O líder se define de maneira essencial pela determinação
firme de conduzir, de canalizar o esforço solidário
de um grupamento humano, na consecução de um ideal comum,
portanto, quem possui a capacidade de liderança, trata, sobretudo,
de coadunar vontades e entusiasmos em torno de um projeto apreciável.
Porém, uma coisa é ter a capacidade de ser líder
e outra bem diferente é ser líder de fato. Muitos de
nós carregamos uma liderança embrionária, mas
para efetivar essas potencialidades, precisamos superar esse grande
percurso que vai do coração aos braços, do sentimento
às ações, das boas idéias às práticas.
O líder não nasce, faz-se. Mas, não se trata
de produzir um líder a toque de caixa, tal como na "Teoria
do Microondas", ou seja: "Introduza nele o senhor medíocre
e depois de quarenta segundos sairá dele, bem quentinho, Mister
Líder!". Não, é preciso lutar, trabalhar,
é necessário ir palmilhando o caminho das dificuldades,
dos contratempos e dos fracassos, assim, é que os ensinamentos
teóricos são necessários, mas não são
suficientes, para nos tornar líderes de uma hora para a outra,
nem tão pouco, meia dúzias de participações
nas Missas, no caso dos líderes pastorais.
Por outro lado, a liderança é necessária para
a subsistência de uma comunidade, seja ela pequena ou grande,
assim como, para a manutenção de sua ordem e eficácia.
Outra consideração importante a fazer sobre o desafio
de ser líder é com respeito à sedução
que certamente a função, seja onde for que a exerçamos,
pode nos causar; cabe portanto, ao líder não se deixar
seduzir pela comum e fácil tentação do "estrelismo".
Ser líder de uma determinada pastoral, não significa
subir a um pedestal de vaidade, exaltando o próprio ego; não
representa uma promoção ou uma honra. Pelo contrário,
ser líder implica ser um guia abnegado; a propósito,
abnegação é satisfazer as necessidades dos outros,
é morrer para si mesmo.
No campo da liderança pastoral, devemos voltar nosso olhar
sempre para o 'autor e consumador de nossa fé, Cristo Jesus`
(Hb 12, 2), pois Ele próprio nos disse ensinando-nos: "Não
vim para ser servido, mas para servir"(Mt 20, 28). Eis, portanto,
o nosso maior exemplo de liderança em todos os tempos.
Ser líder é pôr de lado sua vontade e necessidades
e buscar realizar o maior bem para os outros, sem deixar de primeiramente,
experimentar em si mesmo, o que deseja que seus liderados experimentem,
pois a coerência de suas ações e a sua autenticidade,
certamente arrastará muito mais do que suas palavras.
Hoje em dia é cada vez maior na Igreja a necessidade do bons
líderes, há na Igreja tanta necessidade de líderes
quanto de santos, pois se olharmos para trás, os nossos santos
ainda hoje são nossos maiores exemplos de liderança,
vale lembrar um São Paulo, que aprendeu a liderar com humildade
sofrendo terríveis perseguições; Santo Antônio
Maria Zacaria, um homem à frente de seu tempo, a Beata Madre
Tereza de Calcutá, João Paulo II, para ser mais atual,
e tantos outros. Homens e mulheres que revolucionaram sua época
e hoje ainda influenciam na fé, visto que contribuíram,
enormemente, para a formação do que temos hoje, na Igreja.
E você, que foi chamado para liderar um grupo, um movimento,
uma pastoral, um serviço na Igreja, chamado para contribuir
com a Igreja no cumprimento de seu papel de ser "O germe do Reino
de Deus" (Lumen Gentium Nº 5) e assim ajudar ao nosso Deus
na implantação de seu Reino entre nós, não
está animado a também fazer outro tanto ? A assumir
essa responsabilidade?
Fazer esta pergunta, me faz lembrar de um jovem tímido, chamado
Jeremias, que diante do chamado do Senhor, gaguejou temeroso e inibido,
como tantos outros personagens bíblicos que conhecemos, este
jovem se achava incapaz, se dizia ser uma criança; mas, o Senhor
o chamou, o tornou forte, invencível, dando-lhe poder sobre
todas as nações e caminhando com ele; assim foi que
Jeremias se converteu num verdadeiro líder do seu tempo, pois
soube dizer sim ao Senhor. Pensando nisso, você agora deveria
erguer-se decididamente e responder ao Senhor, com voz forte e destemida:
"Eis-me aqui Senhor, envia-me a mim" (Is 6, 8).
Mas, para que possamos canalizar nossas energias para tal finalidade
se faz necessário ao líder pastoral ou ao coordenador,
se assim preferir, possuir alguns requisitos, que à medida
que crescem em nós, vai configurando nossa personalidade de
líder. É desses requisitos, ou qualidades essenciais,
que tratarei no próximo artigo. Tenham todos um Santo e Feliz
Tempo Pascal.
Geraldo Magela |