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| O Sentido do Pecado |
|MARÇO |
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Muitas pessoas hoje não têm noção do que
seja pecado, outras levantam dúvidas se ele de fato existe
e um grande número não sabe o procedimento que deve
adotar para se redimir.
A sociedade moderna vive uma fase de confusão em relação
ao pecado, mas isso não justifica o desrespeito aos valores
humanos e as omissões, que são gatilhos que desencadeiam
o pecado.
É preciso ficar bem claro que o pecado não ocupa o centro
da Revelação. No centro do Evangelho está a salvação,
a misericórdia e a graça de Deus. O pecado tem duas
características típicas. A primeira é a ofensa,
ou seja, uma relação destrutiva com algo ou, sobretudo,
com alguém. A outra é a falta, que tem a ver coma omissão,
isto é, algo que deveria ter sido feito de bom, de construtivo
ou para se corrigir uma injustiça. São coincidentes
os conceitos de crime com os de pecado. Por exemplo, as pessoas podem
ser imputadas por um crime, se são responsáveis por
aquilo que fizeram. Nesse sentido, para cometer o pecado elas têm
que saber que aquilo que estão fazendo é um mal, ter
consciência de que há um pecado e, finalmente fazê-lo.
" É um ato pelo qual a pessoa que praticou teve pleno
conhecimento e pode ser responsabilizado por ele".
Essa interpretação nos faz ver que deficientes mentais,
que não têm consciência de seus atos e sofrem cerceamentos
diferentes dos criminosos comuns quando praticam alguma infração,
não incorrem em pecado.
Já as crianças têm seu nível de consciência
e de vontade, portanto, praticam atos de bondade e eventualmente de
maldade.
Não podemos ser maniqueístas e considerar todos os adultos
maus e todas as crianças inocentes. É necessário
respeitar-se a consciência delas quando se confessam. "
Os pecados cometidos pelas crianças podem ser coisas pequenas
aos nossos olhos, mas para elas são um desafio moral importante
para seu crescimento".
O pecado está presente em todas religiões, às
vezes com denominações diferentes. Algumas religiões
costumam dizer que na religião delas não se considera
o pecado, mas se esquecem que o mal está presente em todos
os lugares. Ele ronda o coração humano, é universal,
antropológico, humano. A diferença entre o mal em geral
e o pecado em particular é que o primeiro a gente percebe quando
sofre e o outro quando cometemos o mal.
Na Igreja Católica, houve mudanças nos conceitos de
pecado. Se antes as pessoas consideravam pecado até mesmo varrer
a casa na Sexta-feira da Paixão, hoje o Novo Catecismo, valendo-se
de uma linguagem sóbria, define o que é essencial. As
Ciências Humanas, de um modo especial a Psicologia e a Psicanálise,
ajudaram a Igreja a entender melhor o que é responsabilidade,
liberdade interior e os condicionamentos.
Outra renovação na concepção de pecado
foi analisar a questão a partir do sujeito e não das
ações, inclusive nas objetividades delas, multiplicavam-se
os pecados, que muitas vezes eram meras tradições ou
costumes culturais.
O pecado venial é uma ofensa ou falta que cometemos e que produz
um certo enfraquecimento ao nosso vigor espiritual. Ele nos abate,
mas de uma forma leve e superficial. No caso do pecado mortal ou grave
é preciso de uma mão que venha de forma decidida para
nos erguer, pois ele nos derruba inteiramente. Aí entra a graça,
a ajuda de Deus por meio de outros, através dos sacramentos.
Deus perdoa tudo.
A confissão é a forma que a Igreja Católica oferece
para as pessoas que querem ser absolvidas de seus pecados. É
uma necessidade da própria pessoa, que quer se reconciliar,
colocar para fora o que a incomoda. Ao longo de seus dois mil anos
de existência, a instituição teve várias
formas de possibilitar a reconciliação dos fiéis
com Deus. Houve um período em que se estimulava mais a confissão
comunitária depois, passou-se a valorizar a forma individual
e hoje o que se vê é um retorno à forma comunitária.
No caso de pecado grave o ideal é que a confissão seja
individual, que permite uma conversa mais demorada e atenciosa do
padre. Ele recebe a pessoa, ouve o seu desabafo, aconselha-a a assumir
o propósito de mudar a atitude que o levava ao pecado e oferece-lhe
a misericórdia de Deus, absolvendo-a.
Deus perdoa todos os pecados. Quem, de maneira equivocada, interpreta
a Bíblia ao pé da letra costuma duvidar disso, já
que existe uma expressão muito forte de Jesus dizendo que o
pecado contra o Espírito Santo nunca será perdoado nem
agora nem no mundo vindouro.
É que essa é uma forma exortativa diante daqueles que
endurecem e decidem conscientemente, ir contra a verdade. Não
é que Deus não possa perdoar, mas fica impedido e respeita
a atitude dessas pessoas que não querem o perdão. Olhando
o Evangelho, a gente pode dizer que Jesus tratou os pecadores como
sendo enfermos que precisam ser cuidados. "é a melhor
forma para lidar evangelicamente com o pecador".
Eduardo Franco
Extraído da obra de Luiz Carlos Susin
Professor de Antropologia teológica da PUC de Porto Alegre.
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VEJA NESTE MÊS DE MARÇO/2002:
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