Meus amados irmãos, nós temos vivido e experimentado
gradativamente tudo aquilo que Nosso Senhor revela nas Escrituras,
e isso para quem se despoja, abrindo o coração às
promessas, não há nada de mais gratificante e feliz.
Se pararmos para perceber, sempre existirão notícias,
boatos, falsos documentos, entre outros para denegrir o sacrifício
de Jesus, como este último, onde Jesus teria pedido a Judas
para entregá-lo. Ora irmãos, nada vai nos desestabilizar,
nada vai gerar dúvidas em nós, por conhecermos e amarmos
o Nosso Salvador e Libertador Jesus Cristo. Estamos em festa, cheios
da força de sua ressurreição, vivos no Senhor
que vence todos os seus inimigos e nos faz mais do que vencedores,
e isso para nós é motivo de alegria que supera as adversidades.
Dando continuidade ao nosso processo de conversão, nos deparamos
com mais uma promessa do Senhor, o derramamento abundante do Espírito
Santo. O Espírito Santo, a Terceira Pessoa da Trindade, foi
plenamente revelado por Jesus Cristo, quando Ele o enviou aos discípulos
no dia de Pentecostes, em Jerusalém, manifestando-se com "vento",
"ruídos", "estrondos" e "chamas de
fogo" (Ato 2, 1-13). Mesmo em meio aos temores, dúvidas
e vacilações, Deus não abandona os seus. E assim,
após a grande efusão do Espírito Santo, os discípulos
se tornaram corajosas testemunhas da fé, anunciando Jesus Cristo
a todas as nações e povos. Deus lhes conferiu poder
para dar conta do novo desafio que se colocava diante deles: anunciar
e viver a boa notícia até os confins da terra. Porém,
é interessante observar que, já no Antigo Testamento,
temos a força atuante do Espírito de Deus.
Em Ezequiel 37, 1-14, encontramos um precioso relato. O povo hebreu
se encontra no exílio, boa parte da população
fora dizimada, seja por fome ou peste, seja pela fúria dos
soldados.
Para os sobreviventes, levados cativos para o exílio na Babilônia,
o horizonte parecia fechado. Contudo, no vale de ossos do exílio
babilônico, não falta a esperança. O Senhor então
pergunta a Ezequiel: "Filho do homem, poderiam esses ossos retornar
à vida?" (v.3). A razão humana responde com um
decidido não.
Afinal, o que o profeta vê e experimenta neste vale é
o poder da morte, no entanto, o vale de ossos é justamente
a razão para a ação de Deus: "Vou fazer
reentrar em vós o sopro da vida para vos fazer reviver"
(v.5). A Palavra de Deus, na dor, no sofrimento, não deixa
de olhar para frente, não permite que lá adiante o horizonte
se feche. Evoca a esperança que precisa resistir desde o mais
profundo "vale dos ossos", secos e amargurados, despedaçados
e estraçalhados... E a profecia de Ezequiel é portadora
deste milagre. Não por ela mesma, não pela força
de suas análises e projeções, não pela
sabedoria e inteligência do ser humano, mas no vigor do Espírito.
A profecia é fruto e obra do Espírito e provém
da mão do Senhor. (v.1)
Em nosso dia-a-dia, tantas e tantas vezes o desespero se passa às
escondidas, em secreto, dentro das almas, dos corações,
dentro dos quartos, das cozinhas, nos porões, nos escritórios,
nos corredores das igrejas, das fábricas, dos colégios,
aliás, a maioria dessas crises nem chegam à luz do dia.
Permanecem atrás das situações do cotidiano,
submetendo-se ao destino e acabam desaguando em quartos escuros, em
choros, em momentos de profunda oração e adoração,
na presença de Jesus Eucarístico. Diante destas situações,
os donos do mundo procuram dar a impressão de que não
há mais saída e pregam a resignação. Porém
este tempo de Pentecostes e a Palavra do profeta Ezequiel fala o contrário:
Testemunham o poder do nosso Deus. Do Deus que está contigo,
comigo, com os sacerdotes, com a Igreja, enfim, do Deus que se manifesta
pela presença e na força do Espírito Santo. Do
Deus que faz a vida ressurgir de um vale de ossos secos. Do Deus que
é fiel e não abandona os seus.
Irmãos, É próprio do Espírito Santo agir
de forma diversificada no coração das pessoas, na vida
da Igreja e do mundo sem, contudo, prender-se ou limitar-se a pessoas
"privilegiadas", movimentos, grupos ou organização
religiosa. O Espírito Santo age onde, quando e como quer agir.
Ninguém pode arvorar-se no direito de ser representante exclusivo
da mensagem de Jesus Cristo. Nós somos frutos dessa ação
do Espírito Santo. Pessoas foram instrumentos da ação
do Espírito para nos proclamar a Palavra de Deus, assim, podemos
viver também da mesma promessa. Podemos viver e experimentar
a mesma confiança.
Sejam quais forem as circunstâncias, Deus é Senhor de
todas as coisas e podemos nos sentir guardados por Ele, afinal cada
um de nós é especialíssimo e único diante
dos seus olhos e dentro do seu coração.
Meus caríssimos irmãos, Deus se alegra em ver a sua
Igreja repleta de homens e mulheres de fé e vê-los crescendo
a cada dia em graça e em conhecimento, em meio a muitas dores,
aguardando com perseverança e fidelidade, o fiel cumprimento
de Sua Palavra a seus discípulos, de que não os deixariam
sozinhos e desamparados, como também lhes daria força
para que pudessem testemunhar ao mundo que Jesus é o Senhor
(Jo 14, 16-20.26; At 1, 5.8)
A toda Santa Igreja, um Feliz Pentecostes de profundas transformações
e amadurecimento da fé.
Ricardo da Liturgia das 10h
ricardomoyses@globo.com |