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Loretando |MARÇO


Indignados

Indignados!!! Estamos todos indignados!!! Esta é a expressão da hora. Indignação geral, mas até quando vamos somente ficar indignados? Até quando vamos assistir as nossas famílias serem dizimadas pela violência e nos limitarmos a ficar "indignados"? Até quando?

Nesta semana em que escrevo este artigo, foi a missa de sétimo dia do menino Joãozinho, morto por assaltantes, pendurado do lado de fora do carro da mãe. Mais ou menos há um mês atrás foi uma família inteira queimada dentro do carro em São Paulo.
Ficamos indignados. Noutro dia foi outra criança, noutro, outra família e assim vai. Ficamos sempre indignados. Resolve, ficar indignados? Será que nossa atuação na sociedade é apenas a de ficar indignados?

Ouvi da presidente do Supremo Tribunal Federal que, não podemos tomar decisões sobre mudanças no código penal quando estamos sob fortes emoções, isso logo após a morte do menino João. No dia seguinte também não era um bom dia para tomar decisões porque em outro assalto no Rio matou um senhor que carregava quatro crianças no carro. Tô começando a achar que eles vão botar a culpa nos carros.

Devido a fortes emoções não podemos mudar o código penal que, ao mesmo tempo em que se dá 30 anos de cadeia para um assassino, diz também que se ele ficar bonzinho pode cumprir apenas 1/6 da pena, ou seja: 5 anos. Se ele continuar bonzinho tem direito a passar o dia na rua assaltando e matando e voltando para a cadeia para dormir. Nesse ritmo, se ele continuar bonzinho a sociedade vai ter que pedir desculpas por tê-lo preso pelo crime que cometeu.

Tá indignado? É assim, a grosso modo, que a coisa funciona. E quem decide sobre isso é aquela coisinha que o meu vizinho de coluna, Robson, passa o ano inteiro discutindo; POLÍTICA. Nome feio esse, mas são nossos políticos, aqueles que de quatro em quatro anos nós somos obrigados a escolher, que decidem sobre nossas vidas diante da violência.

Desculpe gente, eu sei que aqui não é exatamente o local para se discutir esse assunto, mas não há como dar tapinhas nas costas dos pais do menino morto e dizer: estamos indignados... É preciso fazer mais. Não estou falando em pena de morte, estou falando em pena justa. Pois aqui, pela constituição, um preso não pode ficar mais de um ano preso num regime severo de vigilância. Quem escreveu isso? Você sabe? Nem eu, mas está lá.

Nós da sociedade civil precisamos deixar de ficar indignados para ficar participativos. Não apenas nos preocupar com os assassinos de hoje, precisamos nos antecipar aos possíveis delinqüentes de amanhã. Quando a igreja fala dos excessos na educação sexual da juventude, muitos torcem o nariz, mas são os filhos dessas famílias nascidas do nada, onde pais e mães não reconhecem seus próprios filhos, é que estão no mundo, jogados de um lado para o outro. Julgamos que basta rejeitá-los para resolver o problema, eles crescem sem nenhuma estrutura familiar e deixam de ser os moleques que vendem balas no sinal para serem os monstros que matam crianças como o Joãozinho e tantos outros.

Precisamos de muita oração sim, mais também precisamos de ação, precisamos agir enquanto podemos. Nossa juventude está indo embora pelo ralo e pouco podemos fazer. Não sou eu a pessoa ideal para falar sobre isso, mas creio que neste país haja cabeças pensantes o suficiente para dar norte a nossa sociedade. Deixar o Cristo nos envolver apenas nos velórios é muito pouco, precisamos de muito mais, precisamos estar em Cristo sempre para nos iluminar no dia a dia e nos dar capacidade de gerenciar esse momento tão difícil de nossa sociedade.

P.S. Não é preciso ter filhos para entender a dor dessas famílias.

P.S. do P.S. Mas é preciso ter muita fé em Deus para superar essa mesma dor, que dói em todos nós com a mesma intensidade.

Paulo Sobrinho e Solange
(loretando@oi.com.br)

 
 
 

VEJA NO MÊS DE MARÇO/2007:


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