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Avançar,
aventurar-se em "águas mais profundas": este é
o provocante desafio de Cristo a Pedro. E não só a
Pedro, como também a todos os apóstolos e a todos
os cristãos de ontem e de hoje. Pois é justamente
lá, nas águas mais profundas, que nadam os peixes
graúdos e a pescaria está garantida...
Acredito que tal desafio jamais caiu tão oportunamente para
nós como neste tempo. Pois chegou a hora de levarmos a Palavra
de Deus também aos lugares mais escabrosos, como parlamentos,
universidades e os templos do rei dinheiro...
Em outros termos: chegou a hora de evangelizar a política,
de evangelizar a cultura, de evangelizar a riqueza...
Eu sei que isso, de um lado, pode ser visto como sonho ingênuo.
De outro lado, pode ser interpretado como gesto temerário:
gesto de alguém querendo cutucar o leão com vara curta...
Mas é que, querendo ou não, temos de admitir que não
basta mais evangelizar apenas o que já está evangelizado,
semear só lá onde a semente já foi jogada,
proclamar a Palavra de Deus tão-somente lá onde ela
já é conhecida de cor...
Temos de nos aventurar nas águas mais profundas "nunca
dantes navegadas", onde têm origem os pilares da sociedade:
cultura, política e riqueza; fazer com que elas percam sua
conotação de dominadoras e opressoras dos cidadãos
e adquiram o sabor evangélico do serviço, da partilha
fraterna e da promoção humana.
Que o desafio a nós lançado por Cristo é difícil
ninguém pode negar. Bem que ele mesmo poderia abrir uma brecha
naquelas portas sempre fechadas, se não fosse o fato de que
não costuma arrombar portas: preferem que lhe abram do lado
de dentro. Quer dizer que cabe a nós criar coragem e desafiar
as águas profundas onde a riqueza mora.
E fazer com que ela adquira um semblante mais humano...
Pe Virgílio ssp (Extraído do folheto O DOMINGO
de 8/2/2004)
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