Queridos irmãos, neste mês a Igreja Católica celebra a grande festa de Corpus Christi e nós como comuni-dade somos convidados a participar com júbilo da adora-ção, do louvor e da verdadeira alegria que reúne os cris-tãos com a presença real de Jesus, através do seu Corpo, Sangue, Alma e Divindade, na Sagrada Eucaristia.
Não simplesmente achemos ser esse dia um como outro qualquer, nem pelo menos mais um feriado, aproveitemos esta oportunidade para entender que é graça do céu para aqueles que amam, para aqueles que esperam e para aqueles que confiam no Senhor. É lamentável ver muitos irmãos e até mesmo os que são consagrados, que professam a verdadeira fé, viverem como pagãos. Em cada sacrário Jesus presente está, mas muita das vezes abandonado pelos fiéis que não se aproximam, pelos que não o visitam, pelos que não se lembram, pelos que não têm tempo, enfim, o Senhor que nos espera no Sacrário, porque nos "amou até o extremo", encontra-se ali, oculto aos olhos, mas incrivelmente luminoso e poderoso para saciar todas as nossas necessidades. Bem que poderia ser diferente e nunca o encontraríamos sozinho, acompanhado apenas pela lâmpada acesa, indicadora de sua presença. É preciso viver na íntegra este profundo mistério de amor, amar Jesus e adorá-lo de todo coração, de toda alma e de todo entendimento, aprofundando na graça da comunhão e revisando nosso compromisso com a vida cristã. A Eucaristia não é somente um Sacramento; é também o sacrifício permanente da Nova Lei, que Jesus Cristo deixou à Igreja, para ser oferecido a Deus pelas mãos dos seus sacerdotes e este sacrifício da Nova Lei chama-se Santa Missa.
A Santa Missa é a renovação do sacrifício que Jesus Cristo fez no Calvário, entretanto, o sacrifício do Calvário foi feito por Jesus Cristo de forma cruenta, isto é, com derramamento de sangue, ao passo que na Santa Missa esse mesmo sacrifício é renovado por Jesus Cristo de forma incruenta, sem derramamento de sangue, onde o Cordeiro que foi imolado para nossa salvação, repete o que fizera no Calvário, sem sofrimento físico. Entre o Sacrifício da Missa e o sacrifício da Cruz há esta diferença e esta relação: Jesus Cristo sobre a Cruz se ofereceu derramando o seu sangue para nós; ao passo que sobre os altares Ele se sacrifica sem derramamento de sangue, e nos aplica os frutos de sua Paixão e Morte. Oferece-se o Santo Sacrifício da Missa para quatro fins: 1.º Para adorá-lo como convém, e sob este aspecto o sacrifício é latrêutico, isto é, pela Santa Missa se presta a Deus a honra que lhe é devida, porque, por meio dela, Ele recebe a mesma honra infinita que Jesus Cristo lhe prestara sacrificando-se na cruz. Uma só Missa presta a Deus maior honra que todas as orações e penitências dos santos, todos os trabalhos dos apóstolos, todos os sofrimentos dos mártires, todo o amor dos serafins e mesmo da Mãe de Deus, porque todas as honras dos homens são de natureza finita, enquanto a honra que Deus recebe pela Missa é infinita, pois lhe é prestada por uma pessoa divina, o seu Filho. 2.º Para Lhe dar graças pelos seus benefícios, e sob este aspecto o sacrifício é eucarístico; 3.º Para aplacá-lo, para Lhe dar a devida satisfação pelos nossos pecados, e sob este aspecto o sacrifício é propiciatório; ou seja, que inclina Deus a nos perdoar a pena e a culpa dos pecados, que foi feita especialmente para a remissão dos pecados: Este é o meu, sangue, que será derramado por muitos, para remissão dos pecados, disse Jesus Cristo (Mat 26, 28). Deus, em consideração ao sacrifício do altar, concede a graça que leva o homem a detestar seus pecados e a purificar-se deles no sacramento da Penitência. Quanto às penas temporais, que devem ser expiadas depois da destruição da culpa, são elas perdoadas por virtude da Santa Missa, ao menos parcialmente, quando não de todo. Numa palavra, a Santa Missa abre os tesouros da divina misericórdia em favor dos pecadores. Este sacrifício pode ser oferecido também pelos defuntos. Por isso o sacerdote, na Santa Missa, pede ao Senhor que se recorde de seus servos que partiram para a outra vida e que lhes conceda, pelos merecimentos de Jesus Cristo, o lugar de repouso, da luz e da paz.. 4.º Para alcançar todas as graças que nos são necessárias, e sob este aspecto o sacrifício é impetratório, isto é, o sacerdote sobe ao altar para ser o intercessor de todos os pecadores. Por isso deve ser um intercessor para todos que pecam. Dessa maneira, diz São João Crisóstomo, "está o padre no altar, no meio, entre Deus e o homem; oferece a Deus as súplicas dos homens e alcança-lhes as graças de que precisam".
