Igrejas lotadas, procissões, belas homilias e muita fé marcam o dia de Corpus Christi para todos nós católicos, que acreditamos verdadeiramente na Eucaristia: corpo dado e ofertado; sangue derramado e abençoado: corpo e sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Como nos interpela São Paulo : “ O cálice da bênção. O Cálice que abençoamos, não é comunhão com o sangue de Cristo? E o pão que partimos, não é comunhão com o corpo de Cristo” (1Cor10,16). É o próprio Cristo que se faz presente no pão e no vinho por nós comungado em cada Eucaristia, e essa certeza nos é revelada pelas próprias palavras de Jesus na ceia, como relata o evangelista Marcos: “ Durante a refeição, Jesus tomou o pão e, depois de o benzer, partiu-o e deu-lho, dizendo: Tomai, isso é o meu corpo. Em seguida tomou o cálice, deu graças e apresentou-lho, e todos dele beberam. E disse-lhes: “Isto é o meu sangue, o sangue da aliança, que é derramado por muitos.” (Mc 14,22-24).
È nessa certeza que respondemos afirmativamente à pergunta do apóstolo: o cálice que abençoamos e o pão que partimos é comunhão com o sangue e com o corpo de Cristo. Essa certeza é carregada por aqueles que se deixaram conduzir nos caminhos do Senhor, lançando-se na experiência do amor-oblação incondicionado do Deus feito homem. Nesse contexto, essas palavras têm um valor todo especial, pois partilhamos os mesmos sentimentos de filhos queridos de Deus, que comungam do mesmo corpo, formando assim uma única e grande comunidade: a comunidade do Corpus Christi.
Porém será que todos que fazem feriado no dia do Corpo de Cristo experienciaram tais sentimentos?
Será que tudo o foi escrito acima tem significado para aqueles que não têm fé ou que não conhecem a Deus?
À luz da nossa fé somos chamados à compreensão e ao amor.
“Que é o amor, se não existe o outro?”, já perguntava Santo Agostinho. É ao outro que devo amar, independente da condição em que ele vive.
Compreender e amar o outro por inteiro significa compreendê-lo e amá-lo em sua totalidade humana. Cada homem ou mulher tem suas características próprias, cada um com seu corpo, seus pensamentos, sua opção de vida.
Nós não somos corpos soltos no espaço, vivendo uma contínua busca pelo prazer; somos mais do que isso, somos membros de um corpo maior, o corpo místico de Cristo, e é nele que recebemos unidade de conjunto enquanto partilhamos a mesma fé.
Ser cristão e católico, nesse sentido, é celebrar diariamente com fervor a festa do Corpo de Cristo em comunhão com toda humanidade; é sentir-se corpo vivo naquele que é a fonte da vida; é aprender a amar e a compreender a todos de igual modo, inclusive àqueles que festejam unicamente a festa do próprio corpo, como no caso de muitos que apenas vivem o feriado no descanso, nas viagens e no prazer.
Se assim vivermos, o Corpo de Cristo resplandecerá no mundo, enquanto testemunhado vivamente por todos nós que cremos verdadeiramente na realidade de um amanhã cheio de Deus.
Texto organizado por Hélia Fraga
Baseado no texto de Fernando Guidini
Do Jornal Opinião
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