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Palavras do Papa no Brasil |JUNHO


Defesa intransigente da família e da vida, missão como perfil da Igreja foi a tônica das palavras de Bento XVI, no Brasil.

Ideologias e Política

“...tanto o capitalismo como o marxismo prometeram encontrar o caminho para a criação de estruturas justas e afirmaram que estas funcionariam por si mesmas. Esta promessa ideológica ficou demonstrada que era falsa. O sistema marxista, onde foi aplicado, não só deixou uma triste herança de destruição econômica e ecológica como também uma dolorosa destruição do espírito.”

Pregou o combate ao materialismo:

“- As sociedades não nascem nem funcionam sem um consenso moral sobre os valores fundamentais e sobre a necessidade de viver estes valores com as necessárias renúncias, inclusive contra o interesse pessoal.”

Atuação em defesa dos pobres e da ética

Fez questão de ressaltar a importância de o clero agir dissociado das ideologias, dos partidos e da identificação com determinados políticos.

Ressaltou que a Igreja sabe que as estruturas sociais estão em rápido processo de mudança. Acrescentou, no entanto, que não é competência da instituição realizar o trabalho de buscar soluções.

-”Se a Igreja começar a se transformar diretamente em sujeito político, não se dedicará mais aos pobres e à justiça, porque perderia sua independência e autoridade moral, identificando-se com uma via política e com posições parciais. A Igreja é a advogada da justiça e dos pobres exatamente porque não se identifica com interesses de partidos.”

O Papa criticou a ausência de líderes católicos de forte personalidade e vocação abnegada. Pediu que sejam coerentes com suas convicções éticas e religiosas. Segundo Bento XVI, é papel dos movimentos eclesiásticos recordar aos laicos sua responsabilidade e levar a luz do Evangelho à vida pública, cultural, econômica e política da região. O Papa deixou claro que vive-se um individualismo religioso, um abandono da realidade dos grandes problemas sociais e políticos da América Latina e do mundo.

“- Precisamos recorrer aos meios de comunicação: jornais, rádios, televisão, sites da Internet, fóruns e tantos outros sistemas para comunicar eficazmente a mensagem de Cristo a um grande número de pessoas.”

À classe política brasileira

"- Quem assume uma liderança na sociedade deve procurar prever as conseqüências sociais, diretas e indiretas, a curto e a longo prazos, das próprias decisões agindo segundo critérios de maximização do bem comum, em vez de procurar ganâncias pessoais. Não é nenhuma novidade a constatação de que vosso país convive com um déficit histórico de desenvolvimento social, cujos extremos são o imenso contingente de brasileiros vivendo em situação de indigência e uma desigualdade na distribuição de renda que atinge patamares muito elevados.

Deve-se trabalhar incansavelmente para a formação dos políticos, dos brasileiros que têm algum poder decisório, grande ou pequeno, e, em geral, de todos os membros da sociedade, de modo que assumam plenamente as próprias responsabilidades e saibam dar um rosto humano e solidário à economia.

Para o Papa, a Igreja pode contribuir para " formar nas classes políticas e empresariais um autêntico espírito de veracidade e de honestidade."

Recado aos traficantes:

-” Por isso, digo aos que comercializam as drogas que pensem no mal que estão provocando a uma multidão de jovens e de adultos de todos os segmentos da sociedade. Deus vai lhes exigir satisfações. A dignidade humana não pode ser espezinhada desta maneira. O mal provocado recebe a mesma reprovação dada por Jesus aos que escandalizavam os pequeninos, os preferidos de Deus.”

Elogiou o trabalho do Frei Hans Stapel da Fazenda Esperança:

“- Mediante uma terapia que inclui assistência médica, psicológica e pedagógica, mas também muita oração, trabalho manual e disciplina, já são numerosas as pessoas, sobretudo jovens, que conseguiram se livrar da dependência química e do álcool e recuperar o sentido da vida.. Nesta Fazenda da Esperança unem-se orações e o trabalho árduo da medicina e da laborterapia para vencer as prisões e quebrar os grilhões da droga.”