Deus distribui as suas graças sempre que é rogado em nome de Jesus Cristo, mas as distribui com mais largueza durante a Santa Missa, atendendo às suplicas do padre, pois essas súplicas são então acompanhadas e secundadas pela oração de Jesus Cristo, que é o Sacerdote Eterno, visto que é Ele mesmo que se oferece neste sacrifício para nos alcançar graças de seu Pai. Amados, olhando para Jesus Sacramentado, sinal corpóreo instituído por Ele mesmo para dar graça divina, derramemos nossa vida, coloquemo-nos em comunhão, na mesma sintonia e adoremos o Senhor da Vida, o Rei da Glória, o Todo Poderoso que ali está diante dos nossos olhos e que quer fazer morada no nosso coração. Nesta hora não há motivos para conversa, distração ou qualquer outro tipo de entretenimento, pois embora sejamos muitos, somos olhados e visitados individualmente, portanto adoremos o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, exposto, elevado, presente, vivo, real, ressuscitado, no coração da Igreja, sobre o altar da imolação. Repito, adoremos o Senhor de todo coração, pois a hóstia consagrada não é um simbolismo, não é uma invenção da Igreja Católica, não é uma mera encenação que faz com que pessoas se comovam, mas lembremos da Palavra quando o próprio Jesus na Instituição da Eucaristia, naquela noite derradeira, disse: "Este é o meu corpo...Isto é o meu sangue...
fazei isto em memória de mim". Como católicos, precisamos ser obedientes a Deus, mas também aos documentos da nossa Igreja, onde a Bula Transisturus, do Papa Urbano IV declara que muito piedosa e religiosamente foi introduzida na Igreja de Deus o costume, que todos os anos, determinado dia festivo, seja celebrado este excelso e venerável Sacramento, com singular veneração e solenidade; e reverente e honorificamente seja levado em procissão pelas ruas e lugares públicos. Expressemos a nossa gratidão e memória por tão inefável e verdadeiramente divino benefício, pelo qual se faz novamente presente a vitória e triunfo sobre a morte e ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, através da dimensão individual do tranqüilo silêncio da oração, da contemplação e da adoração, que nos impulsiona ao encontro dos irmãos, aprendendo a estar com eles na vivência do amor fraternal.
Adoremos a Jesus Sacramentado, fonte de cura, bênçãos e graças. Encontremo-nos com o Amor sob a espécie de pão presente no meio de nós para que experimentando essa graça e alimentados pelo Pão da Vida, estejamos fortalecidos e mais capacitados para enfrentar as provações e encarar os sofrimentos, para contagiar a fé e a esperança e por fim levar a bom termo a missão, a vocação que Deus nos chama de verdadeiros adoradores, aqueles que O adoram em espírito e verdade.
Um forte abraço em todos os meus irmãos e que a Paz reine em seus corações.
Ricardo da Liturgia das 10h
ricardomoyses@globo.com
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