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A Igreja Católica escolheu a Amazônia para tema da Campanha da Fraternidade em 2007, para que a sociedade possa discutir a presença de estrangeiros na Amazônia e o avanço da fronteira agrícola sobre a floresta, entre outras questões polêmicas relacionadas à região. - Todos têm uma consciência vaga sobre os problemas que a Amazônia enfrenta, mas a sociedade brasileira não discute essas questões de forma suficiente. A Campanha da Fraternidade deste ano aproveita o momento de intenso debate sobre aquecimento global e chama a sociedade brasileira para sua respon-sabilidade com a Amazônia - disse Dom Odilo Scherer, em entrevista na sede da entidade, em Brasília, o Cardeal Geraldo Majella criticou o avanço indiscriminado da fronteira agrícola sobre a floresta amazônica e destacou a necessidade de o governo brasileiro discutir novas fórmulas de exploração econômica da região. Segundo o presidente da CNBB, a economia do país se beneficia com os lucros de uma produção agrícola que "engole pedaços da floresta" ano a ano, mas não transfere esses ganhos para as populações locais.
- Há uma exploração voltada para o lucro, o benefício privado, e isso não leva em conta que a Amazônia é um patrimônio da humanidade. A exploração agropecuária pode ser muito lucrativa para os fazendeiros, para o próprio país, mas deixa populações inteiras à margem desses benefícios - argumentou Dom Majella.
Durante toda a campanha a Igreja recolherá doações para um fundo de assistência à população pobre da região amazônica.
Um dos graves problemas da região é o tráfico de drogas que avança nas trilhas sem controle da lei.
A fragilidade dos órgãos oficiais de segurança, no controle dos 1644 quilômetros de fronteiras brasileiras na região Norte, tem contribuído decisivamente para aumentar a importância da Amazônia como rota do tráfico internacional de drogas.
Pressionado pela fiscalização, ainda que modesta, em portos e rodovias da região Sudeste e Sul, o tráfico tem encontrado na floresta uma via preciosa e cada vez mais usada para acesso ao país, nos últimos dez anos.
O narcotráfico se integrou a comunidades interioranas na região Norte, e o que se vê, hoje, são cidades pequenas crescendo sob a influên-cia do dinheiro da cocaína. Não só a movimen-tação financeira, mas o consumo elevado de energia e até a presença de grandes fábricas de carvão nestas pequenas cidades servem de indicativo para presença do narcotráfico, diz a geógrafa Lia Osório Machado, da Universida-de Federal do Rio de Janeiro, especializada em economia na região. Se não existe uma produção industrial correspondente, é sinal forte da presença de laboratórios para o processamento da droga.
A cidade de Tabatinga é conhecido centro de comércio da pasta de coca e junto com o município de Cruzeiro do Sul, no Acre, forma um corredor que transporta a pasta de droga produzida no Peru para os laboratórios de refino na Colômbia.
Do JB
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