"Quando Jesus vai ao Pai, ele nos deixa, em união com o Pai, o mesmo Espírito que recebeu do Pai. Esse é o mistério da Santíssima Trindade em nossa vida"
Em Joao 16,12, Jesus diz: "Tenho ainda muitas coisas a vos dizer, mas não sois capazes de compreender agora". Não dá para explicar tudo de uma vez para sempre (cf. 16, 4b). Mas diz João 16, 13 que "quando ele vier, o Espírito da Verdade (cf. 14, 17; 15, 26), ele vos conduzirá em toda a verdade". A verdade na qual o Espírito da Verdade nos conduz não á algo estático, coisa feita e acabada, mas a compreensão certa em cada novo momento. Jesus viveu em um determinado momento, mas o Espírito que ele envia é para todos os momentos e nos conduz pelo caminho da verdade plena, o caminho de Deus, não por conta própria, mas porque ele é um com Jesus e o Pai:"Ele comunicará o que tiver ouvido e vos anunciará o que está por vir", inclusive as perseguições.
O Espírito fará compreender, sobretudo, que Jesus é vencedor: "Ele me glorificará", isto é, "manifestará a minha glória" (16,14).
E ele recebe isso da mesma fonte da qual provém as palavras faladas por Jesus mesmo: "Ele receberá do que é meu para vo-lo anunciar. Tudo o que o Pai tem é meu. Por isso, eu vos disse que ele receberá do que é meu para vo-lo anunciar”. Algumas traduções escrevem: "para vo-lo revelar", mas o verbo que João usa é "anunciar": e o que faz o Messias esperado segundo Jo 4,25-26 e a comunidade depois dele. O Paráclito participa ativa-mente do "anúncio" que está sendo levado pela comunidade (cf. 1 Jo 2, 3.5; 3, 11).
O ensinamento do Espírito-Paráclito para o dia presente, na ausência de Jesus, tem a mesma natureza, qualidade e importância que o ensinamento de Jesus durante sua vida terrestre. Daí a fé na missão de Jesus Cristo ser o critério do "discernimento dos espíritos". Em sua Primeira Carta, para uma comunidade onde muitos pretendiam ter "o espírito", João ensina que só o espírito (= inspiração), que faz proclamar "Jesus Cristo que veio na carne" é de Deus (1 João 4, 1-2). Uma inspiração que desconsidera a obra de Jesus na carne, sua existência terrestre em amor fiel até o fim, e do anticristo (1 Joao 4, 3).
Resumindo, podemos dizer que Jesus viveu sua vida na "carne" como o filho obediente, que, inspirado pelo Espírito de Deus, em tudo procura a vontade de Deus, ao qual conhece, de modo incomparável, como Pai e fonte de amor. Essa experiência de amor filial divino o leva a revelar o rosto do Pai, sendo fiel aos seus até dar a própria vida, quando seus inimigos o perseguem com, ódio mortal. Mas quando, assim, ele vai ao Pai, que "é maior"(João 14,28), ele nos deixa, em união com o Pai, o mesmo Espírito que recebeu do Pai, a fim de que nos recordando seu caminho, sejamos por esse Espírito e Auxilio conduzidos a compreender, cada dia novamente e melhor, o caminho de Jesus, que deve ser o nosso, de modo sempre atualizado.
Esse é o mistério da Santíssima Trindade, da tríplice presença de Deus-Pai,Filho, Espírito em nossa vida, como o celebramos por estes dias.
Pe. Johan Konings (do Jornal Opinião)
|