Queridos irmãos, a Graça e a Paz de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo!
Com muito júbilo e alegria a Igreja dedica duas grandes Festas ao Sacramento da Eucaristia, a primeira na Quinta-Feira Santa, quando comemoramos a instituição deste sacramento, e a segunda, a Solenidade de Corpus Christi, que é sempre comemorada na primeira quinta-feira após o Domingo da Santíssima Trindade. Depois de estarmos cheios do Espírito pela graça de Pentecostes, possamos celebrar a Festa do Esposo que habita em nós e entre nós. A Festa de Corpus Christi é constituída de dois grandes momentos: a celebração da Santa Missa e a Procissão Eucarística. Como preparativo para a procissão é ato tradicional se revestirem as ruas das cidades com os tapetes de flores. Nos dois momentos dessa Festa, nós demonstramos uma imensa alegria; afinal, estamos vivenciando uma Festa de louvor e de ação de graças. Podemos assim nos lembrar das palavras do Papa Bento XVI, citadas no livro Joseph Ratzinger, uma biografia: “Ainda sinto o aroma dos tapetes de flores e ramos de bétula frescos, os adornos nas janelas das casas, os cânticos, os estandartes; ainda ouço os instrumentos de sopro que se atreviam a mais do que eram capazes; e ouço o ruído dos fogos de artifício com que os rapazes exprimiam a sua barroca alegria de viver; mas ao mesmo tempo saudavam a presença de Cristo no povoado como se fosse uma autoridade vinda da cidade, como a autoridade suprema, como o Senhor do mundo”.
Lembremo-nos da Mãe do Senhor, Maria Santíssima, que depois do seu consentimento, fica grávida de Jesus e é invadida por uma alegria profunda e intensa, que depois de permanecer durante alguns momentos em silêncio, agradecendo e adorando, sente a necessidade imperiosa de comunicar sua imensa alegria aos outros. Aquela que se definiu a si mesma como "a serva do Senhor" é apresentada como protagonista do relato da visita a Isabel. Ela é o sujeito dos quatro verbos dos dois primeiros versículos: "Pôs-se a caminho", "foi com toda pressa", "entrou na casa de Zacarias", "saudou Isabel". O verbo "pôr-se a caminho" tem em Lucas o significado teológico de disponibilidade e obediência aos planos de Deus. A expressão "apressadamente" não quer descrever o estado psicológico de Maria, nem acentuar, primária e diretamente, a presteza externa com que parte, o que o evangelista quer sublinhar é a atitude interior de fé e de obediência de Maria. Sua "pressa" está dinamizada pelo fervor interior, pela alegria e, sobretudo, pela fé. Maria parte para as montanhas de Judá, não para verificar o que lhe foi dito pelo anjo, mas movida pelo desejo de ver o que Deus operou em Isabel, para congratular-se com ela, para com ela partilhar a graça que ela própria recebeu e para ajudar sua parenta nos últimos meses da gravidez. Embora estivesse em missão, toda a sua atenção estava voltada para o "Filho do Altíssimo" que carregava no seu seio. E aí vai o mais lindo, podemos dizer, portanto, que a viagem de Maria de Nazaré até as montanhas da Judéia foi "a primeira procissão do Corpus Christi". O corpo da Virgem de Nazaré foi o ostensório vivo que carregou pela primeira vez o Corpo de Cristo, ostensório mais precioso que todos os que serão confeccionados em todas as gerações, de ouro e de pedras preciosas, pelos mais famosos artesãos ou ourives deste mundo. Em meio ao que acabamos de ler, reflitamos sobre um pouco sobre a nossa vida. Se crermos que Jesus Ressuscitado está dentro de nós, como estará a nossa atenção em relação a esse precioso tesouro? A partir da experiência de termos sido agraciados por Deus, ficaremos fechados em nós mesmos ou faremos como Maria, e sairemos para proclamar as maravilhas que Deus operou em nós? Irmãos precisamos ir ao encontro dos outros para partilhar com eles nossa alegria e para nos alegrar com as bênçãos que eles receberam. Em outras palavras, quem experimentou a presença do Salvador, não O guarda só para si; leva-O aos que estão longe, leva-O aos que estão esperando por Ele, mesmo que o caminho seja longo e ainda que seja necessário enfrentar toda sorte de dificuldades e obstáculos. Como filhos de Deus, precisamos testemunhar o nosso amor a Jesus Sacramentado Vivo e Presente na hóstia consagrada, professando que o nosso coração é Tabernáculo do Altíssimo e, graças aos frutos da Eucaristia, fazemos parte deste grande mistério, nos assumimos como Igreja, membros do Corpo Místico de Cristo. A Festa de Corpus Christi é a nossa festa! É a Festa dos adoradores do Cristo Eucarístico! E adorar é o primeiro ato da virtude da religião. Adorar a Deus é reconhecê-lo como Deus, como o Criador e o Salvador, o Senhor e o Mestre de todas as coisas, o Amor infinito e misericordioso. “Adorarás o Senhor teu Deus, e só a ele prestarás culto” (Lc 4, 8). Adoremos, adoremos com todo fervor a Jesus, presente na figura do pão, durante a celebração, mas também pelas estradas e ruas onde o Senhor estiver exposto, não tenhamos vergonha daqueles que censuram, daqueles que nos taxam de idólatras. Não tenhamos dúvidas de que somos adoradores, e adoramos em espírito e em verdade, mas que também como Maria, somos preciosos cibórios, ostensórios, tabernáculos e sacrários vivos do Senhor!
Como convidados de honra desta festa, adoremos ao Cristo Eucarístico, Senhor e Salvador do mundo, que habita em nós, pelos que não crêem pelos que não adoram e pelos que não amam, com muito amor e gratidão.
Abraços fraternos!
Ricardo da Liturgia das 10:30h
ricardomoyses@globo.com
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