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"A estratégia que se esconde por trás do aborto"
Uma das questões que sempre permeou os debates parlamentares não
somente no congresso, mas também nos principais veículos de comunicação
é a terrível iniciativa da legalização do Aborto em nosso País.
O curioso da discussão é que os defensores dessa prática quase sempre
tentam desumanizar o ato não considerando a ótica da vida que é
ceifada, neste caso da criança que perde o direito de nascer, e
também das conseqüências físicas e psicológicas que o aborto causa
na mãe. Tudo isso é deixado de lado quando os defensores da legalização,
defensores esses existentes em todas as bandeiras partidárias, assumem
uma postura crítica frente à legislação brasileira. Porém, não é
este importantíssimo debate que me motivou a escrever a coluna deste
mês.
Conforme consta em todos os belíssimos documentos gerados pela CNBB
que tratam dos temas ligados à política, o papel de um mandatário
que pauta a sua atuação nos princípios do Evangelho não pode se
restringir apenas na questão do aborto. Os pontos ligados a ética
e a promoção do bem comum também devem ter a mesma relevância e
importância na atuação de um mandatário. E é exatamente aí que "mora
o perigo".
Alguns irmãos católicos utilizam como único critério para julgar
um mandatário, principalmente na época das eleições, a sua postura
frente a possível legalização do aborto. E isso é tão ruim quanto
não utilizar critério nenhum. Vejamos, por exemplo, o que têm feito
alguns deputados federais (obviamente com a clara preocupação de
não citarmos nomes) que ocupam atualmente importantes posições no
cenário político nacional: Defendem energicamente a proibição do
aborto alegando, inclusive, o seu comprometimento moral com a igreja
católica. Entretanto, eles também defendem com a mesma energia e
sem o menor pudor o aumento de subsídios para os deputados federais,
o vergonhoso aumento das verbas de gabinete e a nomeação descarada
e ao mesmo tempo absurda de parentes em cargos de confiança (o tão
nefasto quanto famoso nepotismo). Com essas atitudes, eles deixam
claro que a promoção do bem-comum vem em terceiro ou quarto plano.
Em primeiro lugar, está o seu interesse particular. Infelizmente,
apesar do seu compromisso em votar contra a legalização do aborto,
esse tipo de mandatário precisa ser banido urgentemente da política.
A sua atitude é tão ambígua quanto interesseira e oportunista. Como
pode um parlamentar se dizer católico e não ter a menor vergonha
em aumentar os gastos no congresso nacional por interesse próprio
e particular quando o nosso direito de acesso à saúde e educação
públicas de qualidade está sendo desrespeitado? Como podemos permitir
calados e inertes que esse tipo de parlamentar conduza os rumos
da política nacional para atender aos seus insaciáveis desejos pessoais
em detrimento da promoção inequívoca do bem-comum?
Perdoem-me queridos leitores se fui agressivo ou duro, mas eu tenho
vergonha de assistir calado a essa triste cena em que além de pautar
o seu comportamento nestes atos que ferem não somente a ética, mas
também ao decoro, esse tipo de mandatário ainda por cima se diga
católico e, segundo as suas palavras, católico praticante.
Está mais do que na hora de nós, católicos de fato, mostrarmos que
a atuação de um parlamentar vai muito além do que simplesmente se
posicionar contra o aborto. Se não fizermos isso, correremos o risco
de ver todo o belo trabalho de formação e conscientização política
construído pela CNBB e por diversas dioceses, virar coisa de museu.
Um forte abraço a todos e a Paz de Cristo!
Robson Campos Leite
Email : feepolitica@terra.com.br
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