"É de Deus que vem a nossa capacidade" 2Cor3,5
Jesus propôs esta parábola em resposta a uma pergunta que lhe foi
feita por um doutor da Lei ( Lc 10,29): "Quem é meu próximo?".
Às
vezes, temos medo de sair perdendo quando precisamos mudar para uma situação
nova. Todavia, para ganhar e para crescer, também é preciso perder
e saber perder. É um jeito de merecer, de dar lugar para a coisa nova aparecer.
Aqui
na terra todos somos ligados uns aos outros no bem e no mal, no trigo e no joio
-. Vocês se lembram da história da "ratoeira"? ( Publicada
no mês de janeiro/2006) fazemos parte da grande caminhada da humanidade;
sintonizado comigo, com o próximo e com Deus, faço brotar vida nova.
É isso que Jesus chama construir o Reino de Deus.
Onde se situa,
então, o Reino de Deus? Está no meio de nós? Sejamos vigilantes
e observadores a esta interpelação e à resposta que damos
na oração eucarística, aos domingos.
Jesus chamou
e chama a todos nós, que optamos ser seus seguidores, a nos desinstalarmos
e a sermos um sinal desse Reino pelo qual ele se entregou. Seu clamor parece simples:
tenhamos entre nós um relacionamento de irmãos, e com Deus, uma
relação de filhos.
Segue uma história que nos revela
um gesto simples de um rabino na transformação e construção
do Reino.
O rabino que servia em segredo
Despertava a
curiosidade da congregação o fato de o rabino desaparecer toda semana
ao entardecer do sábado. Suspeitavam de que ele estivesse se encontrando
secretamente com o Todo-poderoso; por isso incumbiram um dos membros de segui-lo.
Eis
que o homem viu: o rabino disfarçou-se com roupas de camponês e trabalhou
para uma mulher cristã na casa dela, limpando o quarto e preparando-lhe
uma refeição.
Quando o espião voltou, a congregação
perguntou:
- Onde o rabino foi? Subiu ao céu?
- Não,
respondeu o homem, ele subiu ainda mais alto.
(Anthony de Mello, de
O enigma do iluminado, Ed. Loyola)
Cada vela que nós acendemos,
ampliamos a luz de cada um de nós. Que ela brilhe cada vez mais intensa,
mais forte, mais nossa no decorrer de toda nossa vida.
Tenhamos entre
nós um relacionamento de irmãos.
Maria José Cunha
Fagioli |