APOCALIPSE (7) - Endereço (1,4-8)
Pela saudação inicial conhecemos o nome do autor do livro profético que, em primeira pessoa, se apresenta enquanto dirige a sua mensagem sob forma de Carta endereçada às sete igrejas que estão na Ásia. Pelo fato que o Apocalipse foi escrito no ano 96 d.C. e que a Carta é dirigida às igrejas da Ásia; pelo fato, também, que o autor se apresenta como “irmão e companheiro na tribulação, na realeza e na perseverança em Jesus” (1,9), entendemos que ela é motivada pelas condições da perseguição provocada pelo imperador Domiciano (95 d.C.). Todavia, o intuito de João vai além das circunstâncias. Ele quer, sobretudo, promover a perseverança no testemunho de Jesus Cristo por parte de toda e cada igreja local, que vive no mundo, mas que nunca pode ser do mundo. O número sete é simbólico e indica a totalidade das igrejas.
A saudação inicial se estrutura em três blocos: I) o hino a Jesus Cristo; II) o grito de alerta; III) a proclamação da grandeza daquele que tudo domina.
I) O hino a Jesus Cristo proclama o amor nupcial do Senhor da Igreja que com seu sangue lavou a sua Esposa para que reine com ele como povo sacerdotal. O amor de Cristo é a manifestação gloriosa do Poder de Deus, d´Aquele que é, que era e que vem. Pela sua imolação, Jesus se torna: a) “a Testemunha fiel”: título eminentemente divino. Deus é, por si, a “Testemunha fiel” porque ele é o Verdadeiro. Nessa condição, Jesus declara de si mesmo que veio ao mundo “para dar testemunho da verdade” (Jo 18,37) porque ele proclama: “Falamos do que sabemos e damos testemunho do que vimos” (Jo 3,11.32). São Paulo, contudo, diz que “Cristo Jesus... deu testemunho diante de Pôncio Pilatos numa bela profissão de fé” (1Tm 6,13). Nesse sentido se torna modelo para os cristãos chamados a dar testemunho diante dos tribunais e dos reis da terra. O cristão, então, encontra a sua confiança em Deus ao considerar o poder de Deus que se manifestou na ressurreição daquele que perdeu a vida por causa do testemunho da Verdade. b) “O Primogênito dos mortos”: Jesus é assim contemplado em virtude da sua ressurreição de sua Morte redentora (Cl 1,18), que faz de nós a estirpe dos filhos de Deus. Assim se define o próprio Jesus (Ap 1,18). c) “O Príncipe dos reis da terra”: Aquele que é destinado a dominar com cetro de ferro as nações porque é o “Rei dos reis e Senhor dos senhores (Ap 19,16).
II) O grito de alerta que anuncia a sua vinda na condição de Filho do Homem que vem sobre as nuvens, ressoa como uma exortação a todas as igrejas para que esperem confiantes o seu Esposo, que virá muito em breve. Virá com poder e glória “para retribuir a cada um conforme o seu trabalho” (22,12). Então vingará os seus mártires.
III) A auto-proclamação que Deus faz de si mostra que Jesus Cristo é a manifestação de todo o Poder de Deus. Os mesmos títulos devem ser atribuídos ao Pai, porque ele é Deus, e a Jesus Cristo porque ele é a expressão do seu Ser (Hb 1,3).
Sob a égide de tanto Deus que tem a sua manifestação na ação de Jesus Cristo e do Espírito que o acompanha, as igrejas são chamadas a viver, confiantes, o seu testemunho no mundo.
Perguntas para uma reflexão:
1ª) Qual é o intuito do livro profético de João?
2ª) Quais são os blocos segundo os quais se divide a saudação inicial?
3ª) Quem é Jesus Cristo em relação a Deus Pai?
Pe. Fernando Capra/CRSP |