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Dia Internacional da Mulher |MARÇO


Chamêmo-las com nomes fictícios. Maria José é nordestina, mas veio para o Rio de Janeiro há muitos anos, instalando-se na parte alta da favela da Rocinha. O marido foi-se embora já faz muito tempo, deixando-a sozinha com quatro filhos pequenos. A estes, Maria José vem criando com sua magra remuneração de diarista que faz faxinas em casas abastadas de bairros da Zona Sul.
Hoje, os mais velhos já a ajudam a tomar conta dos menores e a manter limpo, dentro do possível, o barraco onde reina uma impossível harmonia.

No fim da tarde, voltando do trabalho, Maria José prepara a única refeição do dia para a família e sai para visitar outras casas. Ali, coordena círculos bíblicos onde procura ajudar seus vizinhos a fazer uma síntese de fé entre a vida e o Deus que deseja iluminar suas existências tão ameaçadas e oprimidas. Passa sem temor, com o terço na mão, em meio ao arsenal de armas que cruza a favela. Muitas vezes já teve de esconder-se rapidamente na casa de um conhecido para fugir de tiroteios que deixam um rastro mortal de sangue. Maria José confia em que nada lhe acontecerá. Nossa Senhora, de quem é muito devota, a protege.
E no dia 31 de maio sua maior alegria é preparar a missa da coroação de Maria na capela de baixo. Seu rosto radiante, cantando e rezando, mostra que sua vida tão ameaçada está plantada sobre uma Rocha inabalável, que lhe dá forças para enfrentar qualquer perigo.

Cláudia é médica infectologista, com formação em psicopedagogia. Todas as manhãs levanta-se bem cedo e, depois de preparar o café para a mãe idosa com quem reside, sai para cuidar de crianças cancerosas e aidéticas em estado terminal.
Seu dia se passa entre uma e outra agonia, uma e outra morte, uma e outra tentativa de ajudar a reverter um quadro letal, de dar tratamento, cuidado e carinho a pequenas criaturas que apenas começaram a viver e já devem enfrentar o fantasma muito real da morte. Muitas vezes seu trabalho tem sido ajudar crianças e familiares a aceitar o inevitável, preparar-se para o momento que não pode mais ser adiado e fazê-lo com paz, serenidade, apesar da dor. Sua intimidade com o sofrimento humano não enrijeceu sua personalidade nem a tomou dura e amarga. Pelo contrário, são olhos, palavras e braços carregados de carinho que seus pequenos doentes encontram nessa doutora diferente das outras.

No fim do dia, ou depois do plantão noturno, Cláudia vai à paróquia perto de sua casa participar da eucaristia. Ali reencontra forças para recomeçar a cada dia seu embate contra a morte. Ali faz de novo a oferta de sua vida de mulher ainda jovem que escolheu não constituir família para consagrar-se como leiga e profissional da saúde a serviço das crianças em estado terminal. No misterioso e íntimo diálogo com Aquele que um dia a chamou para essa vocação, Cláudia experimenta sua vida grávida de sentido.

Rosa é gaúcha. Veste-se com simplicidade elegante, não dispensando sequer pequenos brincos nas orelhas. Advogada formada e pós-graduada, dedica-se sobretudo à causa dos migrantes e refugiados de todo tipo. Vai localizá-los nas prisões onde, às vezes, se encontram em estado deplorável para poder dar notícias a suas famílias. Trata de conseguir vistos e papéis para ajudá-los a voltar a seu país de origem, onde tantos e tantas os esperam. Dá mil telefonemas e faz mil visitas ao dia a fim de conseguir abrigo para muitos que batem à sua porta sem ter para onde ir nem onde ficar. Muitas vezes os abriga em sua própria casa, pequena e simples, onde vive com outras mulheres dedicadas, como ela, à mesma causa.

O segredo do discreto sorriso, da alegria permanente e pacífica da atividade de Rosa está em uma pequena corrente de prata pendurada a seu pescoço. Dela pende uma cruz que a identifica, como religiosa consagrada pelos votos de pobreza, castidade e obediência e membro de uma congregação religiosa que envia missionários pelo mundo inteiro com a missão de dedicar-se aos migrantes e refugiados. Ao despertar e antes de deitar-se, Rosa ajoelha-se diante do sacrário para dialogar com seu Senhor. A lâmpada vermelha que "denuncia" a presença real e misteriosa atrai seu olhar e a faz sentir que ali está seu último refúgio, que é também abrigo dos refugiados com quem trabalha.

No Dia Internacional da Mulher, cantemos a elas. Celebremos essas mulheres anônimas que dão suas vidas dia-a-dia para que o mundo seja mais humano e o viver mais suportável. Cantemos àquelas que, no mundo inteiro, respondem ao chamado de dedicar-se aos outros gratuitamente, tendo como única recompensa o amor e a graça de Deus e o seguimento de seu Filho Jesus Cristo.

Mana Clara Lucchetd Bingemer do JB

 
 
 

VEJA NO MÊS DE MARÇO/2007:


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Você está satisfeito com a Saúde Pública do nosso país?
Você só fica lamentando.
Você participa de campanhas como as redes sociais. envia emails para as autoridades, recla-mando da situação, enacaminha emails para sua agenda? Enfim, toma alguma atitude?
Você trabalha em silêncio fazendo o que pode para servir seu irmão?

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