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Durante
muito tempo, água foi sinônimo de fartura. Quando se
dizia que havia comida, cerveja ou qualquer outra coisa em excesso,
usa-se a expressão "havia isso como água".
Sempre houve a idéia de que a água era um recurso
natural inesgotável, por isso o desperdício sempre
foi muito grande e a preservação dos mananciais, matas
ciliares e bacias hidrográficas nunca foi uma prioridade.
Hoje temos a possibilidade de racionamento de água, assim
como já tivemos racionamento de energia, também pela
escassez de água.
As pessoas começam a perceber que precisam mudar a sua postura
em relação a água., tanto, no sentido de imprimir
um consumo moderado quanto de cobrar ações do poder
público e de empresas no sentido de adotar medidas que garantam
a oferta de água, assim como o tratamento do esgoto, a despoluição
dos rios e a implantação de saneamento básico.
Alguns especialistas na questão ambiental têm dado
declarações de que falta de chuva ou excesso não
é a responsável por este estado de coisa. Em 2001
houve falta de chuva, hoje, excesso. O problema é decorrente
da falta de investimentos na geração e preservação
das águas por parte das empresas que adquiriram o controle
de empresas do setor de energia e saneamento básico.
Quando se trata do problema de água na região semi-árida
do Brasil, fala-se sempre em transportar as águas do Rio
São Francisco, que demanda uma quantia da ordem de 3 bilhões
para beneficiar apenas 5% da população. Pequenas ações,
beneficiariam um número muito maior de pessoas.
Uma delas seria a montagem de um sistema de calhas nas moradias
que permitisse a captação das águas das chuvas
e seu armazenamento em cisternas. Com uma cisterna de 20 mil litros,
uma família de cinco pessoas poderia ter água suficiente
para consumir num período de seis a oito meses. A Cáritas
do Brasil planeja construir cerca de 1 milhão de cisternas,
o que aliviaria muitas famílias do nordeste.
Reaproveitar a água, e despoluir os rios são outras
medidas a serem tomadas pelas autoridades. Há experiências
positivas em outros países, que mostram que essas são
medidas eficazes no sentido da preservação dos recursos
hídricos. No Japão, por exemplo, 80% da água
proveniente de indústrias que poderiam poluir os rios são
recicladas. Nos hotéis, condomínios e hospitais japoneses,
a água usada nos chuveiros é sistematicamente usada
nos vasos sanitários. No Brasil, ainda existem problemas
com descargas antigas de 18 litros, que consomem cerca de 40% da
água doméstica. Elas podem ser trocadas por descargas
de seis litros, que são obrigatórias nos Estados Unidos.
A utilização da água na irrigação
de lavouras também precisa ser modernizada. A irrigação
por superfície (sulcos, por exemplo), considerada de baixa
eficiência, predomina em 60% da área que emprega esse
tipo de sistema no Brasil, enquanto métodos mais eficientes
como o gotejamento e a micro-aspersão estão presentes
em apenas 4% do total.
Água mal distribuída
A ONU definiu a quantidade de 1000m3 de água por habitante
por ano como o mínimo necessário para o ser humano
viver em condições razoáveis. Abaixo desse
valor, temos uma situação chamada de estresse hídrico.
Com base nesse número, se considerarmos a terra como um todo,
não há escassez de água: apenas nos rios, a
disponibilidade é de 6000 a 7000m3 anuais por habitante.
Um dos problemas é que os recursos hídricos não
são distribuídos de maneira uniforme.
Países como a Arábia Saudita ou Israel são
muito pobres de água doce ( menos de 500m3 anuais por habitante).
O Brasil, por sua vez, é considerado um país rico
em água doce: a disponibilidade é cerca de 35000 m3
anuais por habitante nos rios, mais 5 000 m3 de águas subterrâneas.
Dentro do Brasil, porém, a distribuição é
desigual. O rio com maior volume de água no mundo, o Amazonas,
corre na região menos povoada do país. Ao contrário,
no Nordeste, onde a população é bem maior,
a disponibilidade de água é muito menor.
Os números da água
- 5 milhões de pessoas morrem no mundo todo ano por questões
relacionadas ao gerenciamento de recursos hídricos.
- 2,4 bilhões de pessoas no mundo não têm rede
de esgotos.
- 1,1 bilhão de pessoas não recebem água em
suas moradias.
Ocorrem 4 bilhões de casos de diarréia por ano, com
2,2 milhões de mortes.
- 600 milhões de pessoas ( 10% da população
mundial) têm parasitas intestinais.
- 6 milhões de pessoas são cegas em conseqüência
de doenças infecciosas.
- 200 milhões de pessoas sofrem de esquistossomose.
- Seriam necessários US$ 50,00 por pessoa nas áreas
rurais e US$100,00 nas áreas urbanas para providenciar água
segura para todos.
- Custaria no mínimo US$ 25 bilhões para levar saneamento
e água para todos que precisam no mundo. O atual investimento
mundial em projetos de desenvolvimento ligados à água
é de US$ 8 bilhões.
Fontes: Unicef, Organização Mundial de Saúde
(OMS) e ONU.
"Daí o grito de alerta mundial! Preservemos as nascentes,
despoluamos os rios, cuidemos de cada filão de água
para que amanhã não morramos de sede. Uma primeira
e necessária medida é regularizar o uso da água
tomada diretamente dos rios e açudes de modo que o preço
da manutenção pura e abundante seja pago proporcionalmente
pelas empresas e irrigações que a utilizam. A mãe
água não é vaca de peitos infinitos para sugadores
insaciáveis." Pe. João Batista Libânio
Extraído do artigo de Eduardo Franco
Do Jornal "Opinião
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