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ATOS DOS APÓSTOLOS (3)
Mensagem
Alguns julgavam que com a morte de Jesus, Ele e sua doutrina permaneceriam
calados para sempre, mas o que a história nos mostra é
exatamente o contrário: seus discipulos animados pelo Espírito
Santo, enviado em Pentecostes o defendem e o difundem muito além
das fronteiras da Palestina, fazendo novos discipulos e criando
novas comunidades, abrindo as portas de Sua doutrina aos pagãos.
Paulo quando chegava a uma cidade, dirigia-se à sinagoga
local para pregar aos judeus a partir das escrituras. Como os judeus
o rejeitavam, voltava-se para os pagãos: os incita a abandonar
seus ídolos e a adorar o Deus vivo. Paulo sabia que todas
as ocasiões eram boas para o testemunho apostólico.
Ele os adaptava conforme os diversos auditórios.
É o desejo do autor demonstrar que a expansão do cristianismo
na direção dos gentios constitui o legítimo
cumprimento da missão de Jesus e é obra do Espírito
Santo ( 1,8) E no decorrer do livro mostra este progresso triunfante
do Evangelho por todo o mundo conhecido vencendo as perseguições.
Considerar os Atos tão somente como documento histórico
seria tomar um caminho errado pois é a luz da fé que
eles interpretam a história que contam. O autor por certo
é um historiador, mas um historiador que tem fé, daí
ser preciso considerar sua teologia, presente em todo o livro mas
essencialmente nos discursos.
A doutrina sobre Cristo, o Espírito Santo e a Igreja merece
especial atenção.
Cristologia os Atos apoiam sua doutrina na vida terrena de Jesus
e na Sua exaltação. Sublinham-se todos os aspectos
do mistério pascal Paixão, Morte, Ressurreição
e Ascensão. Aplicam-se a Jesus diversos títulos cristológicos
que manifestam o Seu ser divino e a Sua missão redentora,
tais como Senhor (2,26), Salvador (5,31), Servo de Yahweh (3,13.16),
Justo (7,52), Santo(3,14) e sobretudo Cristo- Messias- que se converte
em nome próprio.
Pneumatologia- São Lucas acentua a importância e a
função determinante do Espírito Santo em toda
a vida da Igreja. O Espírito Santo que é ao mesmo
tempo o Espírito de Deus e o Espírito de Jesus Cristo,
realiza no Pentecostes a manifestação pública
da Igreja e torna possível o começo da sua atividade
salvadora. O Espírito é posse e bem comum de todos
e de cada um dos cristãos, assim como a fonte da alegria
e vibração espiritual que os deve caracterizar. É
o Espirito que enche e assiste de modo especial os cristãos
ordenados para desempenharem os diversos ministérios sagrados.
O mesmo Espírito Santo guia a Igreja na escolha dos hierarcas
e missionários e impele-a e protege-a no desenvolvimento
da sua atividade evangélica. Disse-se, com razão,
que a segunda obra de São Lucas poderia ser denominada o
Evangelho do Espírito Santo
Eclesiologia - Os Atos são indispensáveis para conhecer
a vida da Igreja, nos primeiros 30 anos da sua história.
A Igreja mostra-se-nos como instrumento de Deus para o cumprimento
das promessas do Antigo Testamento. É. portanto, o verdadeiro
Israel, um povo novo e universal, de vínculos espirituais,
cuja natureza é essencialmente missionária.
A Igreja transborda da presença invisível, mas real,
do seu Senhor ressuscitado, que é o centro do culto cristão
e o único Nome que pode salvar os homens. A presença
de Jesus Cristo torna-se real e verdadeira na "Fração
do pão", isto é, no sacrifício eucarístico,
que já é celebrado pelos discípulos no domingo
, primeiro dia da semana.
A vida dos cristãos é descrita com traços simples
e emocionantes. Centra-se na oração, na Eucaristia
e na doutrina dos Apóstolos, e manifesta-se em disposições
e fatos excelentes de desprendimento (a partilha dos bens) concórdia
e amor. Comenta se sobre a administração do Batismo
a todos da casa(10,1s;16,14s;18,8;16,31-33). Lucas apresenta este
modo de viver como padrão e modelo para as futuras gerações
de discípulos.
