APOCALIPSE (19) - O Cordeiro imolado
O Cordeiro é o ápice da Revelação que Jesus Cristo faz a João. O Apocalipse todo é permeado por essa figura, a partir da sua formulação implícita “que Deus a ele deu”, no prólogo, e que se refere a Ap 5,7, até à sua formulação explícita, feita por um dos sete anjos das sete taças, isto é da Morte de Cristo, celebrada pelos que estão sobre a abóbada de cristal, manchada de sangue: “Vem, vou mostrar-te a Esposa, a Mulher do Cordeiro” (21,9). Jesus, na condição de Cordeiro imolado vitorioso é a expressão, a mais alta, da glorificação à qual Deus Pai, no seu arcano desígnio, quer elevar a humanidade. João apresenta essa condição glorificada da Raiz de Davi mediante o Filho do Homem de Daniel, a Glória de Iahweh, sentado no trono do Pai: “Alguém sentado com a cor do jaspe e da cornalina” (4,3). É o Cordeiro com sete chifres repletos com os olhos do Espírito que perscrutam a terra, que recebe do Pai todo o poder e, quando se aproxima do trono, recebe o Livro da Vida, isto é o poder de julgar a todos os homens. É nessa condição que se revela a João quando lhe mostra de ser o Senhor das igrejas porque se, como tal, se apresenta na figura da Glória de Iahweh de Ezequiel, contudo, quando toca a João prostrado diante dele, lembra-lhe que ele é aquele que esteve morto, mas agora está vivo. Nessa condição de vítima imolada que, todavia, julga o mundo, se apresenta como a recompensa para todos aqueles que dão testemunho dele. Os mártires o seguem, cantando um canto novo. Isto significa que alcançaram a mesma sorte do Cordeiro, tendo lavado suas vestes no sangue dele, e podem participar plenamente da sua Glória. O Cordeiro é o esposo da Igreja. Por Ele, a Esposa conhece toda a Glória de Deus (Jo 17). A condição glorificada da Humanidade do Verbo, em virtude da sua imolação é o nome novo que Jesus recebe no momento em que o Pai o ressuscita. É a condição que o Cordeiro imolado participa aos que resistem até a morte no testemunho da Palavra e de Jesus Cristo diante dos tribunais da terra: o nome novo escrito na pedrinha branca que recebem daquele que é o Fiel e Verdadeiro de cuja boca sai uma espada afiada escrito naqueles que se tornaram colunas do Templo, da própria Nova Jerusalém, o nome do Senhor da Igreja; a condição de comer dos frutos da árvore da vida, do maná escondido, isto é do alimento que a Sabedoria dá somente aos seus servos; o reconhecimento de Jesus diante do Pai, herdando, assim, para sempre, a vida eterna.
O título de Cordeiro de Deus, na boca de João Batista, é também o ápice da revelação do A.T. Isaias já o tinha profetizado, João o repete, enquanto fala de Jesus como do Forte, Aquele que batiza no Espírito, o Filho de Deus. A profecia de João Batista tem sua plena realização na Cruz. Por ela, João evangelista retrata Jesus Cristo na condição de Cordeiro pascal, do qual não quebraram um osso sequer e que foi traspassado. Enquanto vemos João assumir esse quadro desde o início do Apocalipse, enquanto fala daquele que nos lavou com o seu sangue e que vê chegar sobre as nuvens do céu, enquanto olham para ele até aqueles que o traspassaram, podemos dizer que o Apocalipse é uma ilustração extensa da figura do Verbo encarnado que na Cruz se revela o Cordeiro imolado, o Templo, do qual jorra o Espírito (Ez 47).
O Cordeiro imolado que na Cruz se revela como verdadeiro Messias e, pela ressurreição, o Filho que deve subir ao Pai é aquele que João, desde a saudação professa, até segundo a sua Humanidade, plenamente participante da Vida Trinitária, que na visão do Senhor da Igreja é a realização do Filho do Homem de Ez e Dn, na visão da liturgia celeste, o Cordeiro imolado na Glória do Pai, e na visão final, que é a mesma visão da Liturgia celeste, focalizando a condição da Igreja celeste, é Aquele que está sentado no Trono com o Pai, enquanto, debaixo do trono sai o rio da água cor do cristal.
O Apocalipse quer conduzir os fiéis da Igreja a prestar o seu culto de adoração a Jesus Cristo e, por ele ao Pai, segundo o máximo da condição do mesmo como Mediador único: Aquele que torna a Humanidade, a habitação da Plenitude da Divindade para que os homens, por ele dando testemunho do Verdadeiro na fidelidade até a morte, participem da mesma, plenamente, por toda a eternidade.
Perguntas para uma reflexão:
1ª) Por que a figura do Cordeiro imolado é o ápice da revelação da Glória de Deus?
2ª) Em que consiste a riqueza da vida divina que o Cordeiro imolado participa aos que deram testemunho dele, na terra?
3ª) Quais são as figuras do AT que dizem respeito ao Cordeiro?
Pe. Fernando Capra/CRSP |