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Cristologia (7) - Cl 1,15-20

A condição divina de Jesus, intuída pelos Apóstolos a partir da constatação da tumba vazia e confirmada pelas aparições do Ressuscitado, levou os Apóstolos a ver nele o Adão ideal que Deus, afinal, criara para si, verdadeira imagem do Deus invisível.
Pela sua doutrina, pela sua imolação e pela sua ressurreição, Jesus revelava, como ninguém, quem era o Verdadeiro, a Caridade e a Santidade. Como diz São João no prólogo do seu evangelho, ele nos fez a exegese daquele que ninguém pode ver.
Mas, pelo fato que nele se reflete a "Imagem do Deus invisível", ele é consubstancial ao Pai: "Resplendor da sua Glória, expressão do seu Ser" (Hb 1,3).

Além de ver em Jesus o Adão verdadeiro, São Paulo, neste hino, vê, em Jesus, a encarnação da Sabedoria divina pela qual Deus criou todas as coisas (Pv 8,22-32). De Deus, Jesus é a Palavra que, na vida de Deus, está voltada para o Pai e que dá origem a todas as coisas porque, por ela, é comunicado o Espírito de vida.
Tudo é obra da sua criação, até as temidas potências dos ares: Tronos, Soberanias, Principados e Autoridades. Suposto que elas existam de forma objetiva e, até, tenham que ser aplacadas para que não nos prejudiquem, elas foram, contudo, subjugadas por Cristo que as arrastou, acorrentadas, no seu cortejo triunfal (Cl 2,15). O autor da Carta aos Hebreus chega até a dizer que não passam de servidores daqueles que devem herdar a salvação (Hb 1,14). Quanto mais elevadas as categorias dos anjos, tanto mais nos servem para considerar a grandeza divina de Jesus que, como Sabedoria do Pai, as concebeu e como Palavra as suscitou na potência do Espírito.

Em virtude da sua condição divina Jesus exerce uma função eficaz como Senhor da Igreja. A assembléia do povo de Deus estaria acéfala, não o tivesse como Cabeça, porque nele está toda a força regeneradora de uma humanidade decaída por causa do pecado. Com isso, é possível distinguir em Jesus duas naturezas, a divina e a humana. Em força da natureza divina, a da segunda Pessoa da Ssma. Trindade, a humanidade assumida pela Encarnação é capaz de todas as operações divinas em benefício dos seus irmãos. O primeiro ato do Verbo encarnado é o da reconciliação. O sacrifício oferecido sobre a Cruz foi o gesto único daquele que sendo Deus, pela sua humanidade pôde nos comunicar a plenitude do Espírito.

A análise do Hino (Cl 1,15-20) que nos faz ver todos os aspectos do Plano de Deus, em vista da divinização do homem, nos permite expressar uma reflexão agradecida diante dos imensos benefícios que a sua atuação nos propicia. Não é tanto a graça da redenção que nos comove quanto a dignidade que Deus nos concede, ao revelar, no Amado, pelo qual nos tornamos seus filhos adotivos, toda a sua Caridade, numa forma impensável e, portanto, surpreendente. O Deus, único existente, o Criador de tudo, conseqüente com a sua Bondade que sempre o impele a agir no Amor, não conhece limites na sua Sabedoria e Poder para propiciar à sua criatura, "criada à sua imagem e semelhança", portanto em condições de se tornar sua filha, a divinização, embora isso implique o dom do seu próprio Filho ao mundo (Jo 3,17). Também, antes mesmo de considerarmos o imenso dom a Redenção, nos surpreende a dignidade de Jesus que, enquanto atua a Profecia na condição de Filho do Homem, nos revela toda a sua "Glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade" (Jo 1,14). Diante da sua dignidade divina, tudo o que é indevida exaltação de qualquer que seja a criatura, deve desaparecer das nossas mentes. A respeito dos anjos, portanto, temos que lembrar o que diz o autor da Carta aos Hebreus: "Porventura, não são todos eles espíritos servidores, enviados ao serviço dos que devem herdar a salvação?" (Hb 1,14). O diz exatamente no fim da sua argumentação acerca de Jesus "abertamente constituído Filho de Deus com poder" (Rm 1,4). Temos que considerar, enfim, para depois apreciarmos todo o valor da nossa redenção, a dignidade daquele que se tornou o Senhor da Igreja. Mantida a sua condição divina, Jesus, assumiu a nossa condição humana para que, "levado à perfeição pelo sofrimento, coroado de honra e gloria" (Hb 2,9), tornado nosso Santificador, seja o Autor da salvação que no meio de nós, tornados seus irmãos, exalta o nome do Pai pelo Memorial da sua Morte, "em plena assembléia" (v.12). Levado por todas estas considerações, pelo seu hino Paulo expressa toda a sua consolação diante da Redenção que se realizou pelo Filho, o Amado. Os termos querem nos levar, necessariamente, ao quadro de Isaac imolado por Abraão, no Monte Moriá (Gn 22). À luz do tudo realizado, entendemos que quem doa o Filho em sacrifício, num desprendimento total, movido pelo seu amor sem limites para com os homens é Deus e que o verdadeiro sacrifício que Deus espera do homem é o obséquio da sua obediência e o reconhecimento da sua total dependência.

Perguntas para uma reflexão:

1) Quais são as prerrogativas divinas de Jesus neste hino?

2) Em que condição Jesus é o Senhor da Igreja?

3) Quais são os elementos do Plano que Deus realizou em Cristo Jesus?

Pe. Fernando Capra/CRSP
 
 
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