O “amor no Espírito” (Cl 1,3-12)
O “AMOR NO ESPÍRITO” é a forma pela qual São Paulo define a vida cristã que deve chegar à sua plenitude pelo cultivo da Fé, Caridade e Esperança. A partir do momento em que o Espírito é derramado no coração do fiel porque, pela constância nas tribulações, se abre a uma esperança que não será confundida, o fiel terá chegado então a uma vida de comunhão com Deus na qual quem age por ele é o próprio Cristo Jesus. Na potência do Espírito, o próprio Cristo Jesus operará com eficaz energia para que o fiel produza sempre mais frutos. Nas tribulações, o fiel se alegrará porque verá que a vida de Cristo Jesus desabrocha nele.
Enfim, exultará numa ação de graças ao Pai porque o tornou capaz “de participar da herança dos santos na luz” (v.14).
A vida de Cristo foi semeada no fiel a partir do momento em que ele escutou o anúncio da Boa Nova, a Palavra da Verdade, o “sacramento do Espírito” que o moveu à conversão. Pelo Batismo que se seguiu, o fiel ressuscitou com Cristo para uma vida nova: uma vida de Fé, de Caridade e de Esperança. A Fé desenvolve-se pelo cultivo dos dons do Espírito, a partir do entendimento.
Através da compreensão sempre mais profunda do Mistério de Deus que é Cristo, fazendo habitar em si a Palavra de forma sempre mais abundante, o fiel adquire o discernimento espiritual, se torna capaz do testemunho, recebe o dom da ciência, vive o espírito de piedade e vê despontar em si uma vida de temor de Deus, princípio da sabedoria. A caridade é promovida pelo serviço na Igreja, segundo a específica vocação de cada membro, em vista do anúncio do Evangelho para que mais filhos surjam na Igreja, pela conversão. A esperança é fruto de uma perseverança nas provações até promover a virtude da constância. Quando as três virtudes são promovidas, então o Espírito Santo é derramado e se torna penhor de salvação.
A partir do momento em que o Espírito toma conta do fiel, este não é mais ele que vive, mas é Cristo que vive nele (Gl 2, Jo 15), Aquele que o amou e por ele se entregou. Essa condição perfeita de vida cristã leva o fiel a um sempre mais profundo conhecimento de Deus, enquanto possibilita nele a manifestação da eficaz energia do Espírito de Cristo Jesus ao qual está unido como um ramo à videira. Produz muito fruto. São Paulo lembra essa ação do Espírito de Cristo Jesus nele em 1Tss 1,5, quando fala da sua pregação aos tessalonicenses: “O nosso evangelho vos foi pregado não somente com palavras, mas com grande eficácia do Espírito Santo e com toda convicção”.
O mesmo Espírito que, segundo a Fé, leva à sabedoria e, segundo a Caridade, leva à eficácia e convicção que produzem frutos de conversão, segundo a Esperança faz despontar a Vida de Cristo no fiel que com “constância e longanimidade” persevera nas tribulações, porque, por elas reconhece que está associado à agonia de Cristo. O sinal desse processo místico é a alegria, que Paulo enumera entre os frutos do Espírito (Gl 5,24).
O fiel que experimenta essa condição de vida em si chega à certeza de que será considerado entre os co-herdeiros de Cristo.
No seu coração brota uma incessante ação de graças enquanto contempla o grandioso Plano de Deus que, por livre decisão de sua vontade quis recapitular todas as coisas em Cristo e que enviou o Filho ao mundo. Este, realizada a redenção, estabeleceu o Reino do Pai, do qual nos tornamos co-herdeiros “se sofrermos com ele para sermos com ele glorificados” (Rm 8,).
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