Por Pe. Luís Rodrigues Batista. C.Ss.R.
São
mulheres que não se inibiram nem se sujeitaram à opressão
da sociedade patriarcal e machista, mas saíram em defesa de seus filhos,
seus irmãos, seu povo.Entre os seres que povoam a história bíblica,
encontramos o homem e a mulher. Da mesma forma, homens e mulheres foram criados
pela ação direta de Deus. Não interessa como Deus criou a
mulher, mas o seu significado: a mulher é em relação ao homem,
carne da mesma carne. Ambos têm a mesma natureza e foram criados em pé
de igualdade diante de Deus.
Ao estudar os relatos bíblicos, existem
alguns riscos: uma interpretação fatual do texto é o maior
perigo. Empobrece, mata e torna o entendimento da Palavra de Deus uma frustração
para o leitor, pois a intenção da Bíblia não é
dar explicação de todas as coisas. Os próprios estudiosos
da Bíblia, antes e no tempo de Jesus, caíram no perigo dessa leitura
fatual. Entenderam a condição da mulher no sentido menos profundo
do ser homem e do ser mulher. Os judeus, na época de Jesus, não
conversavam publicamente com mulheres.
Mas quando o texto bíblico
diz que a mulher foi feita a partir da costela de Adão, está afirmando
que os dois estão em pé de igualdade. Costela é do lado,
faz parte do tronco e não está nem acima e nem abaixo. Adão
reconhece que homem e mulher são da mesma carne.
Jesus de Nazaré
recupera a visão de igualdade entre o homem e a mulher. Conversa com elas
em lugares públicos, pede água à samaritana no poço
de Jacó (Jo 4,4-26) e, por isso, escandaliza os fariseus. Jesus mostra
o caminho da Salvação para homens e mulheres: "Se ninguém
te condenou, eu também não te condeno. Vai e não peques
mais" (Jo 8,11), diz à pecadora.
Os relatos bíblicos
estão recheados da presença feminina: Eva, Sara, Rebeca, Lia, Raquel,
Míriam, Débora, Rute, Ana, Abisag, Judite, Ester e tantas mais...
São mulheres, mães, criadas, rainhas, estrangeiras, heroínas,
companheiras. São mulheres que não se inibiram nem se sujeitaram
à opressão da sociedade patriarcal, machista e conseguiram romper
com as algemas que as sufocavam. Saíram em defesa de seus filhos seus irmãos,
seu povo. Saíram em defesa da vida. Tornaram-se símbolos na História
da Salvação querida por Deus. Em suas vidas prefiguram Maria, a
Mãe de Jesus.
O Concílio Vaticano II chamou Maria de Mãe
da Igreja Igreja. É a expressão de toda humanidade criada pelo próprio
Deus. A Igreja, Povo de Deus é em Cristo, o Sacramento da íntima
união com Deus e da unidade de todo gênero humano.
Da Revista
de Aparecida
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