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CRISTOLOGIA (8)
Ef 1,3-14
Este trecho, interpretação de Cl 1,15-20, embora fale
de Cristo Jesus mais segundo a linha soteriológica, merece
a nossa reflexão exatamente porque está ligado ao
Hino cristológico da Carta aos Colossenses. Jesus é
o Amado, portanto, o Isaac imolado (Gn 22) pelo qual recebemos a
condição de filhos adotivos. O gesto de Cristo ocorre
dentro o Plano sapientíssimo do Pai que, por livre determinação
de sua vontade quis recapitular todas as coisas no Filho. A importância
do gesto de Cristo está no fato que, pela sua imolação
de Cruz nos comunica o Espírito que nos sela para a glorificação.
O hino se compõe de quatro elementos: o Pai com o seu Plano,
Jesus Cristo com a sua imolação de Cruz, o Espírito
como penhor da nossa nova condição, a filiação
divina que nos garante a herança do Reino, em Cristo Jesus.
v. 3. O tema do hino é apresentado através de uma
louvação motivada pelo reconhecimento das "bênçãos
espirituais" que o Pai nos concedeu em Jesus Cristo nosso Senhor.
A Igreja, da qual Jesus é o Senhor eleva a sua louvação
a Deus motivada pelos benefícios que o Espírito lhe
participou.
v. 4. É nossa responsabilidade corresponder ao Plano de Deus
vivendo de forma irrepreensível porque usufrui do Espírito
de caridade somente aquele que permanece em Cristo.
v. 5s. "Aquele que de antemão nos conheceu, nos predestinou
a sermos conformes à imagem do seu Filho" (Rm 8,29).
Chamados a usufruir desta graça, fomos justificados no Isaac
imolado, para que resplandecesse todo o Gratuito divino e, nisto,
fosse o Pai glorificado.
v. 7. A nossa redenção aconteceu porque o "Amado"
(Gn 22,2.16) pagou o preço do nosso resgate com o seu sangue.
v. 8. A graça do Espírito veio a nós em toda
a sua plenitude, juntamente com os dons da sabedoria e do espírito
de revelação (v.18), de forma que podemos penetrar
no Mistério que revela qual é a vontade de Deus. Ele
se torna mais claro quanto mais progredimos na virtude em espírito
de conselho.
v. 9s. O Mistério é Cristo que, atuando o Plano do
Pai, dele revela toda a Sabedoria e Bondade. Chegada a Plenitude
dos tempos, preparada pela profecia, o Adão verdadeiro recapitula
toda a história da humanidade e submete a si o mundo dos
anjos (Cl 2,15).
v. 11. Cristo Redentor (o 'Goel', aquele que paga o preço
do resgate para libertar da escravidão alguém do seu
sangue) nos recebe do Pai como 'herança', para que o Pai,
em nós, seja glorificado.
v. 12b-13. São herança de Cristo seja os que esperaram
nele motivados pela Profecia, como, também os gentios que
se converteram pela pregação da "Palavra da verdade
o evangelho da salvação". Todos, no Amado, receberam
o Espírito que os selou, tornando-os nova criatura.
v. 14. Todos aqueles que o Espírito Santo santificou, se
tornaram filhos adotivos em Jesus Cristo. O Espírito que
está neles como seiva que passa da Videira aos ramos, os
torna capazes de participar da vida gloriosa de Deus. Pelo Espírito
houve uma redenção que nos tornou herança de
Deus, em Cristo, de forma que nos tornamos a glória dele.
Deus, segundo o seu sapientíssimo Plano, nos tornou motivo
supremo da sua glória enquanto se propôs realizar em
nós o máximo que o nosso ser poderia alcançar.
Segundo o seu Plano somos destinados à divinização
que o glorifica ainda mais porque ela é obtida no máximo
da manifestação da sua Caridade: a Redenção.
Nela resplandece a Caridade divina na Misericórdia que se
atua mediante o dom que Deus faz do seu Filho destinado a nos tornar
sua herança mediante a entronização na Cruz.
O Espírito, que Cristo Jesus nos mereceu pela sua imolação,
é a riqueza da graça que atua o máximo da nossa
glorificação enquanto nos torna filho adotivos no
Amado, conhecedores do Mistério de Deus, que é Cristo
Revelação do Pai, e herdeiros da vida eterna.
Perguntas para uma reflexão:
1ª) Qual é o Plano de Deus sobre o homem?
2ª) De que forma Jesus Cristo é o Mistério de
Deus (Cl 1,26s; 2,2s)?
3ª) Quais são as riquezas que o Espírito, merecido
por Cristo na sua imolação, nos comunica?
Pe. Fernando Capra/CRSP
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