Cristologia (17) - O Templo
O templo era uma construção que os pagãos erigiam, em honra dos seus deuses enquanto Israel conheceu, primeiramente, a Tenda da reunião, sacramento da presença de Deus no meio do seu povo. Distinguia-se das outras tendas, mas era, ao mesmo tempo, uma entre as muitas tendas do acampamento.
É segundo essa figura original, pela qual Deus significava a sua presença no meio do seu povo, que devemos pensar em Jesus como Templo. De fato ele é o Verbo que coloca a sua Tenda no meio de nós. É presença santificante que, contudo, não tira a individualidade das tendas que o circundam. (Ex 40,16-21.34-38: é levantada no primeiro dia do primeiro mês do segundo ano. O seu levantamento estabelece um pacto entre Deus e o seu povo. O Santuário é encoberto pela tenda. Nele está a Arca. A Glória de Iahweh envolve a Tenda). É pela combinação das duas figuras, da tenda e do povo com o qual Jesus forma um só corpo, que chegamos à figura do Templo do qual Jesus é a Pedra viva sobre a qual somos edificados (Cl 2,6), tornados, nós mesmos, pedras vivas (1Pd 2,5), em virtude do Espírito que Jesus nos comunica, como videira, da qual somos os ramos (Jo 15,1).
Aquele em quem "habita corporalmente a Plenitude da divindade" (Cl 2,9), em virtude da sua imolação, é o Templo do qual jorra a água da vida (Jo 7,37-39), realização da profecia de Ezequiel: "Vi ali água que escorria de sob o limiar do Templo para o lado do oriente, pois a frente do Templo dava para o oriente. A água escorria de sob o lado direito do Templo, do sul do altar. (Ez 47,1). A figura de Ezequiel revela que a água é figura do Espírito que vivifica as águas mortas e faz prosperar as árvores que surgem nos ribeiros, fruto do sacrifício imolado no Altar do Templo. Vivificados, formamos com ele o povo dos adoradores em Espírito e Verdade que o Pai procura (Jo 4,23).
A construção do templo de Salomão, além de manter as características do simbolismo da tenda no deserto, acrescenta o conceito de Cristo que age nele como Rei-sacerdote, ao qual se une o povo na celebração litúrgica do culto a Deus (1Rs 6-8): o templo é uma realidade preciosa; nele estão os adoradores do Deus verdadeiro; a presença divina é manifestada pela Nuvem que o envolve.
Enquanto o templo terreno pode ser profanado seja pela idolatria, como pela cupidez do ouro, o Templo que está no céu e que Jesus consagra com a sua morte (Jo 2; Ap 15-16), será habitado somente por aqueles que lavaram suas vestes no sangue do Cordeiro (Ap 22,14)
Deus estará todo em todos e a Glória de Deus que se manifestava na Tenda ou no Templo da terra, será contemplada pelos santos na face de Nosso Senhor Jesus Cristo. O templo será Cristo Jesus, o Verbo eterno que vive, para sempre, na humanidade, assumida pela Encarnação e glorificada pela Ressurreição, e nós seremos suas pedras vivas: "22Não vi nenhum templo nela, pois o seu templo é o Senhor, o Deus todo-poderoso, e o Cordeiro" (Ap 21,22).
Também, aqui na terra, dessa forma, podemos entender como, pela liturgia, pela Escritura e pela vida, já podemos ver a Deus e conhecê-lo (Jesus ressuscitado, o Espírito e, pelo Espírito de Jesus ressuscitado, o Pai), nos tornando, assim, morada da Ssma. Trindade (Jo 14,23), os adoradores que o Pai procura.
"Deus de Israel, tu és o meu Deus. A ti procuro. Minha alma tem sede de ti, minha carne desfalece por ti na terra seca e sedenta, sem água. Por isso te contemplo no Templo, para ver teu Poder e tua Glória" (Sl 63,2s).
Perguntas para uma reflexão:
1ª) De que forma estamos relacionados a Cristo que colocou a sua Tenda entre nós?
2ª) Qual é a figura do Espírito que nos é dado pela água que sai do lado aberto de Cristo?
3ª) Por que a Liturgia dominical nos torna adoradores em Espírito e Verdade?
Pe. Fernando Capra/CRSP |