No dia 30 de maio, a Igreja celebra a festa de Corpus Christi. Para
explicar a origem, o sentido e toda a riqueza da celebração,
publicamos o artigo do Pe. José Cândido da Silva do Jornal
Opinião
A origem da Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo remonta ao século
XII. A Igreja sentiu necessidade de realçar a presença
real do "Cristo todo" no pão consagrado. Esta necessidade
se aliava ao desejo do homem medieval de "contemplar" as
coisas. Surgiu nesta época o costume de elevar a hóstia
depois da consagração. Disseminava-se uma controvertida
piedade eucarística, chegando ao ponto das pessoas irem à
igreja mais "verem" a hóstia do que para participarem
efetivamente da eucaristia.
Neste contexto surgem as visões da religiosa agostiniana, Juliana
de Liège, que retratavam um disco lunar dentro do qual havia
uma parte escura. Isto foi interpretado como sendo uma ausência
de uma festa eucarística no calendário litúrgico.
O bispo Roberto de Liège cedeu aos pedidos da devota e de seus
conselheiros espirituais e introduziu a festa no âmbito de sua
diocese no ano de 1246. Em 1264 o Papa Urbano IV, que tinha sido arquidiácono
de Liège estendeu-a para toda a Igreja. No entanto a festa
se fixou sem contestações sob o pontificado de João
XXII.
Atribui-se a Santo Tomás de Aquino a maioria dos textos litúrgicos
da missa e da Liturgia das Horas relativos a esta solenidade como
os hinos: "Tão sublime Sacramento", "Canta ó
lingua", "Adoro-te devotamente". São obras monumentais
pela união fecunda de uma bela poesia com a mais pura expressão
da reta Fé da Igreja no mistério eucarístico.
É admirável como uma inteligência brilhante e
aguda e sumamente racional como a do grande Tomás foi capaz
de aliar o rigor da linguagem teológica com a inefabilidade
do discurso poético.
Alguém poderia perguntar sobre a necessidade de acrescentar
mais uma festa da eucaristia, uma vez que a eucaristia é celebrada
propriamente na Missa Vespertina da Ceia do Senhor na quinta-feira
do tríduo em preparação à Páscoa.
Mas a resposta a esta indagação me parece óbvia.
De fato o Dia da Eucaristia é a quinta-feira santa. No entanto,
a noite de quinta-feira é coroada pela tristeza da agonia do
Senhor, o que retira da festa da eucaristia o júbilo que só
explode plenamente na páscoa. Por isto, esta Solenidade do
Corpo e do Sangue de Cristo acontece quase imediatamente ao tempo
pascal e pode ser celebrada com todo júbilo e brilho.
O barroco enriqueceu esta festa com todas as suas características
de pompa. Em todo o Brasil esta festa adquiriu contornos do barroco
português. Corpus Christi é celebrado desde a época
colonial com uma profusão de cores, música expressões
de grandeza. Ao largo das criticas contemporânea ao triunfalismo
católico exibido nestas ocasiões devemos ressaltar a
piedade, a fé expressa festivamente e devotamente pelo nosso
povo simples.
É importante neste dia que a fé eucarística saia
do reduto dos templos e se espalhe pelos espaços públicos.
Daí o sentido das procissões eucarísticas e de
outras formas de manifestações públicas de nossa
fé. Principalmente hoje quando se discute tanto a necessidade
da presença de sinais da fé no meio da grande cidade,
manter e aprimorar a festa do Corpo de Cristo é responder a
estas exigências. Mas acima de tudo, expressamos nesta solenidade,
com muita alegria nossa gratidão e nosso amor por um mistério
tão sublime do amor de Jesus Cristo Ressuscitado que permanece
junto à sua Igreja e junta a cada um de nós nos sinais
do pão e do vinho.
Pe. José Cândido da Silva (Belo Horizonte - MG)
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