Meus caríssimos irmãos, antes de abordar o tema proposto para nossa reflexão, queremos de uma forma muito sucinta fazer um agradecimento. Embora para muitos a suas permanências entre nós tenha sido breve, estamos deveras agradecidos a Deus por nos ter oferecido esta oportunidade de conviver com os Padres Francisco e Sivonaldo. Pudemos admirar algumas das suas belezas, em especial, o zelo pela casa do Senhor, o cuidado com a Liturgia, a qualidade das celebrações, a atenção dispensada a todos os paroquianos desta ou de outras Comunidades, mas, sobretudo, pudemos verificar com profunda satisfação o sentido religioso e humano deste pequeno rebanho do Loreto, crescendo a cada dia em graça e conhecimento. Conservaremos no coração o eco do vosso entusiasmo em louva r a Jesus Cristo, da vossa piedade a Nossa Senhora, da vossa felicidade por estarmos juntos, e da alegria que vos anima a um renovado empenho no serviço do Reino dos Céus. Estamos profundamente gratos pelas gentilezas, pela amabilidade e pela nobre missão aqui desempenhada. Queremos exprimir o nosso afeto cordial a esses padres queridos, que sabiamente agem impulsionados pela Luz do Espírito Santo. Dirigimos este agradecimento em nome de cada um dos sacerdotes que aqui ficam, das religiosas e dos religiosos, dos catequistas, dos diversos movimentos desta Comunidade, que por mais humildes que sejam, constituem o povo de Deus, o santuário que tem como pedra angular, Jesus Cristo.
Queridos Padres, nunca se esqueçam da promessa do Senhor, “aquele que semeia em profusão, em profusão ceifará” (II Cor 9, 6). Coloquem sempre o bem do próximo acima de vós mesmos e certamente terão uma rica experiência com o Eterno. Trabalhem onde quer que estejam segundo as orientações da doutrina social da Igreja, sempre imbuídos e animados pelo Espírito do Senhor, ensinando aos homens que a grandeza de uma Comunidade, não se mede pela sua riqueza ou pelo seu poder, mas pela mútua solidariedade, da solicitude de cada um pelas necessidades do próximo, especialmente de quem é mais fraco e menos afortunado. Preguem incansavelmente o amor e o perdão, que são como chaves, mistérios da libertação; enfim, que exaustivamente e carinhosamente ensinem aos homens o valor da salvação, como sempre fizeram com muito afinco e amor, razão pela qual os amamos demais.
Hoje ao nos despedirmos, teremos nossos olhos embaçados, nossos corações tomados de saudade, mas convictos de que novas comunidades serão arrebanhadas, instruídas e formadas, pelas mensagens de cunho moral e espiritual, em especial, aos jovens, como também àqueles que perderam a esperança de dias melhores, este é o instrumento mais eficaz de humanização e personalização da sociedade. E para nós, resta a confiança um dia de vossos retornos, onde as mensagens de paz, fraternidade e amor, nos facilite a compreensão para a aplicação do bem comum. Com certeza, estarão gravados em nossos corações e na história da nossa caminhada de fé. O nosso muito obrigado por tudo e que Deus vos retribua com sua bênção!
Amados irmãos, agora retomando a reflexão, neste tempo especial de graças que é a Quaresma devemos aproveitar ao máximo para fazermos uma renovação espiritual em nossa vida. O Apóstolo São Paulo insistia: "Em nome de Cristo vos rogamos: “Reconciliai-vos com Deus!" (2 Cor 5, 20); Exortamo-vos a que não recebais a graça de Deus em vão. Pois Ele diz: Eu te ouvi no tempo favorável e te ajudei no dia da salvação (Is 49, 8). Agora é o tempo favorável, agora é o dia da salvação." (2 Cor 6, 1-2).
Podemos observar que Nosso Senhor e Salvador Jesus, cheio do Espírito Santo após o batismo no Jordão segue para o deserto onde fica por quarenta dias, orando e jejuando, para vencer as tentações do inimigo. Da mesma forma a Igreja nos ensina neste tempo a vencer as tentações de hoje, através da meditação, da oração do jejum, que são os verdadeiros antídotos contra o pecado. Esse é o sentido da Quaresma! E aí cabe um parênteses bem abrangente. Durante os anos em que o Padre Francisco esteve à frente da nossa Comunidade, quantas vezes vimos aquele homem sair de si mesmo, desdobrar-se sem medir esforços, derramando suas lágrimas pelos nossos pecados e pelas misérias de muitos, para nos ensinar através de suas pregações, testemunhos e de muitos aconselhamentos, a verdadeira direção espiritual para vivê-la com intensidade.
Queridos, sabemos como devemos viver, mas a verdade é que não temos força espiritual. E quantas vezes este promissor sacerdote, com profunda experiência e largueza de coração, mostrou-nos a importância da mortificação, não como valorização do sacrifício por ele mesmo, e de maneira masoquista, mas pelo fruto de conversão e fortalecimento espiritual que ele traz; é um meio, não um fim. É tempo para meditarmos profundamente a Bíblia, especialmente os Evangelhos, a vida dos Santos, viver a mortificação (abandonar a novela, deixar a bebida, cigarro, churrascos, a fofoca, alguma diversão, cortar alguns excessos) com a intenção de fortalecer o espírito para que possamos vencer as fraquezas da carne.
Quaresma é um tempo de rever a vida e abandonar o pecado (orgulho, vaidade, arrogância, prepotência, ganância, pornografia, sexo desenfreado, gula, ira, inveja, preguiça, mentira, entre outros.). Enfim, viver o que Jesus recomendou: "Vigiai e orai, para que não entreis em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca" (Mat 26, 41). Embora este seja um tempo de oração e penitência mais profundas, não deve ser um tempo de tristeza, ao contrário, pois a alma fica mais leve e feliz.
O prazer é satisfação do corpo, mas a alegria é a satisfação da alma. Santo Agostinho dizia que "o pecador não suporta nem a si mesmo", e que “os teus pecados são a tua tristeza; deixa que a santidade seja a tua alegria". A verdadeira alegria brota no bojo da virtude, da graça; então, a Quaresma nos traz um tempo de paz, alegria e felicidade, porque chegamos mais perto de Deus.
Para isso podemos fazer uma confissão bem feita; sem medo e sem receios de abrir o coração, na certeza de que seremos perdoados de todos os pecados. Não há graça maior do que ser perdoado por Deus, estar livre das misérias da alma e estar em paz com a consciência. Portanto, caso alguns de nós estejamos muito tempo sem confessar, temos na Quaresma uma graça especial de Deus para nos aproximarmos do confessor e entregar a Cristo nele representado, as nossas misérias.
Irmãos, por fim, uma prática muito recomendada pela Igreja durante a Quaresma, é participar da Via Sacra, recordando e meditando a Paixão de Cristo e todo o seu sofrimento para nos salvar. Isto certamente aumenta em nós o amor a Jesus. Não esqueçamos também que a Santa Missa é a prática de piedade mais importante da fé católica, e que dela devemos participar, se possível, todos os dias da Quaresma. Na Missa estamos diante do Calvário, o mesmo e único Calvário. A Igreja nos lembra que todas as vezes que participamos bem da Missa, torna-se presente a nossa redenção. Vivamos bem uma Santa e Abençoada Quaresma para então participarmos efetivamente da Páscoa do Senhor, enriquecendo a nossa alma com as suas graças extraordinárias; para que sejamos melhores e estejamos em perfeita e profunda comunhão com o Senhor.
Um forte abraço em todos,
Ricardo da Liturgia das 10h
ricardomoyses@globo.com
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