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O HOMEM E O ESPÍRITO
O homem chega a existir pelo sopro de Deus que o torna alma vivente
(Gn 2,7). O Espírito, que paira sobre as águas (1,2),
dá vida ao homem de forma singular, porque o homem, único
entre todas as criaturas, é chamado a dominar sobre a criação
(1,26; 2,16s) e é responsabilizado pelos seus atos. A maneira
pela qual o homem chega à existência indica que o seu
espírito é inseparável da ação
do Espírito de Deus. Poderia acontecer, contudo, que o homem
degenere de tal forma, afastando-se sempre mais de Deus, a partir
da prática da idolatria e enveredando o caminho dos vícios,
que ele se torne "só carne" (Gn 6,3) e Deus decida
varrê-lo da face da terra. De fato, Deus, no seu amor, nunca
irá atuar dessa forma (o Dilúvio é só
um ensinamento daquilo que o homem, por si, merece e que Deus poderia
fazer com ele, fundamentado no castigo da deportação
para Babilônia que destruiu o povo de Israel ao ponto que,
se Deus não tivesse tido misericórdia, nem um Resto
sobreviveria) porque, a partir da culpa de Adão, já
pensa numa redenção que o Filho realizará na
condição de Cordeiro imolado (1Pd 1,19s). Em virtude
da Redenção, que se realiza na plenitude dos tempos,
Deus opera a salvação não retirando do homem
o seu "santo Espírito" (Sl 51,13), desde o início
da história da humanidade, e o sinal que ele suscita é
a Descendência prometida (Gn 3,15). A ação do
Espírito santo e santificador adquire sempre mais intensidade
quanto mais se aproxima o gesto do Verbo encarnado que o merecerá,
para toda a humanidade, de forma irrestrita. Se revela como espírito
de conselho em Moisés, espírito de fortaleza em Josué;
unge como reis a Saul e Davi; é espírito profético
em Elias, Eliseu, etc.; é espírito de entendimento
nos sábios; anuncia nas figuras do Messias contidas em Isaias,
tudo aquilo que irá atuar em Jesus, como confirma o próprio
Jesus ao anunciar a sua missão na sinagoga de Nazaré
(Lc 4, 16-19).
O Espírito está no homem como primícias Rm
8,23) e o conduz, na condição de nova criatura, ao
longo do seu crescimento. Por si, o homem não sabe o que
pedir a Deus, é o Espírito que intercede e o Pai tudo
nos dá porque o Espírito intercede segundo Deus (Rm
8,26s). Na força do Espírito, o homem, à semelhança
de Jesus no deserto, sabe resistir às tentações
que são a condição necessária, através
do superamento delas, para crescer na santidade (Tg 1,2.12). É
evidente que o Espírito só pode agir se dele continuamente
nos alimentamos meditando dia e noite a Palavra que sai da boca
de Deus (Sl 1,2s.; Ez 47,7; Mt, 4,4; Dt 8,3; Mt 4,7; Dt 6,16;Mt
4,10; Dt 6,13), e dele comungamos pela Eucaristia quando, devotamente
celebramos a Morte de Cristo que no-lo mereceu. A ação
do Espírito não é mágica, da mesma forma
que não podemos pretender, por uma mágica, fazê-lo
descer sobre nós. Ela é eficaz na proporção
em que o homem coopera, amando a Deus "de todo coração,
com toda a sua alma e com todas as suas forças" (Mt
22,37). O ponto de partida é o entendimento das Escrituras,
uma vez que elas codificaram a maneira pela qual o homem se relaciona
corretamente com Deus. Por ela descobre a sua natureza, a sua origem,
a grandeza do Criador, o caminho da sua realização,
a presença de Deus na História do homem, o ato da
Redenção, a vocação do redimido, o destino
eterno do homem. O entendimento bem atuado leva à visão
correta da condição do nosso ser dentro da criação
e do Plano que Deus tem sobre nós. Seremos, então
movidos pela motivação mais verdadeira que nos levará
a servir a Deus numa harmoniosa implementação da sua
Lei.
Perguntas para uma reflexão:
1a) Por que nossa vida está intimamente ligada ao Espírito?
2a) De que maneira o Espírito se revela agindo no A.T.?
3a) O que o Espírito nos revela pelas Escrituras?
Pe. Fernando Capra - CRSP
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