Todos nós conhecemos a importância que tem a presença
da mãe na vida da criança, em sua formação
e desenvolvimento.
Maria é a Mãe que Jesus nos deixou para nos amparar
e guiar em nosso crescimento como cristãos, filhos de Deus,
rumo à maturidade na fé.
Entretanto, uma grande parte dos filhos de Deus, por motivos diversos,
desconhece ou tem recusado esse apoio materno: trata-se dos chamados
"irmãos separados", os cristãos que não
estão em comunhão com nossa Igreja Católica.
Muitas vezes me ocorreu que Maria será a grande "arma"
de Deus para restabelecer a união entre esses irmãos
que se desentenderam. O amor materno supera todas as barreiras...
Em grande parte das vezes, quando algum desses irmãos separados
se converte ao catolicismo, isso acontece pela ação
de Maria. Conhecemos inúmeros exemplos de como, de repente,
essa presença materna se impõe e conquista, de forma
irresistível, os corações.
A importância de Maria tem sido reconhecida especialmente pelos
grupos protestantes de tradição mais antiga, que ainda
trazem a memória de um tempo em que esse antagonismo não
existia, e Maria era amada e honrada também entre eles. Buscando
corrigir essa falha, um grupo de teólogos luteranos da Alemanha
Oriental publicou, na revista "Spiritus Domini" o chamado
"Manifesto de Dresden", em maio de 1982. Vale a pena reproduzir
aqui alguns trechos desse Manifesto, para que saibamos como o amor
materno de Maria já tem agido entre os protestantes:
"Em Lourdes, em Fátima e em outros santuários marianos,
a crítica imparcial se encontra diante de fatos sobrenaturais
que têm relação direta com a Virgem Maria, seja
mediante as aparições, seja por causa das graças
milagrosas alcançadas por sua intercessão. Esses fatos
são tais que desafiam toda a explicação natural.
"Sabemos, ou deveríamos saber, que as curas de Lourdes
e Fátima são examinadas com elevado rigor científico,
por médicos católicos e não-católicos.
Conhecemos a praxe da Igreja Católica, que deixa transcorrer
vários anos antes de declarar milagrosa alguma cura. Até
hoje, 1.200 curas ocorridas em Lourdes foram consideradas, pelos médicos,
como cientificamente inexplicáveis. Todavia, a Igreja Católica
só declarou milagrosas 44 delas. Nos últimos 30 anos,
11.000 médicos passaram por Lourdes. Todos os médicos,
qualquer quer seja a sua religião ou posição
científica, têm livre acesso ao 'Bureau des Constatations
Medicales'. Por conseguinte, uma cura milagrosa é cercada das
maiores garantias possíveis.
"Qual é, pois, o sentido profundo desses milagres, no
plano de Deus? Bem, parece que Deus quer dar uma resposta irrefutável
à incredulidade dos nossos dias. Como poderá um incrédulo
continuar a viver tranqüilamente em sua incredulidade, diante
de tais fatos? E também nós, cristãos-evangélicos,
poderemos ainda, em virtude de preconceitos, passar ao lado desses
fatos sem nos aplicarmos a um atento exame? Pode um cristão
evangélico ter o direito de ignorar tais realidades, pelo fato
de se apresentarem na Igreja Católica, e não na sua
comunidade religiosa? Tais fatos não deveriam, ao contrário,
levar-nos a restaurar a figura da Mãe de Deus na Igreja Evangélica?
"Somente Deus pode permitir que Maria se dirija ao mundo por
meio de aparições. Não nos arriscamos, talvez,
a cometer um erro fatal, fechando os olhos a tais realidades e não
lhes dando atenção alguma? Não deveremos, talvez,
abrir o nosso coração a essa luz que Deus faz brilhar
para a nossa salvação?
"Grande responsabilidade nos toca. Temos o direito e o dever
de examinar tais fatos. Seria o cúmulo da tolice ignorarmos
a voz de Deus, que fala ao mundo pela mediação de Maria,
e dar-lhe as costas unicamente porque Ele faz ouvir sua voz por meio
da Igreja Católica. Seja como for, não poderemos calar
por muito tempo sobre tais realidades. Teremos de examiná-las
sem preconceito, pois é iminente uma catástrofe. Até
mesmo a existência do Cristianismo está hoje em perigo
em alguns países...
