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"Que é pois o tempo? Quem poderá explicá-lo
clara e brevemente? Quem o poderá apreender, mesmo só
com o pensamento, para depois nos traduzir por palavras o seu conceito?
O que é por conseguinte o tempo? Se ninguém mo perguntar,
eu sei; se o quiser explicar a quem me fizer a pergunta, já
não sei." Santo Agostinho, em Confissões.
O tempo é muito interessante. Não posso segurá-lo,
também não posso explicá-lo. Nem muito menos
pará-lo.
Moisés, autor do Salmo 89, fala com propriedade do tempo.
Ele que nasceu em um tempo em que as crianças do sexo masculino
deveriam morrer, até aos 40 anos deixa a terra que foi criado,
indo se refugiar no deserto, e depois de mais 40 anos, é
chamado de volta ao Egito. E que ao sair de novo do Egito, passa
mais 40 anos no deserto peregrinando com o seu povo. Moisés
teve que aprender a conviver com o TEMPO, e dele tirar lições
preciosas para sua vida, e nos deixar este legado, pois todos os
nossos dias vão passando; acabam-se os nossos anos como um
suspiro. Nos versículos 10-12, assim nos diz as Escrituras:
"Setenta anos é o total de nossa vida, os mais fortes
chegam aos oitenta, na maior parte deles, sofrimento e vaidade.
Porque o tempo passa depressa e desaparecemos. Quem avalia a força
de vossa cólera, e mede a vossa ira com o temor que vos é
devido? Ensinai-nos a bem contar os nossos dias, para alcançarmos
o saber do coração".
O tempo não pára. Citando mais uma vez Santo Agostinho:
"De modo que existem dois tempos o passado e o futuro -, se
o passado já não existe, e o futuro ainda não
veio. Quanto ao presente, se fosse sempre presente, e não
passasse para o pretérito, já não seria tempo,
mas eternidade." Isso mesmo: O tempo não pára.
O tempo passa e nós desaparecemos. Moisés sabia muito
bem o que era isso. O tempo não parou para ele. Quando ele
voltou do deserto para libertar a nação de Israel,
ele não tinha mais aquele vigor dos 40 anos, mas tinha a
experiência da vida.
Irmãos, nossa vida é muito breve e não podemos
fazer muito para que isso mude. Isso faz dele, do tempo, CRUEL e
BENÉFICO; CRUEL, no sentido que não podemos ter domínio
sobre ele, e BENÉFICO, porque ele cura todas as nossas feridas...
Ele é Único, não se repete. Reparemos o que
acima nos disse Santo Agostinho: Quanto ao presente, se fosse sempre
presente, e não passasse para o pretérito, já
não seria tempo, mas eternidade. É, o tempo não
se repete. O que estamos vivendo hoje, não será vivido
amanhã. As oportunidades são únicas. Podemos
até ter uma outra chance, mas com certeza os resultados e
conseqüências não serão iguais aos se porventura
tivéssemos tomado a decisão, ou agido na primeira
oportunidade. Agora, já não somos mais os mesmos do
início desta reflexão. O Tempo é único,
e por isso mesmo especial. Ele é Precioso. Por ser único,
e não parar, e por ser veloz, ele é precioso. E o
Salmista Moisés nos orienta: Ensinai-nos a bem contar os
nossos dias, para alcançarmos o saber do coração.
Aí está a preciosidade do Tempo. Podemos alcançar
a sabedoria sabendo contar os dias, aproveitando o tempo que o Senhor
Eterno nos dá como diz o Apóstolo Paulo em Efe 5,
15-16: "Vigiai, pois, com cuidado sobre a vossa conduta: que
ela não seja conduta de insensatos, mas de sábios
que aproveitam ciosamente o tempo, pois os dias são maus".
Sim, contar bem os dias, remir o tempo é aproveitar bem,
é usar bem cada oportunidade que Deus nos dá.
Irmãos, como temos usado este tempo que Deus tem nos concedido?
Temos usado no serviço ao próximo, ou apenas para
satisfazer nossas próprias necessidades? E há como
recuperar este tempo, se porventura nós o desperdiçamos?
Realmente não há como recuperá-lo, mas há
a possibilidade de começarmos a fazer do nosso tempo uma
bênção para nós e para o nosso próximo.
Pensemos com carinho nesta possibilidade.
Que neste novo tempo de Pentecostes, onde a Igreja é inundada
pelo Espírito Santo, que nós possamos abrir o nosso
coração para sermos repletos da graça divina
e assim remirmos essa perda com a ajuda de Deus para sermos sábios,
e usarmos com propriedade este tão precioso bem, O TEMPO,
em tudo aquilo que estivermos prontificados a fazer e em qualquer
circunstância de nossa vida, com a nossa experiência
de vida, com a nossa maturidade na fé, dentro ou fora da
Igreja, visando apenas servir ao Senhor na pessoa dos nossos irmãos.
Um Santo e Feliz Pentecostes!
Ricardo da Liturgia das 10h - ricardomoyses@globo.com
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