Caríssimos irmãos, quero agradecer aos meus queridos irmãos da Ação Social pela forma elogiosa que sempre denotaram à minha pessoa e que é recíproca e verdadeira. Uma vez observando o Frei Clemente em um dos seus preciosos escritos, disse: Hoje a grande pergunta não é se Deus existe ou não. O problema maior é senti-Lo ou não senti-Lo. Mas como sentir Deus no meio do nosso mundo tão complexo, tão injusto, tão violado, em meio diante de ameaças constantes à nossa vida? Sempre anunciamos o Deus da Vida, o Deus da Felicidade, o Deus da Aliança e do Amor, o Deus da Justiça e da Misericórdia, o Deus do Perdão, o Deus da Fortaleza, o Deus da Sabedoria, o Deus da Ternura infinita, porque o temos experimentado em nossas vidas. Não se trata de idéias bonitas, mas da mais bela, gloriosa, estupenda realidade e experiência. Podemos buscar e encontrar esse mistério grandioso dentro de nós e no meio de nós, através da vivência e da experiência amorosa da fé, da esperança, do amor, da gratidão, do louvor, da liturgia, da tarefa árdua da Ação Social que somente visa os prediletos do Senhor. É na gratuidade do amor que sentimos a Mão de Deus, nos pequenos gestos fraternos, nas atitudes que ajudam a vencer muitas dificuldades, em especial, o calor humano gerando a destruição do gelo da indiferença e do egoísmo, a fome implacável e a dignidade humana perdida do direito de se vestir, morar, ser família independente de classe social, sem nenhuma exclusão, aí sim podemos dizer onde há amor e caridade, Deus aí está; onde há respeito e responsabilidade, Deus aí está; onde há justiça e solidariedade, Deus aí está; Onde há unidade e comunhão, Deus aí está; onde há paz e perdão, Deus aí está, onde há alegria e felicidade, Deus aí está; onde há vida e verdade, Deus aí está; enfim, Deus estará sempre e será sentido quando homens de boa-vontade se levantarem para dar o seu algo mais, o seu melhor, a doação da sua vida em favor dos que mais necessitam.
O desapego é a graça para sentir o céu aberto dentro de nós.
Valeu mais uma vez, amados da Ação Social pelo exemplo, pela determinação, pelo amor dessa causa tão justa e tão necessária para que Deus seja sentido por muitos e muitos, ao longo dos anos. Estendo também a todas as Pastorais, Grupos de Oração, Movimentos e às queridas Irmãs de Belém, que com muita dedicação, afinco, oração, fé e entrega, têm mostrado a doce face de Deus naquilo que fazem.
Amados, como moradas de Deus, vivamos a grandiosa dignidade que muitos cristãos esqueceram e não vivem mais. Não percamos o respeito pela pessoa humana, pela sacralidade da vida, pelos direitos do ser humano. Cada pessoa, cada irmão, cada irmã, vale mais do que tudo. Onde Deus é excluído não há presença de Deus. Somos morada, templo, presépio, residência de Deus, por isso encontramos no Senhor nossa mais profunda e autêntica identidade, e não esqueçamos, com toda a nossa fragilidade e limitações que somos os seres mais amados de Deus. Como disse o Papa João Paulo II, o grande papa da Igreja e do nosso conhecimento em seus discursos, em Detroit, no ano de 1987: "Não deixem essa hora passar sem renovar seu compromisso com a ação pela paz e justiça social. Recorram ao Evangelho de Jesus Cristo para reforçar sua decisão de tornarem-se instrumentos do bem comum! Aprendam no Evangelho que estão encarregados de fazer valer a justiça e a paz de Deus! Não somos apenas os construtores da justiça segundo os padrões deste mundo, mas somos os portadores da vida de Deus, que é, Ele mesmo justiça e paz! Que seu empenho em atingir a justiça e a paz em todas as esferas de suas vidas seja uma manifestação do amor de Deus!".
"O amor pelos menos favorecidos não significa considerá-los uma classe, menos ainda uma classe enredada numa luta, ou como uma Igreja, separada da comunhão e da obediência aos pastores apontados para eles por Cristo. O amor e a opção preferencial pelos pobres devem ser implementados no contexto da de uma conceituação do ser humano em sua vocação terrena e eterna" (Pronunciamento em Medellín, Colômbia, 1980).
Irmãos, um cristão que não aprendeu a ver e amar a Cristo no seu próximo não é plenamente cristão. Somos os zeladores de nossos irmãos, estamos ligados uns aos outros pelo elo do amor.
O amor aumenta com a verdade, e a verdade chega mais perto das pessoas com ajuda do amor. Portanto, a vocação para o amor, compreendido como a verdadeira abertura para os outros seres humanos e a solidariedade para com eles, é a mais básica das vocações. É a origem de todas as vocações na vida.
Portanto, olhemos as necessidades dos outros como se fosse a nossa e convençamo-nos de que os necessitados não podem mais esperar. Levemos esperança genuína a todos, mas com prioridade aos mais desfavorecidos, que inspirados em sua fé sobrenatural, consideram a Igreja sua única defesa. Iluminemos trilhas de esperança, amor e doação, enquanto trabalhamos, na mais íntima união pela liberação da graça que vem a nós por Jesus Cristo, o Redentor dos homens, defendendo os falsos conceitos e ideologias que esvaziam o conteúdo evangélico, fazendo com que os homens experimentem o verdadeiro amor do Pai e do Filho, do Filho e do Pai, que transborda sobre nós pela efusão do Espírito Santo para que sintam a sua Presença Santa e Real em tudo aquilo que fizermos, para a honra e glória de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.
Encerro conclamando a todos a não ficarmos na teoria, mas dando um novo passo, redescobrindo que precisamos que precisamos do olhar de Jesus para olharmos os nossos irmãos; precisamos dos ouvidos de Jesus para nos deixar tocar por Sua Palavra e pelos ensinamentos da Igreja; precisamos da boca de Jesus para anunciar cada vez mais a Boa-Nova do Reino de Deus, precisamos dos braços de Jesus para abraçar a todos como irmãos, precisamos das mãos de Jesus para multiplicar os pães, precisamos dos pés de Jesus para buscar as ovelhas perdidas e machucadas e finalmente precisamos do coração de Jesus para irradiar o seu grande amor que tudo pode curar.
O meu afetuoso abraço e a Paz!
Ricardo da Liturgia das 10h
ricardomoyses@globo.com
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