- Apocalipse 3 (1)
Divisão
Este livro pode apresentar várias divisões de acordo com a maneira que o vemos.
De saída, podem-se distinguir duas grandes seções:
A seção profética, que se apresenta sob a forma de “carta às Igrejas” 1,9-3,22.
A seção estritamente apocalíptica (4,1 22,5). Esta parte é mais extensa e complexa pela estrutura e simbolismos empregados, encontra-se globalmente o esquema habitual das evocações apocalípticas: os prelúdios do fim dos tempos (6,1-11,19), as provações imediatas e a grande confrontação (12,1-20,15), o cumprimento e a manifestação final ( 21,1-22,5).
Uma outra divisão seria feita em três partes:
1 parte: 1-3 A Igreja encarnada. Estas cartas às “sete Igrejas”, quer dizer, através de comunidades determinadas, a toda a Igreja, são um “exame de consciência”.
2 parte: 12 20 - A Igreja engajada. Após ter definido a relação da Igreja com Israel (o povo judeu) (4-11), João nos mostra a Igreja em luta com os poderes humanos totalitários.
3 parte: 21 22 A Igreja transfigurada. Explode a alegria: “Eis que renovo o mundo!” exclama Deus. Vislumbra-se o termo desta história de amor: a Igreja, noiva de Deus, purificada pelo Cristo, esta ornada com as maravilhas que ele lhe dá.
Ainda uma outra seria
1,1-3 Prólogo. Apresenta-se o livro e o autor.
1,4-3,22 - Sete cartas às Igrejas da Ásia.
4,1-22,15 Visões escatológicas
4-5 - Visão introdutória.
6,1-8,1-6 O Cordeiro abre os selos.
8,7-11,19 As sete trombetas. As duas testemunhas.
12,1-17 Visão da Mulher e do dragão.
13,1- 18 As bestas que recebem poder da serpente.
14,1-5- Os resgatados do Cordeiro.
14,6-20- Anuncio e imagens do juízo.
15,1-16,21 As sete taças com as sete pragas.
17,1-18,24 Descrição dos poderes do mal: a prostituta, Babilônia e a besta.
19,1-10 Cantos de triunfo entre os salvados.
19,11- 20,15 Extermínio das nações pagãs.
19,11-21- 1 combate: é derrotada a besta.
20,1-6 Mil anos de reinado de Cristo e dos Seus.
20,7-10 2 combate: é derrotado Satanás.
20,11-15 Juízo final sobre vivos e mortos.
21,1-22,15- Instauração dum mundo novo. A Jerusalém celeste.
22,16-21 Conclusão. Dialogo entre Jesus e a Igreja. Advertências ao leitor e despedida.
Aspectos Doutrinais
O núcleo doutrinal do Apocalipse está constituído pela segunda vinda do Senhor- a Parusia _ e o estabelecimento definitivo do Seu Reino no fim dos tempos. A exposição desta verdade inclui diversos conteúdos.
Deus
João define a Deus como sendo “Aquele que é, que era e que vem” (Ap 1,4), frase já existente na literatura judaica como uma explicação do nome de Yahweh “Eu sou Aquele que sou”, revelado a Moisés (Ex 3,14). E explica por que Deus é também “o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim” (Ap 1,18; 22,13). Com estas palavras, ensina-se a transcendência e domínio absoluto de Deus. O alfa é a primeira letra do alfabeto grego, e o ômega, a ultima; dessa maneira o autor sagrado quer expressar, dum modo gráfico, que Deus é o princípio donde todas as criaturas recebem o seu ser, pois pela Sua vontade o que não existia foi criado: “...porque criaste todas as coisas; foi pela Tua vontade que elas existiram e foram criadas” (cf. Ap 4,11).
Deus é, pois, eterno e imortal vive desde sempre e para sempre. Também é o Pantocrátor, o Todo Poderoso, com um poder absoluto e único ao qual tudo esta submetido. Deus é o Senhor da História e nada escapa à Sua providência divina; é Pai justo e veraz que Se entregará a Si mesmo como herança do vencedor: “Eu serei para ele Deus, e ele será para mim filho” (Ap 21,7). No fim, o Seu poder criador e o Seu amor infinito levarão Deus a restaurar tudo e a criar um mundo novo (cf. Ap 21,5).
Deus criador e senhor de todas as coisas aparece no Apocalipse especialmente como o Onipotente, o Todo Poderoso (Ap 1,8; 3,8) e não como o Misericordioso, qual aparece no Evangelho. Dado ao objetivo do autor reanimar os fiéis nos momentos de luta nada existe de mais eficiente do que garantir a sua mensagem com o poder absoluto de Deus sobre o universo. Se o Apocalipse é uma mensagem de esperança, a onipotência de Deus lhe é fundamento. O destino dos homens e do mundo encontram-se, de fato, “à direita daquele que esta sentado no trono” (Ap 5,1).
Por último, Deus é apresentado como Juiz universal e inapelável, a cujo juízo ninguém poderá escapar (cf. Ap 20,12) Não obstante, no fim dos tempos prevalecerá o Seu amor infinito, com que fará novas todas as coisas (Ap 21,5) e já não haverá noite, pois a Luz divina brilhará para sempre (Ap 22,5), nem dor nem lágrimas, porque o mundo velho passou.
Continua |