terrestre do homem, do tempo de graça e de misericórdia que Deus lhe oferece para realizar a sua vida terrestre segundo o projeto divino e para decidir o seu destino último. Quando tiver terminado "o único curso da nossa vida terrestre", não voltaremos mais a outras vidas terrestres. "Os homens devem morrer uma só vez; depois do que, há o julgamento" (Hs 9, 27). Não existe "reencarnação" depois da morte.

Na pessoa de Jesus ressuscitado Deus se revela aquele que ressuscita os mortos. Da mesma forma como ressuscitou Jesus Deus nos ressuscitará também. Toda a argumentação de São Paulo se baseia nessa fé (cf. 1Cor 6, 14; 1Cor 15, 12-18.20-22).
No momento da morte, a pessoa humana é aquela pessoa que se tornou tal pelo decorrer da própria vida.

No momento da morte, a pessoa humana conhece pela primeira vez todas as dimensões e influências de sua própria vida. A pessoa se encontra com Deus e julga sua própria vida vivida, a partir dos parâmetros do agir de Deus que são o amor e o perdão.

A morte não significa uma igualação global de todos os seres humanos. As pessoas na morte serão o que fizeram de si mesmas durante a própria vida.

Depois da morte, cada ser humano precisa de um processo de evolução para reunir e completar os fragmentos de sua própria vida. A doutrina católica propõe um passo à frente, um processo evolutivo qualitativamente chamado "Purgatório".

O Purgatório é o estado de purificação por que passam os que morrem na graça e na amizade de Deus, mas que não estão completamente purificados, embora tenham garantida a sua salvação eterna. A Igreja formulou a doutrina da fé relativa ao Purgatório, sobretudo no Concílio de Florença e de Trento. Fazendo referência a certos textos da Escritura (1Cor 3, 15: lPd 1, 7), a tradição da Igreja fala de um fogo purificador.

O Céu é o estado de perfeita união e comunhão com Deus. E a comunidade bem-aventurada de todos os que estão perfeitamente incorporados a Jesus. Este mistério de comunhão dos bem-aventurados com Deus e com os que estão em Cristo supera toda a compreensão e imaginação (1Cor 2, 9). A Escritura fala-nos dele em imagens: vida, luz, festa de casamento, vinho do Reino, casa do Pai, Jerusalém Celeste, Paraíso, etc.

O Inferno é o estado de auto-exclusão definitiva da comunhão com Deus e com os bem-aventurados. A pena principal do Inferno consiste na separação eterna de Deus, o Único em quem o homem pode ter a vida e a felicidade para as quais foi criado e às quais aspira.

Para ir para o Inferno é preciso uma aversão voluntária a Deus e persistir nela até o fim da vida.

"Caro salutis est cardo" ("A carne é o eixo da salvação"). Cremos em Deus que é o criador da carne; cremos no Verbo feito carne para redimir a carne; cremos na ressurreição da carne, consumação da criação e da redenção da carne.

Pe. Arthur do Couto Monteiro
 
 
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