Apocalipse (9)
As cartas às igrejas (Ap 2-3)
Diante da majestade do Senhor e do amor que ele manifestou com a sua Morte de Cruz, que as igrejas podem sempre mais aprofundar pela reflexão sobre a Profecia, no dia do Senhor, em espírito de sabedoria e revelação, cada igreja deve corrigir-se dos seus erros para viver a perfeita caridade, a prática das boas obras, guardar a fé dos Apóstolos e dar testemunho da Palavra. Conforme a índole do defeito que cada igreja deve corrigir ou da virtude que deve praticar, João relembra peculiares características do Senhor, já pronunciadas em Ap 1.
Os títulos que João atribui a Jesus Cristo, enquanto nos esclarecem acerca da condição do Senhor da Igreja, servem para fundamentar a recompensa que os fiéis das igrejas receberão na vida eterna. O Senhor da Igreja nos tornará participantes da sua vida divina, “no Paraíso de Deus” (2,7) se formos encontrados atuando boas obras, professando a sã doutrina e dando testemunho de Jesus Cristo, no fervor da caridade. Esta é a condição da vida divina, simbolizada pelo ouro, pela qual o Senhor nos reconhecerá como membros da sua Igreja. Quando Jesus se refere à igreja de Esmirna, lhe lembra que ele é o Vivente porque perseverou até a morte no testemunho da verdade. Têm portanto a “coroa da vida” (2,10) somente aqueles que perseveram até o fim nas perseguições por causa da fé. A igreja de Pérgamo está procedendo assim, lhe falta, contudo, corrigir-se no cuidado de não escandalizar os fracos, evitando de comer carnes sacrificadas aos ídolos. Tenham, portanto, o cuidado de não ofender os irmãos daquele que pode ferir com a “espada afiada, de dois gumes” (2,12), que sai da sua boca, mas que pode, ao mesmo tempo, torná-los participantes do banquete eterno porque os considera membros do povo eleito, cujo símbolo o sumo sacerdote carregava sobre o seu peito (Ex 28,29). A igreja de Tiatira está cometendo o mesmo erro, do qual deve corrigir-se porque a admoesta “o Filho de Deus, cujos olhos parecem chamas de fogo e cujos pés são semelhantes ao bronze” (2,18). Se escutarem aquele que possui o Espírito de Deus que, na sua pureza perscruta e descobre toda imperfeição e viverem a perfeita caridade em relação aos irmãos, então participarão do governo do mundo que ele possui na condição de verdadeira Estrela d´Alva, filho da Aurora, porque o seu poder é eterno como o bronze. Não é como o dos reis da terra (Is 14,12) que têm seus pés de argila misturada com ferro (Dn 2,43).
Sardes é uma igreja morta. Deixou de ser vigilante. Deve converter-se e voltar ao fervor do momento em que recebeu, atenta, a pregação do evangelho, para não ser surpreendida pelo dia do Senhor como por um ladrão. Está lhe falando aquele que governa o mundo com o seu Espírito e rege as igrejas na condição de Glória de Iahweh. Diante do seu Pai, Jesus Cristo vai reconhecer somente aqueles que não sujaram suas vestes.
Filadélfia é uma igreja perfeita em tudo. Na condição de quem é o Santo e o Verdadeiro, Jesus, a ela abre a visão daquilo que a espera e que ela alcançará porque mereceu ser por ele sustentada na provação, que será até abreviada. Guardou a fé e não o renegou diante dos homens. Mereceu até ser instrumento de conversão para uns judeus, tanto é amada por ele como Esposa. Quando o invocar na tentação última, Ele virá logo. Mas ela deve perseverar até o fim para poder ser parte da Cidade santa, como uma coluna do Templo de Deus, entre os membros da Nova Jerusalém que descerá do céu revestida da glória de Deus, como uma esposa preparada para o seu marido (21,2). A Laodicéia, o Senhor das igrejas se apresenta com ainda maior ênfase na sua condição divina: “Assim fala o Amém, a Testemunha fiel e verdadeira, o Princípio da criação de Deus” (3,14). A igreja local tornou-se algo detestável. Nada mais tem de cristão. É pobre, cega e nua! Deve voltar a brilhar como um candelabro de ouro, recuperar a fé, revestir-se com as vestes reais da Esposa de Cristo, pela conversão, até voltar ao fervor inicial. Enquanto não chega a hora da sua vinda, Jesus até insiste em bater à porta para que todos se reconciliem com ele, porque ele quer que todos triunfem com ele.
Perguntas para uma reflexão:
1ª) Quais são os títulos do Senhor Jesus que motivam as igrejas a escutar a voz do Espírito?
2ª) Com quais símbolos Jesus Cristo fala da recompensa eterna que receberão os que derem testemunho dele diante dos homens?
3ª) Por que Jesus Cristo manda a igreja de Laodicéia comprar dele ouro purificado no fogo? (3,18. Cf. 1,12; 21,18).
Pe. Fernando Capra/CRSP |