“A paz é fruto da justiça”
A campanha da fraternidade deste ano nos traz um difícil mas importantíssimo tema para refletirmos: Segurança Pública. O lema da campanha A paz é fruto da justiça desafia-nos a buscar a paz como conseqüência de uma sociedade justa, fraterna e inquieta frente a qualquer tipo de exclusão social existente em seu seio.
Qual o nosso papel nessa construção? Estamos realmente dispostos a contribuir decisivamente com o projeto de instaurar o Reino de Deus aqui na terra? Quais são as origens da violência cotidiana que vemos eclodir em nossa cidade, estado e país, em especial nas comunidades mais pobres onde as balas perdidas, normalmente, vitimam trabalhadores, homens, mulheres, crianças e jovens. Aliás, a nossa juventude é a mais atingida pela violência cotidiana do tráfico de drogas e da ausência do estado em construir uma política pública de segurança que não criminalize a pobreza e não paute a sua atuação no extermínio e no confronto, mas que gere oportunidades e inclusão social.
Jesus Cristo, também vitimado pela violência de sua época, permaneceu fiel à sua missão, mesmo quando a rejeição à sua mensagem o conduziu à morte de cruz. Sua coragem ao desafiar o sistema profundamente injusto de sua época conforme vemos no evangelho de São João capítulo 18 versículo 23 quando Jesus questiona o guarda romano que lhe dá uma bofetada por responder a uma pergunta do sumo sacerdote dizendo: “Se falei mal, prova-o, mas se falei bem, por que me bates?” é o exemplo que fica para que nós, seus seguidores, possamos questionar com a mesma coragem a injustiça da nossa sociedade. Nesse sentido, temos como ponto central de nossa atuação nessa campanha o questionamento do atual sistema penal brasileiro que não educa e insere, mas apenas pune despertando o nefasto e prejudicial sentimento de “vingança” que reduz, cada vez mais, a necessária construção da justiça.
Os desafios são grandes, mas a nossa fé cristã nos impõe um compromisso: fazermos a construção do Reino aqui e agora através da nossa atitude em casa, no trabalho, na universidade e em nossa vizinhança. O material da campanha construído pela CNBB serve como um importante guia que, juntamente com o Evangelho e os documentos da Igreja como o documento de Aparecida auxilia-nos nessa difícil, mas não impossível, caminhada rumo à realização desse projeto de Deus.
Sei que muitos podem achar complicado, ou até mesmo inatingível, o objetivo dessa campanha. Para esses, eu encerro esse artigo com os versos de Mário Quintana: “Se as coisas são inatingíveis... ora! / Não é motivo para não querê-las... / Que tristes os caminhos, se não fora / A mágica presença das estrelas!”
Um grande abraço, a Paz de Cristo e vamos colocar sempre o “Bem Comum acima de tudo”.
Robson Leite
www.robsonleite.com.br
Email: feepolitica@terra.com.br
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