Mês das Vocações

Perguntamos se você já parou para pensar no significado de VOCAÇÕES, porque Agosto é o mês das vocações. É o mês que celebramos os dons dados por Deus àqueles escolhidos por Ele para conduzir o seu rebanho. Pe. Luiz Antonio bem nos explicou em uma homília que todos os pastores são vocacionados, concluindo que pastor é aquele que conduz, alimenta, protege, incentiva, ensina, organiza um grupo. Portanto aqueles que estão à frente da família ou do serviço pastoral, também são pastores, também são vocacionados.

O Papa Francisco disse que “As vocações nascem na oração e da oração; e somente na oração podem perseverar e dar fruto”. Oremos pelos nossos padres, nossos irmãos e irmãs consagradas, diáconos e por todos aqueles que de alguma forma, contribuem com a Igreja de Deus em sua missão de evangelizar a todos, apontando o Cristo, caminho único e seguro para a salvação.

Para bem celebrarmos a ocasião, dando ênfase às vocações sacerdotais, buscamos pesquisar e conversar com alguns dos nossos padres e irmãs consagradas, para conhecer o que moveu cada um (a) na direção do SIM dado incondicionalmente ao chamado de Deus.

Nessa edição vamos começar com o depoimento do Padre Miguel, recém-chegado a nossa paróquia, nascido no Chile e vindo de Buenos Aires, na Argentina.

 

Vale conferir.

 

Padre Miguel Ângelo Panes Villalobos

Pe. Miguel – Tenho quase 50 anos e 23 anos de sacerdócio, que serão completados em dezembro e novembro respectivamente.

Na minha paróquia eu sempre colaborava com a música, com o coral, servindo. Sempre fui muito inquieto, procurava estar ligado à cultura religiosa, então fazia cursos, seminários, e outras atividades, desde pequeno. E na época era a ditadura militar no Chile e a Igreja estava na defesa dos perseguidos, então era um exemplo muito forte para os jovens a defesa que a Igreja, com os padres, fazia em favor dos direitos humanos.

 

Como surgiu o seu chamado, sua vocação?

Pe. Miguel – Minha vocação foi despertada através de um padre Francês que morava no Chile e que com muita claridade, com muita segurança me fez a proposta de participar da orientação vocacional, que eu comecei com 16, 17 anos. Sempre participei de igreja desde pequeno, minha família era católica, minha mãe era muito participativa. Então comecei no seminário diocesano de Santiago do Chile, na capital, mas a providência de Deus me levou a um padre, um missionário italiano, barnabita, que era amigo de minha mãe; ele escreveu, comentou e me convidou para uma visita na casa dos Barnabitas. Ele foi a fazer a pesca, a me pescar, segundo as palavras do evangelho e comecei ai a caminhada com os Barnabitas.

Fiz o apostolado, no Chile e depois o noviciado; enviaram-me a Roma, para fazer Teologia e para me especializar depois em História da Igreja. Fiquei quase sete anos em Roma e foi uma experiência importante na minha vida. Comecei a querer caminhar pelo mundo. Eu era muito jovem e foi muito importante ficar no centro da Igreja em um local multicultural. Eu que antes, morava no fim do mundo, no Chile, local muito fechado, então essa época, foi um abrir os olhos e começar.

Depois fui ordenado Sacerdote e fiquei em um colégio nosso, no Chile, perto de Santiago, ao sul, numa paróquia campesina – agrária, o centro da produção do vinho, é hoje uma zona muito importante, muito rica. E assim foi a minha primeira experiência, com a gente do campo, com a escola.

Fiz a universidade civil, e sou professor de história e de geografia, fiquei mais ou menos 15 anos dando aula, nas escolas. Depois fui para a nossa paróquia Madre Divina Providência em Santiago, onde fica também o seminário e fiquei lá por cinco anos. Depois, uma proposta do padre geral daquele tempo, para que eu fosse para a Argentina, que estava ficando sem padres e havia uma necessidade enorme lá, pois as obras precisavam de muita ajuda.

A situação na Argentina é muito triste. Estamos fechando todas as casas, não vemos novas vocações lá, não tem padres e a última comunidade em que estive, em Buenos Aires, foi fechada. Eu fiquei sozinho todo o ano passado, pois um dos padres morreu e o outro que morava comigo está internado em um hospital. Trabalhando praticamente sozinho, veio à época da Jornada Mundial da Juventude, quando vim para o Brasil com 300 jovens. E mais uma vez a providência divina me mandou para o Loreto. Viajamos quatro dias de ônibus de Buenos Aires até aqui e a minha impressão foi magnífica, vendo aquela atividade viva da juventude, eu que sempre trabalhei muito com jovens.

