Estamos em plena QUARESMA. Na quarta-feira de cinzas, iniciamos com
o jejum, que o Senhor nos convidou para entrarmos neste tempo de penitência
como quem se prepara para uma festa: "Quando jejuardes perfuma
a cabeça e lava o rosto" (Mt 6,17).
Podemos pensar no longo tempo gasto em preparação para
uma festa de casamento, onde não somente a noiva, mas também
os convidados, querem apresentar-se da melhor maneira possível.
A QUARESMA é este tempo de preparação pra a maior
festa de nossa fé. A Páscoa é a grande celebração
da vida em que nos reconhecemos homens novos.
Este tempo marcado pela penitência e pela conversão,
nos convida a enfrentarmos o desafio de vencer nossas próprias
limitações, entrando com coragem no deserto de nossas
vidas, assumindo renúncias, sacrificando prazeres, para que
nasça em nós vida nova. Devemos ressuscitar com Cristo.
Em algumas comunidades monásticas, permanece o costume de,
no início do tempo quaresmal, o abade, ou padre espiritual
entregar a cada monge, a chamada "carta quaresmal". Ela
simboliza um compromisso penitencial, geralmente uma leitura do livro
da Escritura, acompanhada com um gesto concreto de penitência,
que deve ser sinal do êxodo em meio ao deserto, rumo às
festas pascais.
Como é significativo, termos testemunhos como o de uma família,
que se abstém da sobremesa, ou da bebida (cerveja, vinho ou
refrigerante, por exemplo), confidenciando aos anfitriões que
assumiram um compromisso de fazer renúncia durante a QUARESMA.
A estes somam-se tantos outros possíveis jejuns como gastos
supérfluos, o fumo, divertimentos, ociosidade, televisão,
dedicando o tempo útil às obras de caridade, ajudando
ao irmão necessitado, participando de uma obra social, praticando
as obras de misericórdia, descobrindo a alegria de servir,
e não de ser servido, como ensina Jesus.
Deste modo, a renúncia quaresmal se identifica com a mulher
que está para dar à luz, que se aflige quando é
chegada a hora. Uma vez nascida a criança, no entanto, não
mais se recorda da dor que sentira, superada pela alegria de dar à
luz a uma nova vida. No tempo quaresmal, o ser humano que deve renascer,
somos cada um de nós.
Extraído do boletim "A MISSA", de 09/02/05. |