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"A Igreja louva e aprecia o trabalho de quantos se dedicam
ao bem da nação e tomam sobre si o peso de tal cargo,
a serviço dos homens" (CV2 - Gaudium et Spes)
No último artigo abordado nesta coluna discutimos um pouco
sobre ética. Tentei focar no papel do cristão em relação
a crise ética que assola o quadro político brasileiro
e qual deve ser o comportamento cristão perante esse cenário.
Poderia ter dado diversas abordagens sobre o problema, uma vez que
está em moda falar de corrupção na política.
Optei por analisar o nosso papel. Questionei se estamos fazendo
a nossa parte e destaquei inclusive o Evangelho de Lucas onde fica
claro a questão da fidelidade nas pequenas e nas grandes
coisas.
Recebi com certa surpresa alguns emails contestando o artigo e me
pedindo para que abordasse o papel do cristão no cenário
eleitoral, uma vez que os mandatários envolvidos em algum
esquema de corrupção não chegam ao plenário
por acaso, mas através do voto.
Não. Não estou reclamando das críticas. Pelo
contrário. Acredito no processo democrático e tenho
plena consciência que o ser humano não possui o já
tão contestado "pensamento único". Inclusive,
aproveito a oportunidade e incentivo aos leitores a mandarem mais
emails com críticas, sugestões de tema e etc.
Bom, voltando ao ponto central deste artigo, gostaria de aprofundar
um pouco mais na questão do voto Cristão sugerido
por um leitor amigo.
Todas as nossas paróquias durante o processo eleitoral, movimentam-se
promovendo debates, discussões, aprofundamentos e em alguns
casos surgem diversos grupos de "Fé e Política"
com o objetivo de auxiliar o eleitor a votar com consciência.
Trabalho inclusive muito elogiado aqui nesta mesma coluna em Outubro
de 2002 no nosso primeiro artigo. O problema em questão não
está neste belo trabalho desenvolvido pela Igreja. Está
no momento atual. Onde estão os grupos de Fé e Política
que foram muito provavelmente fundados durante a campanha das eleições
de 2002? Onde estão os debates sobre os principais problemas
sociais que assolam os mais pobres? E os grupos de discussão
sobre a ALCA? Simplesmente estão todos parados aguardando
a próxima eleição. E é aí que
está o problema. Não podemos nos restringir a discutir
política apenas na época de eleição.
Temos que participar agora. Promover debates, palestras, grupos
de estudo e de "Fé e Política". Este é
o melhor momento. Agora não existe aquele clima de interesse
que paira durante as eleições. E não adianta
ficarmos culpando a Igreja ou o Padre por não incentivarem
o desenvolvimento destes trabalhos neste período de "entre-safra
eleitoral". O problema não está neles. Está
em nós. Quem se interessaria em ir na próxima terça
de estudos para ouvir uma palestra sobre a ALCA e os seus impactos
na economia brasileira? Ou quem sabe um debate sobre o orçamento
da nossa cidade? Pois é amigo leitor, esse é o cerne
do problema. Precisamos criar a cultura de continuar com os estudos
e aprofundar na reflexão sobre a participação
do cristão no processo eleitoral. Votar e conscientizar:
Esse deve ser o lema do povo de Deus para auxiliar na transformação
do contexto de exclusão social em que vivemos. Precisamos
muito fazer a nossa parte. Não adianta apenas eleger um presidente
ou governador ou prefeito que seja verdadeiramente comprometido
com o resgate dos pobres marginalizados da sociedade. O nosso papel
é fundamental. É a essência do processo de mudança.
Temos que parar com essa idéia de que "elegi o cara.
Pronto, agora é com ele". Não. Agora é
conosco. Somos nós que promoveremos as mudanças. Seja
qual for a esfera para isso: Legislativo, executivo e até
mesmo o Judiciário. Todos os poderes trabalham em harmonia
para o nosso bem comum. E se não participarmos, nem se o
Papa for mandatário no Brasil, o País mudará.
PS.: Plagiando um pouco o meu irmão em Cristo Paulo Sobrinho
(PS), gostaria de aproveitar o espaço e agradecer as visitas,
flores, emails, cartões e telegramas dos amigos paroquianos
saudando a chegada da minha tão esperada e amada primeira
filha: A Rafaela. Eu e a Cristina agradecemos a Deus esse maravilhoso
e abençoado presente que Ele nos enviou.
Um forte abraço a todos e a Paz de Cristo!
Robson Campos Leite
Emails para esta coluna:
feepolitica@terra.com.br
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