Veio então à proposta do padre geral e do padre provincial, Pe. Paulo, meu companheiro em Roma, de vir para o Brasil. Eu pedi para vir para o Brasil e eles me mandaram para o Loreto. Esse é o resumo da minha vida, até aqui.

Cheguei em Janeiro, mas tive que voltar para fazer todas as práticas (cumprir os trâmites legais) para poder ficar aqui como residente. Já está tudo OK, já sou legal!

Estou fazendo a minha caminhada aqui, ainda devagar, tendo um choque não só térmico, por conta da temperatura, mas também cultural. A vida da igreja aqui é muito diferente, não só pela massividade, pelo número de pessoas e grupos que são muito grandes, mas também pela forma de se fazer pastoral no Brasil, que é diferente dos outros países, em relação à condução da parte dos leigos, e onde a presença dos leigos é muito grande.

Estou conhecendo a paróquia e me acostumando ao jeito de servir na pastoral, mas tenho que mudar ainda em muita coisa. Não tenho preconceitos, sempre fui muito aberto àquilo que é novo. Na Argentina e em Roma e outros diferentes lugares, é aqui que parece ser onde sinto mais liberdade para poder ficar com maior tranquilidade. Agradeço por poder estar aqui, no Rio, na Cidade Maravilhosa.

 

E a sua família, quando o senhor comentou com eles sobre ser Padre?

Pe. Miguel – Eles suspeitavam, pela minha proximidade com os padres, durante as celebrações, sobretudo, as vezes que eu sumia durante dias, pois ficava com as comunidades. Somos uma família pequena, fomos, pois minha mãe morreu ha dois meses atrás. Eram dois irmãos e meus pais, então foi um pouco difícil, sobretudo a separação dos primeiros anos, quando eu fui para Roma e eles ficaram em Santiago. Depois a vida foi estabilizando tudo e eles sempre foram muito generosos e puderam morar comigo em todos os lugares em que eu fiquei e assim conhecer um pouco da minha vida e compartilhar comigo desses momentos.

 

 

O Senhor irá trazê-los para cá também?

Pe. Miguel – Ficou lá apenas o meu pai que está muito doente, muito velho. Eu queria, mas é mais difícil. Entretanto, vamos ver o que está reservado.

 

Hoje, como o senhor percebe a juventude e as vocações na juventude?

Pe. Miguel – Há toda uma mudança cultural que torna mais difícil os compromissos, todos os tipos de compromissos, como o matrimônio ou até mesmo o namoro. Um compromisso mais sério se torna mais difícil que antes. Então pensar uma vida sem família, sem descendência é algo hoje, mais difícil ainda. Mas o número dos vocacionados, graças a Deus, no mundo, está aumentando. Tem lugares que faltam, mas tem lugares em que há muitos. Nesse último sábado, nós barnabitas, celebramos a ordenação de dez diáconos. A maioria são asiáticos, tem um daqui da nossa província, mas a multiculturalidade e o surgimento dessas vocações na Ásia e na África é muito forte. Nos países com maior riqueza isso tem se tornado mais difícil.

De qualquer forma, a presença dos jovens hoje nos movimentos é muito forte, então é meio que substituir a vocação sacerdotal ou religiosa por uma vocação no movimento, por uma consagração laical, consagração dos leigos. A força da igreja hoje, sobretudo, vem dos jovens estão com muito preparo e com muita disposição. Mas não podemos negar que há muita dificuldade também, como a idade dos padres que são mais velhos e nos falta compreender a realidade em que os jovens vivem. Impomos muitas vezes coisas que hoje é difícil se fazer, se para nós é difícil, que dirá para eles. Precisamos abrir nossas cabeças para poder assumir a nova realidade que hoje é acompanhar e iluminar o mundo. E poder aí, mostrar uma face alegre, também dos padres, porque estamos sempre muito fechados, cansados, para baixo e aí o jovem diz: “Ah, eu não quero ser como aquele padre, com raiva, que responde mal” e então, por ai, a culpa também é nossa quando não conseguimos despertar vocações pelo exemplo, como foi a minha.

 

O senhor tem pouco tempo aqui, mas já deu para conhecer um pouco do Rio e de nossa comunidade. Com o que acha que pode colaborar nessa questão das vocações, com a bagagem que você já tem?

