“Levanta-te, vem para o meio!” Mc3,3
A Campanha da Fraternidade 2006 é ocasião para uma grande tomada
de consciência sobre as condições geralmente difíceis
vividas por pessoas com deficiência e para desencadear muitas iniciativas
de valorização efetiva delas. A CNBB espera que a CF leve a atitudes
de verdadeira fraternidade em relação a estes irmãos e irmãs
e aprofunde na sociedade a cultura da solidariedade em relação a
eles.
As pessoas com deficiências são mais de 500 milhões
em todo mundo. Por razões genéticas, enfermidades ou acidentes acabam
perdendo sua capacidade motora, sensorial, intelectual ou mental. A causa pode
ser um problema de concepção ou no parto. Um acidente de trânsito.
Uma bala perdida. Um mergulho na piscina. Uma queda de cavalo. Um erro médico.
Um desvio na vida.
A deficiência atinge jovens e velhos, homens e
mulheres, sem distinção. " Ser pessoa com deficiência,
ter um familiar ou amigo nessa condição, não significa receber
uma cruz nem uma missão ou um castigo. É uma oportunidade para ir
a si mesmo, sem ser devorado por ilusões de poder ou saber", diz o
Texto-base da CF 2006. E lembra: as pessoas e suas deficiências ensinam
o reconhecimento e a aceitação dos limites como uma fonte de crescimento.
A
deficiência não é uma doença, mas o preconceito, sim.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) calcula que no mínimo
350 milhões de pessoas com deficiência vivem em áreas carentes,
sem os serviços necessários para ajudá-las a superar as suas
limitações.
É uma realidade que não dá
para esconder: na maioria dos países, de cada dez pessoas uma tem algum
tipo de deficiência, que repercute em pelo menos 25% de toda população.
Outros fatores tornam esta situação ainda mais difícil.
Apenas 20% a 30% das crianças com deficiência estão matriculadas
na escola. Cerca de 80% a 90% das pessoas com deficiência estão desempregadas.
Ou, pior, nem fazem parte da força de trabalho, ganha mal isso quando recebe
salário.
Não há serviço de saúde. É
impossível chegar aos hospitais. As seguradoras de saúde rejeitam
clientes com deficiência. Os poucos dados disponíveis revelam que
menos de 20% dos incapacitados recebem benefícios de seguro.
Diante
deste quadro, há grupos que, historicamente, acham que a questão
da deficiência deve ser resolvida na força. Se é difícil
conviver com a "diferença", pensam que a "solução"
é eliminar o problema. Ou, melhor, eliminar as pessoas com deficiência.
Um
dos episódios mais evidentes dessa concepção da sociedade
"perfeita" foi a política nazista de Adolph Hitler, na Alemanha,
que matou milhares de pessoas com deficiência. Coisa do passado? Mudou
o discurso, mudaram as práticas, mas a idéia continua a mesma: as
pessoas devem ser "perfeitas" e aquelas que são "diferentes"
devem "sumir do mapa".
A realidade das pessoas com deficiência
não pode deixar ninguém parado, achando que não dá
para lutar. Essa realidade gera fraternidade e solidariedade. Transforma e liberta
as famílias, a Igreja e a sociedade, inspiradas na cultura da diversidade
e no amor ao próximo.
Para várias religiões, como
o judaísmo e o budismo, respeitar e cuidar da pessoa com deficiências
é dever sagrado. Esse compromisso é também uma das bases
do cristianismo: todos os seres humanos, com ou sem deficiência, foram feitos
à imagem e semelhança de Deus.
O Novo Testamento traz diversas
passagens em que as pessoas com deficiência são acolhidas e recebe
manifestações de respeito. O próprio lema da CF 2006 "Levanta-te
e vem para o meio!" é da passagem de São Marcos, em que Jesus
cura um homem com a mão direita atrofiada, que estava na sinagoga. Tudo
leva a pensar que aquele pobre homem era desprezado e deixado lá num canto,
por causa da sua condição. Era o dia sagrado de sábado, no
qual não se podia fazer nenhum trabalho.
Aquele foi um milagre da
inclusão da pessoa com deficiência. Questionando a lei de impureza
ritual, que proibia a realização de curas no dia de sábado,
Jesus pergunta aos escribas e fariseus na sinagoga: "O que é permitido,
fazer o bem ou fazer o mal? Salvar uma vida ou deixar morrer?". O Texto-base
explica esse milagre como um convite que Jesus fez àquele homem: tenha
coragem, não fique conformado no seu cantinho e não tenha medo de
assumir sua dignidade. E a todas as pessoas saudáveis que estavam na sinagoga
Jesus mostrou que aquele homem tinha valor e não podia ser desprezado e
abandonado.
Acabar com os preconceitos e aceitar, integralmente, a pessoa
com deficiência é tarefa de todos. E não basta ficar nas boas
intenções; é preciso agir, de forma solidária e responsável,
para destruir os muros da diferença que separam os não deficientes
daqueles que têm alguma deficiência.
Texto baseado nos textos
da CF
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