Meus queridos irmãos e irmãs.
Mais uma vez estamos vivendo um período fortíssimo na
nossa caminhada cristã, a qual exige de cada um, o compromisso
e o empenho para construirmos um mundo mais justo e fraterno para
a humanidade, portanto, sem empenho na luta constante de cada um de
nós, jamais a sociedade das utopias acontecerá; mas
com a garra, a força que este tempo nos interpela e a graça
de Deus, conseguiremos ver o Reino acontecer entre nós.
Quaresma é tempo de reflexão, mudança de vida,
tempo de transição do homem velho para o homem novo,
que encontrará sua plena realização somente em
Cristo, morto e ressuscitado.
Neste período precisamos fazer renúncias e entregas;
precisamos, sobretudo, de nos comprometermos na construção
de uma sociedade alternativa, onde reine a justiça e a paz
para todos os homens.
A paz é sinônimo de que a justiça está
sendo implantada no meio de nós, ou seja significa que o homem
está colocando em prática aquilo que a Palavra de Deus
nos pede do Gênesis ao Apocalipse. Sem justiça não
teremos paz.
A Campanha da Fraternidade, juntamente com a Igreja, nos exorta a
sermos construtores da paz, mas para que ela aconteça, é
necessário que aprendamos de Jesus a capacidade de nos doarmos
em plenitude, amando, doando-nos, perdoando e sendo solidários
uns com os outros, nos investindo dos mesmos sentimentos de Cristo,
praticando atos e ações de bondade, mansidão
e compaixão para com os cristos crucificados do mundo de hoje.
Nesta quaresma devemos assumir uma postura cristã, que não
é nada fácil, porém é necessário
sermos determinados e convictos da fé que professamos, devemos
ter a garra de São Paulo, que mesmo preso em Éfeso,
abandonado por todos, jamais deixou de animar suas comunidade e as
pessoas a ele confiadas. Paulo é um exemplo de cristão
que segue Jesus Cristo Crucificado para chegar à glória
do Ressuscitado. Tanto é que mesmo diante das provações
é nítida em suas cartas a presença do espírito
profético que emana da ação do Espírito
Santo.
Queridos irmãos, nestas últimas semanas que nos faltam
para a Festa, por excelência, da família cristã:
Páscoa morte e ressurreição do Senhor, procuremos
intensificar mais a nossa vida de oração e penitência,
exercitando nosso coração para a doação,
o serviço comunitário e para a caridade, nos asilos
de nossa paróquia, nas favelas, nos orfanatos e nas creches,
onde encontramos sempre um Cristo desfigurado, necessitando do seu
abraço e da sua atenção, para que a ressurreição
do Senhor aconteça também na vida deles.
Quando procuramos viver bem a quaresma, com certeza passaremos pelas
mesmas tentações e provações que Jesus
passou: a tentação do abuso de poder. Jesus nos mostra
claramente que Ele não é o Messias do poder " A
Escritura nos diz: " Adorarás o Senhor teu Deus e somente
a Ele servirás" Mt 4,10. Hoje, nós também
podemos ser tentados, sobretudo aqueles que lidam com a religião
e com a fé popular.
A 1ª tentação de querer pôr Deus a nosso
serviço, acumular prestígio e fama.
A 2ª tentação é a concentração
absoluta de poder. Na verdade o ser humano é insensível
à ventania das tentações modernas: acúmulo
de bens, busca exacerbada de prestígio e poder. É terrivelmente
sedutor querer igualar-se a Deus e tornar-se deus nos próprios
semelhantes. Mas, quando isto acontece a infelicidade é total
para ambos, dominados e dominadores... para estes pequenos e abusivos
deuses ridículos, nunca a história acabou bem, sempre
em tragédia e derrotas.
Aqui podemos afirmar, com veemência, que todos os grandes males
do mundo vieram do delírio do homem e de sua pretensão
de ser igual a Deus.
Mas, graças ao Pai que nos criou, enquanto o ser humano delira
em fazer-se deus, Deus decide fazer-se homem. Na realidade temos duas
loucuras:
- a loucura do amor contra a loucura da arrogância.
- A loucura da vida contra a loucura da morte.
Creio que não haja em nossos corações nenhuma
sombra de dúvida de que o amor de Deus triunfará sempre
através de sua Morte e Ressurreição.
Nós também seremos associados. Amém
Feliz Páscoa.
Pe. Francisco de Assis Maria Leite CRSP |