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Ascensão e a Comunicação | MAIO

Jesus subiu ao céu. E como ficam as coisas aqui na terra? Devemos ser as suas testemunhas. Que fazemos para isso?
O relato daquilo que celebramos encontra-se na primeira leitura (Atos 1, 1-11): depois das últimas instruções aos discípulos, Jesus foi, diante dos olhos deles, levado ao céu, para partilhar a glória de Deus. Os donos deste mundo jogaram Jesus lá embaixo (se não fosse José de Arimatéia a sepultá-lo, seu corpo teria sido jogado na vala comum...). Mas Deus o colocou lá em cima, "à sua direita". Deu-lhe o "poder", e Jesus exercerá esse poder sobre o universo não só como "Filho do Homem" no fim dos tempos (cf. Marcos 14, 62), mas, desde já, através da missão universal da Igreja. E nós participamos desse poder, pois Cristo não é completo sem o seu "corpo", que é a Igreja (Efésios 1, 17-23). Com a ascensão de Jesus começa o tempo para anunciá-lo como Senhor de todos os povos. Mas não um senhor ditador! Seu "poder" não é o dos que se apresentam como donos do mundo. Jesus é o Senhor que se tornou servo e deseja que todos o imitem nisso, como discípulos. Mandou que os apóstolos fizessem de todos os povos discípulos seus (evangelho, Mateus 28, 16-20). Nessa missão, ele está sempre conosco, até o fim dos tempos.

O testemunho cristão, que Jesus nos encomenda, não é triunfalista. E o fruto da serena convicção de que, apesar de sua rejeição e morte infame, "Jesus estava certo". Essa convicção se reflete em nossas atitudes e ações, especialmente na caridade. Assim, na serenidade de nossa fé e na radicalidade de nossa caridade, damos um testemunho implícito. Mas é indispensável o testemunho explícito, para orientar o mundo àquele que é a fonte de nossa prática, o "Senhor" Jesus.

A idéia do testemunho levou a Igreja a fazer da festa da Ascensão o dia dos meios de comunicação social - a "mídia": imprensa, rádio, televisão, Internet. Para uma espiritualidade "ativa", a presença ativa na mídia constitui uma missão da comunidade eclesial, especialmente dos leigos. Onde existem cristãos, deveria ser automática sua atuação nesse ambiente. Como é possível que num país tão "católico" como o nosso haja tão pouco espírito cristão na mídia, e tanto sensacionalismo, consumismo e até militância maliciosa em favor da opressão e da injustiça?

Ao mesmo tempo, para a espiritualidade mais "contemplativa", o dia das Comunicações Sociais enseja um aprofundamento da consciência do "senhorio" de Cristo. Deus elevou Jesus acima de todas as criaturas, mostrando que ele venceu o mal por sua morte por amor, e dando-lhe o poder universal sobre a humanidade e a História. Por isso, a Igreja recebe a missão de fazer de todos os homens discípulos de Jesus.

Para aprofundar
A "mídia", de modo geral, corresponde aos critérios cristãos? Podemos simplesmente injetar temas e eventos cristãos na mídia, ou devemos criar uma mentalidade nova?

Padre Johan Konings, SJ
 
 
VEJA NO MÊS DE MAIO/2004:

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