Os convertidos reunem-se em grupos que o livro não tardou
em chamar de Igrejas. ( 5,1; 7,38; 11,26). Os membros dessa Igreja
caminham num mesmo caminho de Deus ( 9,2) e onde quer que estejam,
se designam pelos mesmos nomes e, um dia, serão chamados
cristãos (11,26; 26,28).
A organização da Igreja ocupa um lugar importante
como naturalmente se deduz. Assim temos o colégio dos Doze
sendo completado ( 2,15-26) e é criada a instituição
dos sete diáconos ( 6,1-6). O título de apóstolo
é reservado aos doze e o carater carismático dessa
função cede lugar ao de um ofício hierárquico.
Os Atos instruem-nos a cerca da primitiva constituição
da hierarquia eclesiástica e conservam-nos um relato de importância
singular sobre o primeiro Concílio da Igreja, que preserva
a sua comunhão. O conjunto de crentes constitue o único
povo de Deus, pois o essencial permanece com ou sem circuncisão
e é pela fé e pela graça do Senhor Jesus que
os cristãos são salvos (15,1-5).
A visão do presente da história da salvação
é ponto que também merece uma explicação
por causa da importância do presente no plano de Deus. Lucas
e Paulo o perceberam. Este hoje é em primeiro lugar, o tempo
da Palavra de Deus, da Boa Nova, do testemunho que proclama Jesus
ressuscitado, Senhor e Cristo.
No Evangelho de Lucas, a manifestação de Jesus, começava
em Nazaré e terminava em Jerusalém; nos Atos, o Evangelho
parte de Jerusalém (2-5) para atingir a Samaria e a Judéia
(8.1) depois a Fenícia, Chipre e a Síria (11,19-22)
de onde parte para a Ásia Menor e a Grécia (13-18)
antes de chegar à Roma (28,30). Assim, o percurso da Palavra
"até os confins da terra", querido pelo Ressuscitado
(1,8) e prefigurado no dia de Pentecostes (2,10) entra em sua etapa
decisiva. Se o Evangelho é assim anunciado por toda parte,
é para ser destinado a todos os homens (17,31): primeiro
a Israel depois às nações pagãs.
O próprio Deus intervem para a conversão de Cornélio
(10,1), é portanto determinada por Ele (2,39 ) e por Jesus
(22,21). Aqui podemos ver a passagem do Evangelho da salvação
aos pagãos (13,46). A conversão de Cornélio(10,1),
a evangelização dos gregos de Antioquia (11,19), a
missão de Barnabé e Paulo (13,2) são as primeiras
etapas dessa abertura . Da salvação pela Lei passa-se
à salvação pela fé e pela graça.
O livro dos Atos é, em certo sentido, o mais atual dos livros
do Novo Testamento, visto que o tempo e o espaço da Palavra
que ele expôs permanecem abertos perante todos os cristãos
e assim ficarão até a vinda do Senhor Jesus (1,11).
Alguns textos
1,6 Ascensão - encerra definitivamente a atividade histórica
de Jesus de Nazaré. Doravante o Senhor estará presente
na sua Igreja cf. 9,4.
2,1-13 Pentecostes
8,9-25 Simão , o mago
11,19-26 Igreja de Antioquia: pela primeira vez chamados cristãos.
15 o primeiro Concílio As primeiras dificuldades que o cristianismo
encontra nos seus inícios são a hostilidade dos judeus
e a questão da observância e a pureza ritual da Lei
judaica. Surge a dúvida: para um pagão se tornar cristão
seria necessário primeiro ser judeu, isto é, ser circuncidado
?
Leia também os discursos e os sumários, citados no
decorrer do texto.
Em todas as Bíblias há mapas não só
da região onde ocorreram os fatos históricos nela
contados mas também das várias viagens de Paulo. Isto
facilitará a idéia da expansão do cristianismo
pelo mundo conhecido na época.
Que a leitura deste livro ajude a aumentar a nossa fé e a
nossa esperança em Deus e principalmente nos leve a amar
a Deus e a todos os homens.
Jane do Tércio
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