Cartas Pastorais - 2 Carta a Timóteo (1)
Introdução
A 2 Carta a Timóteo é a última carta escrita por Paulo e a mais comovedora. É quase um adeus, tudo respira uma profunda emoção nesta carta.
Paulo está preso em Roma (1,8.16s; 2,9) depois de haver passado por Troade (4,13) e Mileto (4,20). Sua situação é grave (4,16); sente-se próximo ao fim (4,6-8.18). Esta carta deve ter precedido de pouco o martírio no ano 67.
O tom é mais íntimo e intenso, com alusões muito pessoais: insiste com Timóteo por duas vezes para que se apresse a vir ter com ele, como se sentisse necessidade da sua presença física ((4,9-21). Ignora-se se Timóteo chegou a tempo de ver seu mestre ou mesmo se esteve ou não em Roma. De certo sabe-se que Lucas estava com Paulo. Ele lamenta-se do abandono de alguns discípulos (4,9.14). Detalhes de sabor pessoal fazem desta carta uma pintura do velho Apóstolo preocupado com seu manto e os seus livros (4,13).
O fato de que Paulo ficou preso novamente parece ter abalado Timóteo. Ele não tem mais coragem de pregar o Evangelho, que só traz ignomínia e perseguição para quem lhe adere.
Numa carta cordial, que é como que seu "Testamento Espiritual", Paulo tenta explicar a seu discípulo predileto o mistério do sofrimento. "Já estou sendo oferecido em libação, pois chegou o tempo da minha partida. Combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé (4,6-7). O velho guerreiro, segundo a metáfora que ele usa, transmite o que lhe foi confiado ao jovem sucessor (1,13-14). Dá-lhe conselhos que são um retrato do "bom pastor" para aquela época. Dá instruções para ele saber como tem de defender o rebanho e como deve conduzir-se com os hereges: "Proclama a Palavra, insiste oportuna ou inoportunamente, repreende, ameaça, exorta com toda paciência e doutrina" (4,2).
A percepção que Paulo tem de sua morte iminente leva-o a confirmar Timóteo e a autorizá-lo a nomear sucessores.
É urgente guardar sempre "o bom depósito da fé por meio do Espírito Santo" (1,12.14; cf 3,14). Além disso, é claro o convite a ouvir e contrapor-se enérgica e corajosamente aos que ensinam falsas doutrinas, para levá-los a se converter e reconhecer a verdade (2,25s).
Menos empolgante que uma carta a uma nova Igreja cheia de convertidos carismáticos, 2 Tm é uma janela para uma Igreja em época de transição, em uma confusa sociedade pluralista.
Nesta segunda carta, a exortação se torna mais pessoal e vivaz.
Paulo oferece o próprio exemplo, recorda seu ministério, prepara-se para morrer. Diante dos falsos mestres, que aumentarão e se fortalecerão nos últimos dias, o mestre responsável há de ser como soldado, lavrador, operário, empregado fiel, peça de mobília doméstica, testemunha corajosa.
Jane do Tércio
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