Criticou a mídia:

“O mundo precisa de vidas limpas, de almas claras, de inteligências simples, que rejeitem ser consideradas criaturas objetos de prazer. É preciso dizer não àqueles meios de comunicação social que ridicularizam a santidade do matrimônio e a virgindade antes do casamento.”

Igreja

Reclamou da falta de "força evangelizadora da própria Igreja",o que levaria os " batizados não suficientemente evangelizados" a serem incapazes de resistir ao " proselitismo agressivo das seitas".

“- Com a multiplicação de sempre novas denominações cristãs e, sobretudo, diante de certas formas de proselitismo freqüentemente agressivo, o empenho ecumênico, torna-se uma tarefa complexa.”

Criticou o movimento reformista da Igeja:

"- Não basta observar a realidade a partir da fé. É preciso trabalhar com o evangelho nas mãos e fundamentados na correta herança da tradição apostólica, sem interpretações movidas por ideologias racionalistas."

Elevou o tom do discurso quando cobrou dos integrantes da Igreja, empenho na missão de arrebanhar fiéis. A missão, reconheceu, não será fácil.

Família

O papel da mãe é fundamental para o futuro da sociedade, afirmou o Papa, que classificou a família de " patrimônio da humanidade. “A união familiar constitui um dos tesouros mais importantes dos povos latinos-americanos, principalmente por seu papel como "escolas de fé”.

Cobrou também uma presença mais ativa do pai na família. : “O pai deve ser verdadeiramente pai, que exerce sua responsabilidade indispensável e a colaboração na educação dos filhos.”

Criticou ainda o direito de adoção de crianças por casais compostos por indivíduos do mesmo sexo: “ os filhos, para seu crescimento integral, têm o direito de poder contar com o pai e a mãe". De acordo com o Pontífice, é indispensável também promover políticas familiares autênticas que respondam aos direitos da família como sujeito social imprescindíveis.
Conclamou os fiéis a refletirem sobre o homosexualismo no século 21: “Alastra-se a ferida das uniões livres. Como não sentir tristeza em nossas almas?”

Sem rodeios, mandou um recado aos sacerdotes de todo mundo sobre os desvios sexuais na Igreja. Sobre o celibato, o papa deixou claro que não aprova qualquer questionamento desse princípio no “seio da Igreja".

Contra o aborto

Condenou o aborto a eutanásia e a pesquisa com embriões
”- Sei que a alma deste povo, bem como de toda a América latina, conserva valores radicalmente cristãos que jamais serão cancelados. E estou certo que em Aparecida, durante a Conferência Geral do Episcopado, será reforçada tal identidade, ao promover o respeito pela vida, desde a sua concepção até o seu natural declínio, como exigência própria da natureza humana.”

"- Ataca-se impunemente a santidade do matrimônio e da família, iniciando-se por fazer concessões diante das pressões capazes de incidir negativamente sobre processos legislativos. Justificam-se alguns crimes contra a vida em nome dos direitos da liberdade individual.”

Aos jovens:

"- Deus vos chama a respeitar-vos também no namoro e no noivado, pois a vida conjugal que, por disposição divina, está destinada aos casados, é somente fonte de felicidade e paz na medida em que souberdes fazer da castidade dentro e fora do matrimônio um baluarte das vossas esperanças futuras.”
Citando João Paulo II disse que os jovens são os primeiros protagonistas do terceiro milênio.

“- Vivei com entusiasmo, com alegria, mas sobretudo com senso de responsabilidade. Da vida brota a liberdade, que, sobretudo nesta fase se manifesta como responsabilidade.”

"- Ao falar dos medos, os jovens revelam déficit de esperança, medo de morrer no momento em que a vida está desabrochando, medo de sobrar, medo de ficar desconectado diante da estonteante rapidez dos acontecimentos e das comunicações.”

Disse Bento XVI:

' “- Não tenteis fugir dela (juventude). Vivei-a intensamente, consagrai-a aos elevados ideais de fé e da solidariedade humana.”

 
 
 

VEJA NO MÊS DE JUNHO/2007:


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