Carta 11
Guastaila, 20 de junho de 1539 J+C
Ao Excelentíssimo Senhor Bernado Omodei e D.Laura (Rossi)
Dignos de toda honra em Cristo
Meu querido irmão ou, como você mesmo prefere, meu filho!
Saúde! Todo o meu sentimento em Cristo!
Recebi sua carta e a minha resposta será uma conversa com vocês dois juntos; com você, Bernardo e com D. Laura. E já que os confiei ao Cristo, desejo que vocês não se deixem levar pela tibieza, mas que cresçam sempre! O motivo é o seguinte: se a tibieza tomar conta de vocês, a vida marcada pela espiritualidade dará lugar a uma vida carnal ou, usando o termo mais adequado, vocês se tornarão, muito mais, uns fariseus do que cristãos e espirituais.
O tíbio - ou seja, o fariseu - age assim: ao se converter, abandona os pecados maiores, mas não se preocupa com os menores, ou melhor, não sente nenhum remorso por causa deles.
Por exemplo, deixa de blasfemar ou de ofender os outros, mas não fica nem um pouco preocupado quando se irrita, ou quando teima em manter seu ponto de vista, não cedendo nada ao companheiro; não fala mal do próximo, mas não acha que é um grande pecado gastar o dia inteiro em conversas fiadas: não come demais, nem se enche de vinho, como fazem os bêbados, mas gosta de estar sempre beliscando alguma coisa gostosa, mesmo sem precisar; sabe controlar a sua sensualidade, mas se diverte com conversas mundanas e coisas parecidas; gosta de ficar duas horas seguidas rezando e, depois, no resto do dia, a distração é sua companheira: ou também, não corre atrás de elogios, mas se por acaso alguém o elogiar ou exaltar, fica cheio de si. E como eu citei esses exemplos, procurem mais alguns, relacionados a outras situações de vida.
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