Pe. Miguel – Acompanhando os jovens na direção espiritual, ficando perto das suas histórias, das suas dificuldades e realidades, e mostrar que fico contente por ser padre, que é bom ser padre. A nossa sensibilidade cultural é muito diferente, mas acho que o carioca abre muito o coração e aí podemos entrar. A figura do carioca, para mim, é aquela do Cristo Redentor com os braços abertos, mas também precisamos do abraço, não somente ficar com os braços abertos, de longe, sem poder acompanhar e ficar mais junto na caminhada. Além da questão do idioma é a mudança cultural que preciso fazer. Estou contente por estar aqui, e agradeço muito a vida, a Deus por poder fazer a minha experiência nessa comunidade. Cada dia tenho uma surpresa com os grupos, com a comunidade e graças a Deus posso acompanha-los no momento de dificuldades.

Temos muitos pecados, como todas as pessoas, mas acho que o mais grave seja a falta de Marketing, de Merchandising da nossa ordem Barnabita. Falamos pouco sobre nós. Temos Santo Antonio Maria Zaccaria, mas temos dificuldade de propor aos outros a nossa vida barnabita, o nosso carisma e somos assim em toda a parte. Trabalhamos muito, entretanto, não falamos nunca ou quase nunca sobre nossa vida e trabalho, como outras congregações e institutos que divulgam e tem seu jeito muito claro. Nós temos o pecado de omissão.

 

E o que mais o senhor gostaria de acrescentar?

Pe. Miguel – A oração é muito importante, mas a ação missionária também é. E não é uma crítica, mas sim o chamado do nosso Cardeal para a igreja carioca para a falta de ação missionária. O trabalho pastoral é grande, rezamos todos os dias. Toda hora temos grupos aqui na igreja, mas as nossas ações ficam muito fechadas em nós, em nosso quintal. Comecei agora a trabalhar junto ao EAC e vou procurar fazer essa missão, começando aqui perto de nós e depois quem sabe irmos a Amazônia e onde mais precisar. Vejo que falta a comunidade do Loreto a ação missionária.

A vocação é muito importante, mas é também muito central e vital poder anunciar e testemunhar Cristo aos outros. Graças a Deus aqui em nossa comunidade temos muita gente, mas ainda há aqueles que ficam fora dos nossos muros.

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HISTÓRICO DA PARÓQUIA

quem_somosPrezado leitor, querido paroquiano.

Sim. Agora podemos dizer que Nossa Senhora de Loreto é Patrona do nosso povo de Jacarepaguá há mais de 350 anos.

Quando o P. Manoel de Araujo veio de Lisboa, trouxe esta imagem e, tendo conseguido alguns favores por intercessão da Virgem, lhe dedicou um santuário. Conta o Frei Agostinho de Santa Maria no seu livro “Santuário Mariano e história das imagens milagrosas de Nossa Senhora” de 1723:

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HISTÓRICO DO SANTUÁRIO

hist_santuarioO Brasil, em colonização pelos portugueses, saía do Ciclo do Pau Brasil e ingressava no do Açúcar. Desenvolvia-se em terras litorâneas a construção de engenhos e fazia-se presente atividade febril nos meses de moagem da cana e fabrico de açúcar.

As terras de Jacarepaguá eram consideradas extremamente férteis e a região onde seria construída a Igreja do Loreto era denominada Planície dos Onze Engenhos...

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CEPAR

CeparO CEPAR (Centro de Estudos paroquial Nossa senhora de Loreto), inaugurado em Maio de 2000, uma área construída de cerca de 3000 m2, um complexo com 15 salas de aula cada uma com 30 lugares, um plenário para cerca de 120 participantes, um salão para festas e eventos abrigando 50 mesas redondas de 6 lugares, sem prejuízo da pista de dança e a varanda que circunda o salão pode abrigar 20 mesas redondas de 6 lugares,portanto, cerca de 420 pessoas podem desfrutar dos eventos no salão...

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HISTÓRICO DE NOSSA SENHORA DE LORETO

Historico N. Sra. LoretoNossa Senhora de Loreto

A ditosa casa de Nazaré, onde, após a saudação do Anjo à futura Mãe de Deus, o Verbo se fez Carne, foi transportada, segundo a tradição, para a cidade de Loreto, na Itália.

A Santa Casa de Loreto foi o primeiro santuário de porte internacional dedicado à Santíssima Virgem tendo sido, durante muitos séculos, o verdadeiro centro Mariano da Cristandade....

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