"Pode acontecer que, rejeitando ou ignorando a mensagem que Deus
faz chegar a nós por intermédio de Maria, estejamos
recusando a última graça que Ele nos oferece para a
nossa salvação. É, portanto, um dever muito grave
para todos os chefes da Igreja Luterana e para outras comunidades
cristãs examinar tais fatos e tomar uma posição
objetiva.
"No seu 'Magnificat', Maria declara que todas as gerações
a proclamarão bem-aventurada até o fim dos tempos. Todos
nós verificamos que esta profecia se cumpre na Igreja Católica,
e, nestes tempos dolorosos, com intensidade sem precedentes. Na Igreja
Evangélica, tal profecia caiu em tão grande esquecimento,
que dificilmente se encontra algum vestígio da mesma. Sufocando
no coração o culto da Virgem, os evangélicos
destruíram os sentimentos mais delicados da Piedade cristã.
"São palavras de Martinho Lutero: 'Quem são todas
as mulheres, servos, senhores, príncipes, reis, monarcas da
Terra comparados com a Virgem Maria que, nascida da descendência
real de Davi, é além disso Mãe de Deus, a mulher
mais sublime da Terra? Ela é, para toda a cristandade, o mais
nobre tesouro depois de Cristo, um tesouro que nunca poderemos exaltar
o bastante, a mais nobre imperatriz e rainha, exaltada e bendita acima
de toda a nobreza, com sabedoria e santidade.' (Comentário
ao Magnificat). Em outro texto ele diz: 'Ser Mãe de Deus é
uma prerrogativa tão alta, coisa tão imensa, que supera
todo e qualquer intelecto. Ela é uma pessoa única em
todo o mundo, superior a quantas existiram. Não há honra,
nem beatitude, que sequer se aproximem, por sua elevação,
da incomparável prerrogativa, superior a todas as outras, de
ser a única pessoa humana que teve um Filho em comum com o
Pai Celeste' (Deutsche Schriften).
Lutero honrou Maria até o fim de sua vida. Em tempos posteriores
à Reforma, porém, foram perdidas todas as festas em
honra de Maria, e tudo o que trazia sua lembrança. Estamos
sofrendo as conseqüências dessa herança de receio
e temor.
"O temor de diminuir a glória de Jesus foi o motivo pelo
qual, em nossas igrejas evangélicas, negamos a Maria a veneração
e os louvores devidos. E, entretanto, temos de afirmar que, por meio
da justa veneração a ela tributada, multiplica-se a
glória e o louvor do Senhor, uma vez que foi Ele quem a elegeu
e a fez, pela Sua Graça, um instrumento Seu. Jesus espera que
veneremos Maria e a amemos. Assim nos diz a Palavra de Deus, e essa
é, portanto, a Sua Vontade. E só aqueles que guardam
a Sua Palavra amam verdadeiramente a Jesus (Jo 14,23). A "Apologia
da Confissão de Fé" de Augsburg, importante documento
do Luteranismo, diz no artigo IX: "Maria é digna de suprema
honra, na maior medida".
"Calvino também declarou: 'Não podemos reconhecer
as bênçãos que nos trouxe Jesus, sem reconhecer,
ao mesmo tempo, quão imensamente Deus honrou e enriqueceu Maria
ao escolhê-la para Mãe de Deus' (Comm. Sur l'Harm.Evang.)."
Nós, católicos, que já temos a alegria e o privilégio
de possuir Maria como Mãe, rezemos com especial fervor neste
mês de Maio, pedindo que a ação de Maria se intensifique
cada vez mais, quebrando as resistências de todos os corações
(também do nosso!), para que finalmente possa realizar-se o
desejo de Jesus, de que todos os seus filhos sejam uma só família.
Só assim, com esse testemunho de amor entre os cristãos,
o mundo poderá recuperar a fé...
Margarida Hulshof- Recebido via e-mail |