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- Apocalipse 2
Objetivo e Destinatários
O livro dirige-se às comunidades cristãs da Ásia Menor submetidas às perseguições em tempos de crise. Num momento de fraqueza sente-se ameaçada de morte por causa da perseguição que se abate sobre ela, duvidando de seu destino, pede algum tipo de consolação e de certeza sobre o futuro. É portanto para responder a essa expectativa que se ergue o autor do Apocalipse. Mais do que mergulhar nos mistérios do futuro, ele vai se preocupar em fazer compreender a provação por que passa a humanidade.
O livro é semelhante a uma carta de encorajamento na fé e na certeza de Cristo que jamais há de falhar. O autor rejeita o paganismo e mostra a incompatibilidade entre o bem e o mal, entre o espírito do Evangelho e o espírito deste mundo. Lembra que, apesar do sofrimento e da morte, deve-se continuar crendo e esperando a volta e a recompensa de Jesus.
Esta dura provação faz parte da vida de todos os que colocam sua esperança no Reino de Deus: “Eis que eu venho em breve, e trago comigo o salário para retribuir a cada um conforme e seu trabalho, Eu sou o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Princípio e o Fim. Felizes os que lavam suas vestes para terem poder sobre a árvore da Vida e para entrarem na Cidade pelas portas. Ficarão de fora os cães, os mágicos, os impudicos, os homicidas, os idólatras e todos os que amam ou praticam a mentira” (Ap 22,12-15).
João encoraja os cristãos das sete Igrejas, mostrando que a salvação se dá em meio ao sofrimento por causa do Evangelho.
Quem foge dessa realidade da cruz, vai perder a sua recompensa. “Um dos Anciãos tomou a palavra e disse-me: “Estes que estão trajados com vestes brancas, quem são e de onde vieram?” Eu lhe respondi: “Meu Senhor, és tu quem o sabes!” Ele, então, me explicou: “ Estes são os que vêm da grande tribulação: lavaram suas vestes e alvejaram-nas no sangue do Cordeiro” (Ap 7,13-14).
O objetivo do Apocalipse é mostrar a providência de Deus em ação na história; nascido em tempo de crise, inspirava esperança e confiança nos leitores. Podemos dizer, de modo geral, que a finalidade do Apocalipse era manter viva a esperança em Deus e lembrar aos homens que Deus detém o controle da história. Isto é reforçado com o pensamento da vida futura: o triunfo de Deus é absoluto, porque só num mundo em que a vontade é perfeitamente cumprida - o reino de Deus- é que a felicidade pode atingir a plenitude.
O livro do Apocalipse é simultaneamente declaração de fé cristã e manifesto contra o paganismo oficial de Roma. O autor é uma testemunha, e fala com a autoridade dos antigos profetas enviados por Deus, fazendo eco às suas palavras e imagens. Seu livro é um comentário das palavras de Jesus a seus discípulos: “No mundo tereis tribulações, mas tende coragem: eu venci o mundo” (Jo 16,33). O livro foi escrito para consolar e confortar os cristãos em meio à perseguição. (Ap 2,8-10.12s; 6,9-11; 7,14; 13,11; 17,6; 20,4).
Os leitores de Apocalipse que eram contemporâneos de João, e aos quais era, em primeiro lugar, destinado o livro, estavam em condições de entender perfeitamente o objetivo que presidira sua composição e as suas alusões veladas à situação contemporânea, bom como sua polêmica contra a religião do Estado.
Uma constante preocupação de Apocalipse é o destino dos mártires, prontamente reconhecível nas circunstâncias históricas do livro. Os leitores estão sendo encorajados a enfrentar violenta perseguição em que muitos deles podem encontrar a morte.
Assim, João se refere, repetidas vezes, à bem-aventurança dos mártires, e o faz de forma cada vez mais explicita.
O livro do Apocalipse pretende ser uma resposta às crises de fé provocadas pela perseguição, uma resposta na linha da tradição apocalíptica: com fé e esperança, deve se esperar a salvação e o juízo de Deus, convencidos de que o perseguidor cairá antes de conseguir destruir o povo de Deus.
O livro é destinado a reerguer e a robustecer o animo dos cristãos, escandalizados, sem dúvida, pelo fato de que uma perseguição tão violenta se tenha desencadeado contra a Igreja daquele que afirmara: “Não temais, Eu venci o mundo (Jo 16,33).
João define o seu livro como sendo uma profecia (1,3; 22,7.10.18s) e se coloca a si mesmo entre os profetas (22,9). O carisma da profecia estava bastante difundida na Igreja primitiva (At 11,27; 13,1s; 21,9; 1 Cor 12,28; 14,1-5.24s; Ef 2,20; 4,11).
A missão essencial e ordinária do profeta é, em geral, a de manter o povo fiel a Deus. Se, extraordinariamente, ele prevê e anuncia castigos ou restaurações, tais previsões visam apenas favorecer a sua missão presente: chamar o povo para o seu dever religioso. A missão ordinária do profeta no N T continua sendo sobretudo a de manter a coragem e o fervor dos cristãos.
As perseguições provenientes dos judeus e dos romanos, o culto dos imperadores, as heresias e sobretudo a ruína do templo com o aniquilamento político de Israel, podiam abater o ânimo das jovens comunidades: a constatação de que Deus tardava a intervir podia fazer-lhes desistir de todo esforço de resistência.
O perigo tremendo para os cristãos nas lutas é apenas o de se cansarem, de pactuarem, de se deixarem seduzir. Do começo ao fim do livro se inculca a virtude da constância, da paciência e da perseverança. A preocupação do profeta não é a de fazer conhecer como o mundo acabará, mas a de preparar os fiéis para a luta que se anuncia junto com a garantia da vitória. O horror que as ações da besta inspiram não deve produzir nenhum sentimento de angústia; também no meio da “grande tribulação” os fiéis devem conservar a paz interior, porque o triunfo de Cristo é certo, pois tudo está nas suas mãos e tudo depende das suas decisões. “Vi um cavalo branco, e quem montava nele tinha um arco: foi-lhe dada uma coroa e saiu como vencedor para vencer” (6,2).
Embora a “grande tribulação” se repita a cada momento da vida humana, o cristão tem o dever e o direito de ser otimista, por ter a garantia de que a Verdade, pela qual oferece a vida, o salvará.
Os cristãos sabem que um dia “Não terão mais fome nem sede, nem os molestará sol ou calor algum, porque o Cordeiro, que está no meio, diante do trono, será o seu pastor e os conduzirá às fontes de água viva, e Deus enxugará todas as lágrimas dos seus olhos” (7,16s cf. 21,4).
Continua
Jane do Tércio
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