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Apocalipse (10)

O Senhor das igrejas na glória do Céu (Ap 4-5)

O mesmo Jesus que, na primeira visão, apareceu a João na condição de Glória de Iahweh, o Filho do Homem que realiza em si a figura de Ez 1,26-28, se revela, em uma segunda visão, sentado com o Pai no mesmo trono e recebendo a mesma adoração. Tem o aspecto de uma pedra de jaspe e cornalina: pedras que estão a indicar a condição humana que a Glória de Iahweh assumiu pela Encarnação e que foi glorificada pela imolação de Cruz. Em Ap 19,11-16 temos uma descrição análoga e complementar: o Verbo de Deus aparece num “cavalo branco” e “veste um manto embebido de sangue”. Ambas as descrições qualificam Jesus Cristo apresentado na condição de Cordeiro imolado que venceu, ao qual o Pai entrega todo poder de julgar (5,7). João aproveita, também, as imagens que Ez 1 utilizou para descrever as atividades da Glória de Iahweh, para falar de Jesus Cristo segundo a sua condição divina e enquanto é a Expressão do Ser de Deus: “No meio do trono e ao seu redor estavam quatro seres vivos, cheios de olhos” (Ez 1,5.21). Ao Pai e a Ele a corte celeste presta a sua adoração, lidada pelas ordens sacerdotais, como numa liturgia no templo. É celebrado, pelo triságion, o Deus único nas pessoas do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

A partir desse momento, João começa a tratar a questão dos mártires. Quem fará justiça aos que deram testemunho da Palavra e resistiram até a morte para dar testemunho de Jesus Cristo? Símbolo da justiça que será feita é o Livro que Deus entrega ao Cordeiro imolado, que se apresenta vitorioso.
Enquanto o Livro é aberto, ele indica de que forma a justiça é feita. O Juiz é Jesus Cristo, a quem Deus entrega todo poder porque é o Verbo de Deus que se fez carne e se imolou. É o Filho que o Pai glorificou e constituiu Rei dos reis e Senhor dos senhores, que rege as nações com cetro de ferro. O Leão da tribo de Judá, o Rebento da estirpe de Davi que venceu, é o vingador dos mártires. Ele julgará a Cidade terrena “que se chama também Babilônia e Egito, onde também o Senhor delas foi crucificado” (11,8), e a destruirá, enquanto os mártires serão glorificados. Então, a estes dará o refrigério e os levará às pastagens eternas onde se abeberarão às águas cristalinas do Espírito.

Na Liturgia celeste, toda a adoração prestada Àquele que está sentado no trono tem, a partir do momento em que Jesus julga o mundo em virtude do poder que Deus lhe deu, a sua motivação no Cordeiro imolado, “conhecido antes da fundação do mundo, mas manifestado, no fim dos tempos” (1Pd 1,20).

Daqui para frente, os hinos que exaltam a vitória de Deus e do Cordeiro voltam a se repetir. Aquilo que a corte celeste celebra inspira até o canto que a Igreja canta ainda na terra, porque sabe que, associada a Jesus Cristo na sua Morte, já vive a sua condição de triunfo (1,9).

Perguntas para uma reflexão:

1ª) Qual é a relação da visão da Glória de Iahweh em Ez 1 com a visão de Jesus Cristo na glória do Céu?

2ª) Quem é que recebe o poder de julgar?

3ª) Por que a Igreja, na terra, canta o mesmo hino dos mártires no Céu?

Pe. Fernando Capra/CRSP

 
 
 

VEJA NO MÊS DE JUNHO/2008:


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