Prólogo (1,1-17)
1,1-7 Saudação
Paráfrase. Paulo se considera, na Igreja, um entre os servos de Jesus Cristo, não somente porque foi conduzido à obediência da fé, à semelhança de todos os outros fiéis, ele, pelo próprio Jesus que perseguia, os outros, pela pregação do evangelho para a conversão, mas porque, também, considera a tarefa do apostolado um serviço que ele deve exercer em prol da Igreja, para a sua salvação. Ele foi segregado para o apostolado para anunciar o Evangelho de Deus, isto é o Mistério de Deus, preanunciado pelos profetas nas Sagradas Escrituras, o Filho, da estirpe de Davi, segundo a carne, manifestado abertamente Filho de Deus com poder, pela ressurreição dos mortos, para santificar os fiéis no Espírito, na condição de Senhor da Igreja, Jesus Cristo, o Senhor nosso. Foi por ele que lhe foi concedida a graça e a função de apóstolo para que seja anunciada a fé no seu Nome a todos os povos, entre os quais estão os fiéis da igreja de Roma, que devem se considerar vocacionados de Jesus Cristo. Paulo deseja para eles a graça e a paz por parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo.
Comentário. Estamos diante de uma saudação meticulosamente estudada em cada palavra. Ela consegue apresentar, em síntese, a condição de Paulo em relação aos fiéis da igreja de Roma e o conteúdo do Evangelho que ele quer a eles anunciar para que, por ele, cresçam na santidade. O Cristo de Deus é o Mistério que o Apóstolo quer anunciar, do qual falam as Escrituras, e que a ressurreição revelou de condição divina, Princípio de santificação dos seus fiéis, no Espírito, na condição de Cabeça da Igreja e de Mediador.
1,8-17 Esclarecimentos.
Paulo tem consciência da sua vocação a ponto de considerar sua a obrigação de cultivar a fé da comunidade de Roma, sobretudo porque foi chamado por Deus para ser apóstolo dos gentios. Por isso chega a pedir a Deus, nas suas orações, a graça de poder ir até Roma para experimentar o conforto espiritual, que pode dar e receber, pela fé que tem em comum com os fiéis daquela comunidade, através da recíproca exortação que a reflexão sobre a Palavra da Verdade oferece.
Na condição de Apóstolo, Paulo nos ensina que o “Evangelho de Deus”, “Palavra da Verdade” e “Anúncio do Mistério que é Cristo, riqueza da Glória”, nos conforta, porque promove a “justiça da fé para a fé” (v.17) pelo “dom espiritual” (v.11) que dele podemos colher quando sobre ele refletimos. Ele é “força de Deus para a salvação de todo aquele que crê, em primeiro lugar do judeu” (v.16). A ação do Evangelho é a ação de Cristo Jesus o qual, tendo-se tornado o Senhor da Igreja, possuidor do Espírito de santificação, nos faz passar de glória em glória (2Cor 3,18: “ E nós todos que refletimos como num espelho a glória do Senhor, somos transfigurados nessa mesma imagem cada vez mais resplandecente, pela ação do Senhor, que é Espírito”). Trata-se de uma ação que tem o seu princípio na Morte de Cruz redentora, da qual Paulo não se envergonha porque é reveladora, “para aqueles que são chamados, tantos judeus como gregos, do Poder de Deus e da Sabedoria de Deus” (1Cor 1,24).
Notamos que Paulo, embora se dirija aos gentios, logo de início lembra os judeus “dos quais descende o Cristo, segundo a carne” (9,5). A lembrança das prerrogativas do judeu que abraça a fé, lhe servirá para ilustrar aos fiéis de Roma a preciosidade da “graça”. Na verdade, Paulo não quer polemizar, quer, simplesmente, afirmar que, agora, caiu o muro da separação e que todos, “tanto judeus como gregos”, são chamados a ser edificados sobre o único fundamento que é Cristo, seja os que foram chamados num primeiro momento como os que são chamados em virtude da pregação apostólica.
Perguntas para uma reflexão:
1ª) Qual é, em resumo, o conteúdo do Evangelho de Deus?
2ª) Qual é a graça que ele produz quando sobre ele meditamos?
3ª) Por que Paulo lembra o judeu de forma específica quando fala da Salvação?
Pe. Fernando Capra/CRSP |