- Carta aos Romanos (11)
Gloriemo-nos na esperança (5,1-11)
A reflexão de Paulo sobre o Evangelho, “a Palavra de Deus que produz frutos no mundo inteiro” (Cl 1,6), o levou a explicar exaustivamente a gratuidade da justificação pela fé que temos em Jesus Cristo, que “foi entregue pelas nossas faltas e ressuscitado para a nossa justificação” (4,25). À semelhança de Abraão que acreditou, podemos, dessa forma, “dar glória a Deus” (4,20). Todavia, por Jesus Cristo que, ressuscitado, foi constituído, por Deus, Senhor da Igreja, podemos dar a Deus uma glória ainda maior, pela perseverança nas tribulações. Por estas, nos associamos à Vida que Cristo Jesus experimentou na sua Paixão. Isto nos abre a uma esperança que não será confundida porque, então, o Espírito Santo, que nos foi dado, infunde nos nossos corações a caridade na sua plenitude.
Daremos, então, glória a Deus, com alegria, numa contínua ação de graças por nos ter associado aos herdeiros da sua herança (Cl 1, 11s).
A dúplice glorificação que pode partir de cada fiel é motivada pela manifestação da Bondade de Deus que, na sua misericórdia, quando ainda éramos pecadores, entregou o seu Filho que, no seu amor, nos justificou no seu sangue. Esse Filho, na condição de Senhor da Igreja, quer promover a vida daqueles que se tornaram seus amigos (Jo 15,15) e quer levar consigo onde ele agora está.
Segundo a explicação acima exposta assim deveríamos ler Rm 5,1-5: “1Justificados, portanto, pela fé, tenhamos paz com Deus, pela ação de nosso Senhor Jesus Cristo, 2por quem obtivemos acesso, pela fé, a esta graça em que fomos situados, e, também, nos gloriamos na esperança da Glória de Deus. 3Não só, como também, nos gloriamos nas tribulações, cientes que a tribulação produz a paciência, 4a paciência a virtude comprovada, a virtude comprovada a esperança. 5A esperança não se confunde porque o amor de Deus terá sido efundido em nossos corações pelo Espírito Santo, que nos foi dado”.
Para Paulo, tudo é graça, porque fruto de uma iniciativa unilateral de Deus que, desde sempre, “por livre desígnio de sua vontade, quis nos tornar seus filhos adotivos, em Jesus Cristo” (Ef 1,5). Todavia, o fiel, para que o Plano de Deus se realize, deve desenvolver os dons do Espírito. Trata-se de um processo que Paulo descreve, em detalhes, em Cl 1,3-12. Dele, também, temos uma ilustração valiosa em 2Pd 1,3-10. Essa é a segunda maneira pela qual damos glória a Deus e que nos permite passar de uma primeira condição de fé a uma condição de fé mais perfeita (1,17). Ao nos abrir à esperança, estaremos merecendo a vida eterna, porque o Espírito Santo, então plenamente comunicado, nos terá associado à vida do Deus trino. Quando esta se manifestar, então, será a terceira condição pela qual daremos glória a Deus para sempre (Ef 1,12).
Rm 5,6-11, enquanto apresenta a Redenção como manifestação suprema do amor de Deus e de Jesus Cristo, é o fundamento da argumentação de Paulo. Se, justificados por Deus que nos amou ao entregar o seu Filho, somos salvos da ira, quanto mais alcançaremos a salvação pela vida que tivermos feito despontar em nós, ao nos associarmos aos sofrimentos de Cristo. Seremos, então, salvos, não somente porque reconciliados, como também na condição dos que se gloriaram porque associados à vida de Cristo na sua Paixão.
Perguntas para uma reflexão:
1ª) Qual é o processo que leva à perfeição a vida da graça (cfr. 5,3-5)?
2ª) Por que a perfeição da vida da graça nos dá maiores garantias de salvação?
3ª) De que mais se gloria o verdadeiro cristão?
Pe. Fernando Capra/CRSP
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