Tem 25 anos e estuda medicina. Procurou-me aflito porque queria uma orientação a respeito da oração. Disse-me angustiado, que estava decidido a não pedir mais nada a Deus para si. Só ia rezar pelos outros, uma vez que quando pede em seu favor dá tudo ao contrário. A sua oração só tem êxito quando ora pelos outros. Acho que Deus não gosta de mim ou não quer me ajudar, desabafou desconsolado. Será que não sei falar as coisas certas? Por que Deus não atende a nenhum dos meus pedidos? Por que vira o rosto quando estou pedindo por mim?
Na verdade, estas aflições não são somente do jovem acadêmico. São, sim, angústias de um bom número de pessoas, que quer aprender como orar. É comum a indagação, qual é a oração certa nesta ou naquela situação. Preocupados com as formas exteriores da oração, as pessoas, inadvertidamente, afastam-se do essencial.
Ora, na oração, o essencial é colocar-se na presença de Deus. Ou, para ser mais preciso, abrir o coração e a vida para Deus. Pois, quando se põe em oração, na verdade, não é o homem que chama por Deus, mas é Deus quem o visita. E este Deus que é pai e que, além de conhecer profundamente as necessidades de cada ser humano, é sempre pródigo em bênçãos. A primeira e a mais fundamental atitude, na oração, pois, é colocar-se confiante na presença de Deus, sem afligir-se com o que se vai falar. A oração é, essencialmente, um ato de repouso em Deus.
Ora-se não para dizer a Deus o que Ele deve fazer, mas para colocar, com confiança, todas as necessidades em suas mãos e sob o se maternal cuidado. O simples fato de se colocar sob o olhar divino já é uma bênção. Quem se dispôs a orar já está ganhando, pois nunca ninguém encontrou-se com Deus e ficou de mãos vazias.
É preciso deixar de lado a preocupação com as palavras, com as fórmulas, com os rituais. E, para entender isso, basta reparar no cotidiano das pessoas. Qual é o pai e a mãe que exige dos filhos fórmulas predeterminadas para pedir comida quando estão com fome? Antes do filho pedir, a comida já está sendo preparada, e com alegria! Ora, se os pais mesmo sendo imperfeitos, e que, às vezes, chegam até a irritar-se com certas atitudes dos filhos, são capazes de adivinhar e atender o seu desejo, quando julgam ser benéfico para ele, quanto mais Deus que é bondade pura e amor perfeito! O ser humano precisa acreditar que Deus o ama de paixão. É esta confiança na ternura de Deus que dá vida e vibração a oração. Preces sem fé são uma mera tagarelice. Da mesma forma, o pedinte que põe sua fé em predeterminadas palavras, fórmulas ou ritos está mais para a superstição e para a magia do que para a fé. A força da oração não está nas palavras, mas no amor de que a ouve. Deus não se prende as palavras. Deus capta sonhos. E como Ele ama e enxerga longe, proporciona sempre aos seus filhos, aquilo que lhes faz bem, de verdade.
O jovem estudante ouviu tudo com atenção e observou que, sendo assim, não é preciso fazer pedidos a Deus. Precisa, sim, porque é uma exigência humana exteriorizar os próprios sentimentos. Confiante ainda de que para Deus tudo é possível, o homem deve aprender a ser ousado nos seus pedidos. Toda oração deve ser atrevida e confiante. E agradecida, pois Deus sempre dá muito mais do que se ousa pedir!
Pe. Charles Borg (Araçatuba- SP) |