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Amados irmãos em Cristo Jesus, Israel esteve 400 anos escravo
no Egito, e durante esse tempo, muitos perderam a idéia do
Deus Criador e Libertador. Gerações inteiras conheciam
apenas as histórias das maravilhas de Deus, nas histórias
de Abraão, Isaac e Jacó, e do que Deus fizera a José.
Faltava uma experiência mais de perto, uma experiência
pessoal com o Deus Eterno. De hóspedes viraram escravos e
onde estava o Deus Libertador? É nesse contexto que surge
Moisés para tirar o povo de Israel das mãos do Egito
e levá-lo para a Terra prometida a Abraão, terra que
manava leite e mel, a Canaã de Deus. Mas para eles saírem
do Egito foi preciso uma intervenção divina através
das pragas. Faraó, rei do Egito, não os libertou.
Na última praga, a morte dos primogênitos, Deus institui
a Páscoa. Era para daquele dia em diante Israel celebrar
este dia tão importante na vida de um povo. A libertação,
a sua independência era para ser celebrada agora todos os
anos, para que as gerações posteriores não
esquecessem de que havia um Deus em Israel, um Deus LIBERTADOR.
Israel estava sob o jugo dos egípcios e assim tinha de viver
segundo os padrões daquela nação ímpia.
Quando o faraó mandou matar os pequeninos, a nação
teve de se submeter; assim como quando dobrou a carga do trabalho.
Assim somos nós. Antes de nos encontrarmos com Cristo, de
nossa Libertação, estamos atrelados aos padrões
de vida de uma sociedade exploradora, desumanizada, ímpia,
infiel, injusta. Acabamos escravos de uma sociedade egoísta,
que busca apenas seus próprios interesses, sem ver o menor,
o pequeno, o sofrido, as necessidades. Ao conhecer-mos Jesus, somos
chamados a ver o mundo com outros olhos, pois "todo aquele
que está em Cristo, é uma nova criatura" (II
Cor 5, 17). O liberto em Cristo tem outro padrão de vida.
É Justo, tem outros valores dirigindo sua vida: os Valores
do Reino de Deus. Não mais o egoísmo reina em nós,
mas Cristo, nos fazendo altruístas, preocupados com o outro,
por isso, celebremos nossa libertação dos padrões
opressores desse mundo.
Certos de que o nosso homem velho foi crucificado com Ele, para
que o corpo do pecado fosse desfeito, a fim de não servirmos
mais ao pecado, precisamos tomar posse do que está escrito
em Rom 6, 7: "Pois quem morreu, libertado está do pecado".
Em Cristo estamos livres do pecado. E isso é para ser celebrado.
Isso não quer dizer que não mais pecamos. Pecamos
sim, mas em Cristo não somos mais escravos do pecado, isto
é, o pecado não tem mais domínio sobre nós.
O cristão, livre em Cristo não se deixa mais levar
pelo pecado, não tem prazer no pecado. Precisamos compreender
e celebrar nossa libertação do pecado.
Celebremos nossa libertação dos medos e angústias
do dia-a-dia. Celebremos convictos, crendo na Palavra contida em
I Ped 5, 7: "Confiai-Lhe todas as vossas preocupações,
porque Ele tem cuidado de vós". A vida, cheia de opressões,
de dificuldades, de decepções, desencontros, sofrimentos
não nos é excluída, ela existe e portanto sempre
existirá para nós como para todos, mas pela graça
e pela garantia do próprio Senhor, Vivo e Vencedor, Ele mesmo
se encarrega de cuidar de todos os problemas que nos deixam cabisbaixos,
pois Ele é fiel e misericordioso, basta que lancemos sobre
Ele as nossas preocupações. Cristo nos liberta das
nossas angústias e medos, nos dando uma paz e tranqüilidade
que o mundo não nos pode dar; fortalece o nosso coração
nos dando através da fé condições de
tudo superar.
Amados, Israel pôde durante sua caminhada celebrar sua libertação,
e ter vivido a experiência da fé, da grandeza de Deus
em sua vida. Nós também somos testemunhas desta libertação,
nós experimentamos, e vimos de perto o Poder de Deus, que
nos liberta das injustiças sociais, do pecado e das angústias
da vida. Celebremos com alegria a Páscoa do Senhor, afinal
nós temos um Deus LIBERTADOR.
Ricardo da Liturgia das 10h - ricardomoyses@globo.com
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