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O nosso sacerdócio régio e santo | MAIO

Caríssimos irmãos, a Paz de Nosso Senhor Jesus Cristo Ressuscitado!

Deus é comunhão e a Igreja é chamada a ser koynonia. Este é o conteúdo concreto da salvação. Sendo assim, cada um de nós, que formamos a Comunidade, tem acesso à reconciliação que o Pai realiza com o mundo. Como já sabemos e não podemos jamais esquecer a nossa comunhão é com o Pai e com o seu Filho Jesus Cristo (I Jo 1, 3). Sendo comunhão, ela é sinal e instrumento da vida divina comunicada a todos os povos. Tudo na Igreja deve expressar a comunhão que é sua natureza mais íntima, não apenas interna como se fosse um clube, mas profecia em meio a um mundo de competição e desigualdade. É comunhão em um mundo de excomunhão. Ela só pode ser essa presença viva se for apresentada como "serviço ao mundo".

Numa Igreja que viva a comunhão, só existe um ministério. O Novo Testamento o denomina "Diaconia", serviço. A Igreja precisa e tem que ser antes de tudo servidora. E aí podemos concluir que o preeminente ministério na Igreja é o ministério do serviço libertador e da promoção humana, isto é, a natureza da Igreja de Jesus Cristo é servidora do povo e testemunha de Cristo, que não veio para ser servido, mas que veio para servir, fazendo com que todos tenham vida e vida em abundância. O principal ministério da Igreja é o serviço à vida. Se toda Igreja é serviço, esse serviço tem diversas modalidades e expressões: alguns de coordenação e outros de base, mas todos ligados ao serviço do sacerdócio comum de todos. O sacerdócio real de todos os cristãos é ponto central da Bíblia e podemos ver algumas passagens que mencionam explicitamente o sacerdócio de cada cristão, o meu e o de cada um de vós. Vejamos o que nos diz o Livro do Apocalipse capítulo 1, versículos 5b e 6: "Aquele que nos ama, que nos lavou de nossos pecados no seu sangue, e que fez de nós um reino de sacerdotes para Deus e seu Pai, glória e poder pelos séculos dos séculos! Amém." Na Primeira Carta de Pedro 2, 4.5.9: “Chegai-vos a Ele, pedra viva que os homens rejeitaram, mas escolhida e preciosa aos olhos de Deus; iguais outras pedras vivas, vós também os tornais materiais deste edifício espiritual, um sacerdócio santo, para oferecer vítimas espirituais, agradáveis a Deus, por Jesus Cristo. Vós, porém, sois uma raça escolhida, um sacerdócio régio, uma nação santa, um povo adquirido para Deus, afim de que publiqueis as virtudes dAquele que das trevas vos chamou à sua luz maravilhosa”. É um texto central, porque se refere à proposta da aliança, onde Deus diz em Exo 19, 5: "Agora, pois, se obedecerdes à minha voz, e guardardes minha aliança, sereis meu povo particular entre todos os povos.. Toda terra é minha, mas vós me sereis um reino de sacerdotes e uma nação consagrada".

Amados irmãos, talvez nunca tenhamos atentado para este chamado de reflexão, mas certamente já cansamos de ouvir que pelo batismo somos "sacerdotes, profetas e reis". Ser reino de sacerdotes significa ser "espaço ou comunidade de reis". Outro texto das Escrituras diz em Isa 43, 21: "O povo, que formei para mim, contará os meus feitos". Será que temos dúvida se fazemos parte desse povo ou não? Ora, somos batizados e as Escrituras têm em suas linhas uma Palavra Viva e Atual, e para nós. Irmãos, celebrar é tarefa sacerdotal, mas saibamos que esta é a nossa função. Já ouvimos dos próprios sacerdotes (padres) que eles não celebram a missa, mas que ela é celebrada pela Comunidade. Fazemos parte da Comunidade? Então precisamos celebrá-la sempre com muito mais amor, fervor e entusiasmo. Se quisermos viver uma fé baseada na aliança com Deus, a compreensão do sacerdócio deve mudar totalmente. Todos somos sacerdotes. Todo o povo é eleito na qualidade de reino de sacerdotes. Sen-do uma Comunidade onde todos somos reis, a única forma de viver a aliança é sermos sacerdotes de Deus no mundo.
Essa proposta de Deus nunca foi totalmente compreendida. O sentido desse sacerdócio é viver uma vida nova, guiada pelo Espírito Santo, oferecendo à humanidade testemunho da Presença Real de Jesus. Esse é o nosso sacrifício espiritual. Fomos todos batizados, selados e revestidos por Deus, homens e mulheres, eu e vocês, não existem mais diferenças entre judeu e grego, escravo ou livre, homem ou mulher, mas somente Cristo, que será tudo em todos (Col 3, 10.11). Os cristãos não são profanos, excluídos do serviço do santuário, mas por meio do próprio Jesus são sacerdotes porque têm o poder de anunciar esta intimidade com Deus e testemunhá-la em sua vida. Essa deve ser a novidade da nossa ressurreição e que nos deve encher de alegria: Todas as Comunidades e todos os leigos estão habilitados por Jesus Cristo, a serem os co-responsáveis pela Igreja. Bispos e Padres pertencem a este povo como batizados e consagrados e não como únicos responsáveis.

Só se compreende que toda a Igreja é ministerial e o presbítero é ordenado na Comunidade e em função desta, se se aprofunda a eclesiologia de uma Igreja que é comunhão e Comunidade concreta.

O prebisterato é vocação comunitária e sempre deve ser exercida com o propósito de animar a Comunidade, de ser conselheiro e de formar os cristãos. Alguém só é padre para os outros, é ordenado para servir aos irmãos, para ajudar o mundo a se descobrir sacerdote. E nós, amados irmãos, abramo-nos a esta descoberta ou a esta redescoberta quem sabe, e sejamos como os padres, movidos pelo Amor de Deus, cheios de compaixão e deixemos aquela pergunta do Senhor, fazer eco dentro de nós: "Simão, filho de João, amas-me mais do que estes?" (Jo 21, 15). Hoje é para nós que Ele pergunta. Mesmo conhecendo o nosso coração, Ele quer ouvir dos nossos lábios: "SIM, SENHOR, TU SABES QUE TE AMO". E certamente nos dirá: "APASCENTA OS MEUS CORDEIROS". Eis aí a nossa missão de sacerdotes! E como diziam os padres, podemos refletir e nos engajar: "Quanto maior é o amor, tanto maior é a participação no sacerdócio de Jesus Cristo". Que seja este o grande combustível para que todos nós possamos exercer com muito carinho essa missão a nós por Deus confiada.

Deus conta comigo e contigo! Um forte abraço e um santo sacerdócio!

Ricardo da Liturgia das 10h - ricardomoyses@globo.com
 
 
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